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Na
área cultural, uma característica importante de Ouro Preto, se não de
toda a região envolvente, é o grande número de bandas de música,
herança de um passado pujante em cultura musical cujo valor só foi
reconhecido depois que um estrangeiro se aventurou em pesquisas,
revolvendo papéis velhos no interior mineiro. Francisco Curt Lange,
musicólogo nascido alemão e naturalizado uruguaio, descobriu a
preciosidade da música mineira quando fez contato com regentes de bandas,
e, destes conquistou a confiança para pesquisar velhos arquivos e papéis
considerados sem valor. Em Cachoeira do Campo, Curt Lange encontrou vasto
campo onde desenvolver suas pesquisas, ao fazer contato com mestres das
duas bandas de música locais. A Banda Euterpe Cachoeirense, fundada em
1856, e a Sociedade Musical União Social, em 1864, são das mais antigas
bandas de música do Brasil e, ao tempo da peregrinação do musicólogo
Curt Lange, eram regidas por José Avelino Murta (Juquinha Murta) e
Randolfo José de Lemos, respectivamente. Foi com eles que o pesquisador
desvendou grande parte dos mistérios que envolviam a música mineira e
ouropretana . Esta pequena exposição histórica sobre as bandas de
música cachoeirenses é apenas para apresentar uma curiosidade. O coreto
da foto, encostado no adro da matriz, é um símbolo da tradição musical
de Cachoeira do Campo. Foi edificado no início do século XX e talvez o
único coreto particular no Brasil. Normalmente, o coreto é patrimônio
da municipalidade, mas este pertence à Banda Euterpe Cachoeirense. O
coreto caiu em desuso, pois as bandas preferem o contato direto com o
público, mesmo que este perturbe um pouco. Mas, onde existe, é símbolo
da cultura musical local. É o caso do coreto em Cachoeira do Campo. O
fato de ser particular demonstra, mais uma vez, o descaso do poder
público em relação às bandas de música. Em Cachoeira do Campo, o fato
de o coreto ser particular é bom. Se fosse público, já teria virado
escombros!
Pouco resta dos antigos
casarões em Cachoeira do Campo. Dos sobrados coloniais, que eram vários,
só resta um na Praça Felipe dos Santos (Pça. Da Matriz), mas das casas
baixas algumas ainda cumprem missão residencial. Mas é interessante
observar que entre as poucas construções coloniais, um estilo diferente
está presente em número restrito de casas. São chalés, construídos no
início do século vinte***
. Entre
os chalés destaca-se ao alto o único que apresenta quatro janelas na
fachada, além de ornamentos singelos. O segundo foi construído com recuo
(uma raridade na época) e preenchido o espaço até rua com jardim. ***
Iguais
a esta diversas já foram demolidas ou tiveram a fachada alterada ***

Esta ruína já foi imponente
residência. Ao contrário daquela que
manteve recuo, alinhou-se com a rua. O jardim ficou na lateral
***
Este
é um exemplo de imóvel colonial preservado em suas características
originais. ***

Outro exemplo de um
colonial bem cuidado. Pena terem sido substituídos batentes largos por outros
estreitos ***

Lamentavelmente, esta casa
teve o telhado colonial substituído. O modelo é único em toda a
Cachoeira do campo ***
***
Esta
é a pequena capela de São Sebastião, localizada no Bairro Cruz dos
Monges. A modesta ermida tornou-se marco da reabilitação da
identidade cultural dos cachoeirenses. Tudo começou quando o pároco
local pensou em derrubá-la,para construir em seu lugar outra igreja. A
comunidade não recebeu bem a idéia, mas coube a três jovens a
iniciativa de impedir sua consecução. O caso foi parar no Ministério
Público e a capelinha continuou firme no alto da Cruz dos Monges. O fato
serviu de partida para um movimento pró-memória de Cachoeira do Campo.
Os três estudantes, Alex Fernandes Bohrer, Paulo Roberto Gomes e Rodrigo
da Conceição Gomes empolgaram-se com a
causa em favor da ermida de São Sebastião e partiram para a
constituição de uma entidade que tem por objetivo principal a defesa
dos bens patrimoniais e culturais locais. Nasce então a Associação
Cultural Amigos de Cachoeira do Campo-AMIC. Uma das vitórias da AMIC
foi a inclusão de Cachoeira do Campo no roteiro percorrido pelo Fogo
Simbólico, que percorre várias cidades até Ouro Preto, onde, no dia 21 de
Abril, acende a Pira da Liberdade durante as homenagens oficiais a
Tiradentes. Finalmente, o erro, ou seja, a exclusão de Cachoeira do Campo
das comemorações, foi reparado.
***Fotos
de Silvino Pimenta

Neste sobrado foram
preparados os aposentos da família imperial quando de sua visita a
Cachoeira do Campo. Infelizmente, o casarão não mais existe. Estava
localizado na Praça Felipe do Santos (Pça. da Matriz).

Em 1920, de acordo com
esta foto, o Maracujá ainda merecia a classificação de rio. O volume de
água era considerável e sua qualidade preservava vidas. Vejam sua
brancura nas pequenas quedas ao fundo. O lajedo no meio do rio à jusante
da Ponte do Palácio era usado para recreação. Um grupo de rapazes se
diverte na ilhota, enquanto garotos os observam da amurada da ponte.
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