Identidade cultural coletiva
Indivíduo que se preza cuida da
sua própria imagem junto ao público; não a imagem aparente ou
física, que conta com a ajuda de indumentária da moda, embora tudo
isso possa prevalecer sobre valores morais na hora da definição entre
dois ou mais indivíduos. Falo da imagem moral e do conjunto de
características que formam a personalidade, que se poderia chamar de
retrato da alma. É o que normalmente se denomina conceito de uma
pessoa. Não importa se o indivíduo tem posses ou não, se tem títulos
acadêmicos, ou se é mais, ou menos inteligente que os demais do seu
meio. O que considera fator importante de sua personalidade ele defende
e não deixa que terceiros ponham dúvidas diante do público.
Indivíduo, por exemplo, que prima por sempre dizer a verdade, e viver
de acordo com ela, não aceita que seu nome seja ligado ao falso e à
falsidade, por muito que isso possa lhe trazer em benefícios materiais.
É uma qualidade inerente ao seu ser, e que ele não permite ser
colocada sob suspeição. Assim com o indivíduo, mais ou menos assim
também com o coletivo em nível de comunidade, notando-se que aqui as
características passam a ser mais de fundo histórico e cultural.
Infelizmente, no Brasil, como
extensão ao descaso para com a cultura de um modo geral nem sempre se
cuida de conhecer a origem dos nomes de lugares e logradouros,
referências silenciosas de fatos e pessoas que, no bojo da História
oficial, podem não ter importância, mas são de grande significado
para a história local. E quanto a isso, Ouro Preto é o Brasil em
miniatura. Não há o mínimo cuidado com a manutenção da toponímia
surgida espontaneamente da boca do povo. Na sede municipal, muitas são
as denominações populares que não figuram em placas, porque algum
político quis homenagear medalhões e nem se deu ao trabalho de
consultar, previamente, a população interessada Quando não alterados
por lei graças ao oportunismo de vereadores desejosos de agradar a
"A" ou "B", os nomes de logradouros sofrem mudanças
devido à expansão urbana desordenada, provocada pela imigração. Os
que chegam não conhecem a história local e os locais não cuidam de
repassá-la aos novos moradores. Novas denominações surgem e apagam as
originais dignas de serem conservadas. O que se vê em Ouro Preto
repete-se nos distritos, de forma mais agressiva em Cachoeira do Campo,
onde a expansão urbana se procede desordenadamente com o beneplácito
de políticos ávidos por votos.
Nomes como Rua Fonte de Fora
(devido a uma fonte situada na rua, em contraposição a outra em
terreno particular), Rua do Rego (surgida às margens do rego de água
que abastecia o palácio dos governadores), Rua do Pastinho, Praça do
Bom Despacho e outros logradouros perderam nomes que a história local
lhes dera. Nada contra as pessoas homenageadas nessas trocas, mas seus
nomes poderiam ser aproveitados em logradouros ainda não batizados.
Cruz do Monge (ou dos Monges), onde se localiza o CAIC ainda corre
perigo de perder o nome em favor do grileiro urbano que, depois de
vender o último lote cercado, sumiu de Cachoeira do Campo;tudo porque
há um descaso geral, tanto da parte da população quanto da parte das
sucessivas administrações municipais. Alto do Beleza, denominação
primitiva dada ao ponto mais alto de Cachoeira do Campo, chama a
atenção por sua, à primeira vista, incorreção gramatical. Acontece
que a palavra Beleza neste caso não seria qualidade e sim o nome ou
apelido de um homem. Justiça-se então o "do Beleza" ao
contrário de "da Beleza". Mas, a administração municipal
teima em chamar o novo bairro de "Alto Beleza" ou "Alto
da Beleza", o que muda completamente o sentido do nome. Até há
pouco tempo aquele ponto estratégico era apenas mato e os cachoeirenses
sempre o conheceram como Alto do Beleza. Vamos respeitar as origens?