Diante de tantos males, com
destaque para a violência, a sociedade não sabe o que mais causa
indignação: os fatos em si, resultantes de uma série de causas entre
as quais a incompetência de nossas autoridades para lidar com o
adverso, ou, a tentativa de fuga à responsabilidade por parte destas
últimas com palpites e declarações estapafúrdias, inconseqüentes,
insultuosas, agressivas. Não passa uma semana sem que o público seja
agredido com tais intervenções verbais de nossas autoridades maiores,
em decorrência de algo com o qual não conseguem lidar ou, pior, dele
não tem controle.
Um dos mais recentes insultos
(tomara que involuntário) do presidente da República magoou uma classe
inteira já ferida, quando disse que cientista frustrado se torna
professor. Em outra ocasião, ele mesmo, querendo fazer média com a
comunidade negra, disse que era mulatinho e tinha um pé na cozinha,
como se só ali o negro pudesse estar presente como trabalhador e
participante da sociedade. Revelando incompetência para reduzir o alto
índice de acidentes de trânsito e total desrespeito para com os
direitos do cidadão, autoridades (públicas e privadas) chegaram a
cogitar o forçamento da troca de veículos mais velhos, com a desculpa
de que seriam eles os causadores de acidentes. Só um estúpido
acreditaria num argumento tão estúpido! Depois da imprudência e má
conservação das vias, o que pode causar acidentes é a má
conservação do veículo e falta de manutenção, tanto do novo quanto
do velho, não importa sua idade. Mas, este país tem tal preconceito
contra velhos... e pobres! Estes últimos, então, são sempre os
primeiros chamados para pagar a conta da incompetência e omissão
governamentais. Porque o presidente "não sabia" que o setor
elétrico estava a ponto de fechar um curto-circuito na economia
nacional, o povo teve de voltar às trevas, ao uso do "machambombo"
(ferro de brasa), tomar banho "de caneca", desligar televisão
e abdicar do uso de outros eletrodomésticos. Se não cumprisse a meta
imposta ficava sem luz. E agora porque baixou o consumo, pagará mais
caro pelo que gastar!
Outra vez, o pobre seria
chamado a pagar a conta, desta vez da segurança, se ouvido o palpite
infeliz e sacana (desculpem-me pela expressão, pois não há outra mais
indicada) do governador paulista. Justamente o pobre que, finalmente, se
descobriu também com o direito de se comunicar, não teria mais o
celular pré-pago, pois este seria o único instrumento de comunicação
da "bandidagem". Ora, governador, vá meter seu
"narizinho" a cheirar outras coisas, vá. Recolha-se à sua
incompetência, se não sabe lidar com o problema, e, deixe quem sabe
agir. O que o senhor define como instrumento do crime é justamente o
contrário. Quanto mais celulares pré-pagos houver, mais cidadãos
poderão prestar informações à polícia, sem o risco de se
identificar. Esclareça-se que este escriba não tem e nunca usou um
celular.
Como virou moda a criação de
neologismos no reino do confinamento: sambódromo, "camelódromo",
"fumódromo", "bumbódromo", sem esquecer o "bundódromo"
em que se converteu a televisão, sugiro a criação do "besteiródromo".
Seria uma sala com única porta e sem janelas, onde se confinaria o
"besteirante" a repetir até cansar, em voz alta para si
próprio, as besteiras que o povo não quer ouvir. Como complemento do
castigo, ao "infrator" caberia copiar pelo menos cem vezes, em
letra legível, a Constituição Federal, com destaque especial para os
direitos do cidadão.
Se isto não der certo,
sugere-se à imprensa colocá-lo no "gelo": fazer de conta que
ele não existe. Para o político será como pena de morte,
especialmente o mau que mais gosta de aparecer. E tenho dito!