Muitos são os problemas
que afligem, atormentam o cidadão e retardam o desenvolvimento deste
país, mas à frente e como causa de todos está a carência de
educação, no sentido mais amplo possível, e seu conceito travestido
em simples posse do diploma. Para qualquer setor, não bem colocado
diante das necessidades coletivas e de situações que se queiram
resolvidas para o bem de todos, a educação é a chave indispensável.
Não há outro meio. O conhecimento, desde o elementar para o cidadão
mais simples até o domínio das ciências para os mais responsáveis, é
fator preponderante no desenvolvimento de qualquer povo.
Conceituado jornal mostrou
em sucessivas reportagens o quanto recebem agentes políticos
(prefeitos e vereadores) em vários pontos do estado, destacando o
alto valor dessas remunerações em comparação com a realidade vivida
pelos municípios, às vezes tão pobres que só a máquina
administrativa consome a única receita, a parcela provinda do Fundo
de Participação dos Municípios-FPM. Algumas cidades mais parecem
povoados com pouca ou nenhuma infraestrutura, como calçamento, redes
de água e de esgotos, e ainda dependentes de outras quanto a
serviços médicos, serviços bancários e transporte intermunicipal.
São cidades porque meia dúzia de espertos locais assim decidiu e
manipulou o povo no sentido dessa vaidade besta e cara. Para alguns
pobres coitados constitui orgulho ter o nome de sua terra estampada
nas placas dos poucos veículos ali emplacados! E pensar que o
conceito de cidade hoje se ampliou, aplicando-se a qualquer conjunto
urbano dotado do mínimo de infraestrutura!
A atual crise financeira
mostrou os ossos desses pequenos municípios, mas nem por isso
prefeitos e vereadores deixaram de roer o que ainda de carne lhes
restava.
Depois de saber que alguns
prefeitos chegam a ganhar até mais do que ganha o governador, o povo
toma conhecimento de que mais de cem milhões de reais, só nos
municípios mineiros da área da SUDENE, estão paralisados nos cofres
da Caixa Econômica Federal, porque as administrações municipais não
sabem lidar com a papelada exigida para a execução dos convênios.
Excesso de burocracia é o que argumenta o presidente da Associação
Mineira de Municípios-AMM, na defesa dessas prefeituras, o que não
deixa de ser verdade. Entretanto, o fator burocrático não
constituiria obstáculo, a ponto de barrar o desenvolvimento, se
essas prefeituras tivessem estrutura administrativa capacitada,
conhecedora dos artifícios impeditivos, porém legais, que burocratas
do topo da pirâmide impõem para filtrar os que podem e têm
competência, pelo menos teoricamente, para a aplicação dos recursos.
Em grande parte dos casos,
o prefeito é semialfabetizado, vereadores beiram o analfabetismo, e
a máquina administrativa é constituída por apadrinhados d’um e
d’outros do mesmo nível de conhecimento, mais interessados na
pecúnia que os cargos proporcionam. Minas tem oitocentos e cinqüenta
e três municípios e grande maioria deles está na mesma situação de
penúria, carente de infraestrutura e de serviços básicos ao cidadão,
mas se configura como boa fonte de renda para políticos aos quais
falta competência para administrar e vergonha para assumir que são
sanguessugas do povo; de um povo cada vez mais carente da educação
que lhe permita discernir o certo e o errado na administração
pública.
Quando se vê tantas obras
paralisadas, nem sempre lhes faltam recursos conforme, não raro, se
apregoa, pois a simples incompreensão de determinado documento ou a
falta de sua leitura por parte de alguém dito "responsável" pode ser
a causa da não execução de um melhoramento. Falta educação, educação
e educação! E é por isso que "tamo
na mão de calango"!