Resumo histórico das entidades participantes do 1º Festival Ouropretano de Bandas de Música  

Grêmio Recreativo Bandalheira de Ouro Preto –Ouro Preto, 1972

No dia 06 de Janeiro de 1972, reunidos no patamar do Passo do Rosário, também chamado de Passo do Paracatu, os Irmãos Alves, juntamente com amigos ouro-pretanos, manifestaram o desejo de formar um bloco carnavalesco que tocasse dobrados e marchas em velhos instrumentos musicais pelas ruas de Ouro Preto, revivendo os carnavais de outrora.  Assim nasceu a Bandalheira, que, com seu uniforme peculiar e instrumentos velhos, desfila em fileiras marcando o ritmo forte da marcha militar, o que a difere dos demais blocos carnavalescos.  A Bandalheira homenageia as bandas civis e militares, e satisfaz o desejo de pessoas que mesmo sem conhecimento musical, almejam desfilar numa corporação. 


Sociedade Musical Bom Jesus de Matosinhos – Ouro Preto, 1932

Em 1932, Franklin Amâncio dos Santos, Temístocles Corrêa de Magalhães e Cândido Simplício Marçal se reuniram com um grupo de pessoas da comunidade no Consistório da Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, para oficializar a fundação de uma sociedade musical que receberia o nome do santo protetor. As primeiras apresentações públicas aconteceram nas festividades do Senhor Bom Jesus, depois a Sociedade foi ganhando a credibilidade da comunidade passando a atuar em várias festividades religiosas e civis em Ouro Preto, distritos e outras localidades.  Seu primeiro uniforme era de cor cáqui, que lhe deu a alcunha de Banda do Amarelão, atualmente é conhecida como Banda do Rosário, pela localidade de sua sede.  A 70 anos a Banda do Amarelão é orgulhosa da memória dos seus antigos músicos, do exemplo dos mais velhos, e tem nos aprendizes a garantia de continuidade de sua história.


 Sociedade Musical Bom Jesus das Flores – Ouro Preto, 1932

Também chamada de Banda das Flores ou Banda do Alto da Cruz, esta corporação musical nasceu para abrilhantar as festividades religiosas após a reedificação da Capela do Senhor Bom Jesus das Flores no Taquaral, em 1932.  Para organizar a Banda, o Sr. José Godinho dos Santos convidou alguns músicos da cidade, pessoas que tinham algum conhecimento musical e jovens para se iniciarem como aprendizes.  Os primeiros instrumentos foram adquiridos através de compra em antigas bandas musicais extintas, e para mestre foi convidado o Sr. Vicente Aniceto, músico militar, trombonista e trompetista do 10º Batalhão de Caçadores de Ouro Preto.  A hierarquia entre os músicos advém da organização militar, pois muitas corporações tiveram como mestres os músicos que atuavam em regimentos militares instalados em diversas cidades do interior de Minas Gerais. Tal como as demais bandas, a Sociedade Musical é registrada como sociedade civil de caráter filantrópico, e se mantém com a mensalidade dos sócios, quantias resultantes de tocatas e apresentações em festas religiosas, retretas e festas populares.  


 Sociedade Musical  Santa Cecília – Rodrigo Silva, 1901

A Santa Cecília foi fundada por um grupo de ferroviários, como Paulino Teixeira Rosa, Eurico da Silva, Cesário Cruz, somente para citar alguns, e Joaquim de Freitas, o primeiro mestre.  Por muito anos, a sede da banda foi um pequeno salão cedido por José Campos, até que em 1949 construiu-se a sede própria, que é ocupada até hoje.  Além de propiciar a formação musical através das aulas de teoria e iniciação oferecidas às crianças, a Santa Cecília, tal como outras bandas, mantém importante função social, pois participa das festas da comunidade, ajudando a promover a integração e o desenvolvimento de Rodrigo Silva.  Mais do que um patrimônio cultural, a banda está no coração de todos os seus músicos, familiares e admiradores.  


Banda Euterpe Cachoeirense – Cachoeira do Campo, 1856

A história da Euterpe iniciou-se um pouco antes da data de fundação, quando Capitão Rodrigo Murta e Mestre Tássara tentaram organizar uma corporação musical, mas foi somente em 1856 que Rodrigo Murta efetiva sua fundação, e recebeu primeiramente o nome de Companhia Euterpe Cahoeirense.  Em meio a efervescência política do Império, a Euterpe nasceu a partir de simpatizantes do Partido Conservador, diferentemente de outras corporações musicais, que nascem sob o orago de um santo protetor.  Esta banda, que mantém atividade ininterrupta por 146 anos, exibe em seu acervo histórico os instrumentos antigos, a árvore de campainha, o estandarte bordado no século XIX, e um fabuloso acervo com documentos administrativos e manuscritos musicais.  Tudo reunido contribui para relatar a sua trajetória histórica, mas o legado mais precioso está na capacidade de eternizar a Banda através do convívio entre seus mestres, músicos, aprendizes e a comunidade.  


Sociedade Musical União Social – Cachoeira do Campo, 1864

A União Social nasceu a meio de uma acalorada discussão política, quando os músicos do Partido Liberal se desentenderam com os músicos do Partido Conservador. O primeiro mestre foi João Gonçalves Magalhães, que teve a difícil tarefa de colocar, numa localidade tão pequena com Cachoeira do Campo, uma segunda banda a serviço da comunidade.  Outros mestres tiveram participação importante na vida da União Social como Joaquim José de Brito, que incrementou o ensino musical e colocou a União Social em destaque pela qualidade de seus músicos, e Randolfo José de Lemos, conhecido pelo pioneirismo de suas ações e dedicação nos 69 anos que esteve à sua frente da União Social, de 1893 a 1962. Para demonstrar sua eterna gratidão a esse homem tão dedicado, a União Social batizou a escola de música com seu nome.  A banda de música será sempre uma das mais autênticas manifestações da cultura popular, e a 138 anos União Social vem a ajudando a sustentar a tradição musical de Cachoeira do Campo, representando a alma da comunidade.


 

Sociedade Musical XV de Novembro - Mariana

Por iniciativa do Dr. Gomes Freire de Andrade, médico, professor e líder do Partido Republicano na cidade, nasce em 1901 a XV de Novembro com o objetivo de servir à propaganda republicana.  Adquiriram instrumentos musicais e convidaram o Sr. Antônio Miguel de Souza, músico do 31º Batalhão do Exército Nacional, para reger a banda.  Em Mariana, na Rua direita nº 151 está o casarão que abriga a sede da Banda, adquirida por doação no ano de 1915, e a primeira reforma aconteceu com verbas proveniente de rifas, festas, apresentações teatrais e doações de simpatizantes.  Atualmente ela possui local de ensaio, escola de música, um arquivo de documentos e partituras, e abriga uma exposição permanente com objetos que contam sua história centenária.


 

Sociedade Musical São Caetano – Monsenhor Horta

 não foi fornecido o histórico.


texto fornecido pela coordenação do Festival

 

 

 

 

 

Bloco carnavalesco "Bandalheira" 


S.M. Senhor Bom Jesus de Matosinhos

 


 

 

 

S.M. Senhor Bom Jesus das Flores

 

 

 


Sociedade Musical Santa Cecília


 

 

Banda Euterpe Cachoeirense

 


 

 

S.M. União Social

 

 


 

 

S.M. União XV de Novembro

 


 

 

 

 

Infelizmente, a foto da S.M. São Caetano não foi registrada pela memória da máquina

Exposição Instrumentos de Música

Exposição de instrumentos musicais antigos, oriundos das bandas de música da cidade de Ouro Preto e distritos, e alguns instrumentos históricos provenientes de São João del Rey e do acervo do Museu da Inconfidência.  A curadoria é da musicóloga Mary Angela Biason. A abertura da exposição está prevista para o próximo 28 de Setembro na sala Manoel da Costa Athayde, anexo do Museu da Inconfidência.

 Resumo do projeto de catalogação de manuscritos musicais entre Museu e Bandas

As corporações musicais da cidade de Ouro Preto e o Museu da Inconfidência firmaram uma parceria para a catalogação de seus acervos de manuscritos musicais.  As bandas envolvidas são as seguintes: Banda Euterpe Cachoeirense, criada em 1856 e Sociedade Musical União Social, em 1864, ambas de Cachoeira do Campo, Sociedade Musical Santa Cecília de Rodrigo Silva, criada em 1901, e as sociedades musicais Bom Jesus de Matosinhos, e  Bom Jesus das Flores, ambas de Ouro Preto e criadas em 1932.

A proposta do setor de Musicologia do Museu da Inconfidência é catalogar o acervo de cada uma dessas bandas em sua sede e juntamente com seus músicos, criando um vínculo importante entre o músico, a história e o patrimônio que sua corporação preserva.  Dessa maneira, o Museu funciona como parceiro para orientar a comunidade na preservação de sua história, dando assistência e oportunidade às instituições e proprietários particulares que possuam acervos de instrumentos e manuscritos musicais, para preservarem o seu patrimônio e ao mesmo tempo divulgar a catalogação.

Através do levantamento das informações encontradas nos manuscritos, poderemos dimensionar a produção musical em Ouro Preto, seus compositores locais, a disseminação de repertório através das cópias de músicas, sua ação dentro da comunidade.  O levantamento desses dados são de suma importância para a musicologia brasileira, além de dar subsídios importantes para os estudos sobre a música produzida nos séculos XVIII e XIX.

 Histórico do setor de Musicologia do Inconfidência

                Dos mais significativos do gênero no país, o acervo de manuscritos musicais do Arquivo Histórico do Museu da Inconfidência é constituído basicamente por obras de compositores brasileiros dos séculos XVIII e XIX.  São cerca de 2.500 verbetes, entre manuscritos autógrafos e cópias de obras de compositores como José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, Marcos Coelho Neto, Pe. João de Deus de Castro Lobo e Manuel Dias de Oliveira, e cópias de obras de compositores portugueses como Gines de Morata, Francisco Luís, José Joaquim dos Santos e Marcos Portugal, ao lado de muitos outros que sustentaram a grande produção musical do período colonial.

                O setor de Musicologia foi criado em 1982 sob a coordenação geral do Prof. Dr. Régis Duprat quando recebeu a Coleção Francisco Curt Lange de manuscritos musicais, fruto de pesquisas realizadas por este musicólogo alemão nas décadas de 1940 e 50 por várias cidades de Minas Gerais.  Na ocasião foram incorporadas ao setor mais três coleções oriundas das cidades mineiras de Campanha, Ponte Nova e Pitangui, que estavam no arquivo do Museu, para aqui receberem tratamento musicológico específico.  Ao longo desse tempo, mais duas coleções de música foram incorporadas: a Coleção Arquivo Público Mineiro, que veio do arquivo do Estado de Minas Gerais em regime de custódia temporária, e a Coleção Anália Esteves Ribas, doado por uma família da cidade de Ouro Preto.  Estes documentos são datados do último quartel do século XVIII até início do XX, que correspondem, em sua maioria, a obras de ofícios religiosos, mais uma parte de música para banda, um pequeno número de música para orquestra, para piano, modinhas e trechos de óperas.

                Para organizar e valorizar um acervo tão específico, o setor vem desenvolvendo trabalhos de coleta, conservação, catalogação, microfilmagem, transcrição e edição, divulgando seu acervo a fim de oferecer à musicologia, de forma concisa, todos os elementos necessários à pesquisa em manuscritos musicais.

                O Museu da Inconfidência, que ha anos vem adquirindo experiência no aprimoramento de técnicas de catalogação e transcrição de manuscritos, deseja satisfazer as esperanças de departamentos de musicologia de universidades, centros de documentação musical e musicólogos do Brasil e do exterior, partilhando informações que permitam o desenvolvimento de trabalhos de pesquisa.

Mary Angela Biason

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