PONTO DE VISTA DO BATISTA

Pesquisa ou piada?

Haja tempo para ler e tomar conhecimento de novidades reveladas a cada dia pelos círculos científicos! E algumas notícias trazem números tão grandiosos, que assustam pelas dificuldades de se lidar com eles. Na área da astronomia, os exemplos se multiplicam por números difíceis de se imaginar. É o caso de estrelas, cujos núcleos em processo de resfriamento se transformam em gigantescos diamantes. Há duas semanas foi anunciada a descoberta de um desses diamantes cósmicos que, segundo estudos, chegaria a 10 quintilhões de quilates e teria um diâmetro de vários quilômetros. Fico a imaginar a cara frustrada do garimpeiro, aquele que procura o que não guardou, diante dessa revelação, sabendo-se da impossibilidade de algum dia ele por as mãos naquela preciosidade. As distâncias que nos separam dessas maravilhas do universo são algo à parte. Devido à enorme distância, muitas das estrelas hoje observadas, na verdade não existem há milhões de anos. O que vemos é apenas a luz, emitida quando ainda em atividade e que continua a viajar, a trezentos mil quilômetros por segundo, pelo espaço sideral. Quando nos chegarem os últimos raios dessa estrela é que teremos a impressão do seu desaparecimento. No campo da engenharia genética, a clonagem já virou assunto de rotina em conversas, mesmo que não se entenda bulhufas do que seja o novo método reprodutivo. E já se faz clone do clone. A vaquinha Vitória, espécime tupiniquim entre os clones, já tem descendente pelo mesmo processo.

Mas, não só novidades anunciam os círculos científicos, pois, de vez em quando, o óbvio ululante, conhecido e reconhecido pelo populacho, se faz ouvir como grande descoberta. Então tomamos consciência de que também lá, entre os ditos doutos, reinventa-se a roda e se faz pilhéria com o dinheiro destinado a pesquisas, embora poucos entre nós, os leigos, se atrevam a fazer qualquer questionamento. E a mídia ainda dirige alguns afagos à nova celebridade!

De Malawi vem a informação de que um cientista fez importante descoberta no que se refere à fome. A quem possa estar perdido geograficamente, esclarece-se que Malawi é um pequeno país do sudeste da África, apertado entre Zâmbia, Tanzânia e Moçambique. A grande descoberta, que mereceu destaque no noticiário da BBC, é que a comida tem gosto melhor quando se está com fome. Segundo a nota publicada no "site" da BBC, o pesquisador contou com a colaboração de dezesseis homens que, durante determinado período, deixaram de tomar o café da manhã para, assim, ser testada a sensibilidade de cada um. O cientista observou que os voluntários desenvolveram aumento da sensibilidade ao sal e ao açúcar, quando em estado de jejum.

Para se constatar isso não é preciso nenhuma pesquisa de laboratório. É só observar com que prazer um faminto devora qualquer alimento, seja lá em Malawi, aqui no Brasil e até no país mais rico. A comida não bem apreciada por quem se alimenta regularmente é muito mais saborosa àquele que come quando tem o que comer. Qualquer um sabe disso, especialmente se já passou relativo tempo sem alimentação, por circunstâncias adversas que não se relacionem com o estado de saúde. É nesses momentos que se dá valor a um simples prato de feijão com arroz, que nem precisa estar bem temperado de acordo com o nosso gosto.

A natureza é sábia na preservação da vida! E, se assim não fosse, muitas marmitas de trabalhadores de famílias mais humildes voltariam intocadas para casa!

nbatista@uai.com.br

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