PONTO DE VISTA DO BATISTA

Abaixo políticos sujos!

Até onde vai a capacidade de políticos enganarem o povo, desviar dinheiro público, agir em proveito próprio e desconsiderar, ao mesmo tempo, as necessidades coletivas? É a pergunta que se repete e resposta não se ouve, pois parece se alongar ao infinito o poder que têm os corruptos de se locupletar, sempre negando a culpa, só não vista por quem não quer. Tudo tem limites, mas a corrupção é como bolsa elástica. À medida que nela se lançam ações corruptas, ela se dilata e espaço se abre para acomodar mais corrupção.

Escândalos se sucedem no Congresso Nacional, recursos se perdem em todo o país por mãos inescrupulosas, agentes públicos da base política fazem dos cargos ocupados empregos bem remunerados, à revelia da realidade vivida pelas populações. Discursos se fazem pela moralização, mas os dedos que apontam também estão sujos! Entretanto, essa bolsa se dilata porque o povo quer, porque o povo não se organiza para impedir que o processo se perpetue, passando de pai para filho a herança maldita da política menor, dos conchavos de grupos, das obras que, pela fachada, iludem a grande maioria, mas dão bom retorno a uns poucos. Ao longo dos últimos anos, grande é o número de políticos envolvidos em algum tipo de corrupção e malversação do dinheiro público, mas, dificilmente sofrem penalidades, por uma série de razões, dentre elas a morosidade dos processos, artifícios legais que os protelam ainda mais, corporativismo e mais corrupção. É assim que vereadores, prefeitos, deputados e senadores, condenados em primeira instância, se mantêm na política, reelegendo-se ou se elegendo para outro cargo, enquanto existe instância superior à qual apelar.

Punição é só para a vovozinha, que tem por companhia o papagaio de estimação; tão estimado que tem até nome, em contrapartida a "espécime da ordem dos Psitaciformes, família Psittacidae", sua identificação no IBAMA. Pode ser também para quem furta pedaço de pão, na falta do prato de comida.

A ação popular, de iniciativa da Igreja Católica, visando impedir candidatura de pessoas já condenadas, em primeira instância, por qualquer crime cometido, merece aplausos e ter o maior número possível de assinaturas. Não se garante que isso seja aprovado ou, se aprovado, vá acabar com a corrupção, mas é o instrumento legal que o eleitorado não pode desprezar. Se o político pilantra nega, nega, nega e consegue ficar impune, o eleitorado pode bater, bater, bater e, em determinado momento, conseguir tirá-lo do caminho. Pela importância do movimento, é de se esperar que outras denominações religiosas adiram a ele, ou liberem seus congregados para a assinatura, deixando de lado, nem que seja por momento, o preconceito entre religiões.

A iniciativa encontrará resistência no corporativismo, muito forte entre políticos dentro do Congresso Nacional, tendo ainda pela frente a opinião contrária de juristas, cuja tese é de que ninguém pode ter cerceado o direito à candidatura a cargo político sob a presunção da culpabilidade por qualquer crime, antes que seja condenado em definitivo. "A presunção da inocência é um princípio constitucional. Só pode ser considerado criminoso um indivíduo que tiver sido condenado. E só é condenado quem teve suas possibilidades de recurso esgotadas", diz o advogado João Fernando Lopes de Carvalho, especialista em direito eleitoral e mestre em direito constitucional.

Entretanto, é bom observar que esse princípio, defendido pelo citado advogado só é observado entre políticos e figurões da vida pública, pois entre simples mortais, basta a suspeita para que as portas lhes sejam fechadas. O cidadão comum não consegue emprego se tem qualquer pendência na Justiça ou passagem na polícia por delito mais grave. Por que, então, eleger pessoas que respondem a processos, e ainda por delitos cometidos contra interesses públicos? Os cidadãos de bem precisam reagir contra esse tipo de coisa, e o momento é este: assinando, ao lado do número do título eleitoral, a lista de proponentes da ação popular. Tudo passa, tudo tem fim neste mundo. Está na hora de político sujo ser alijado da vida pública!

Parodiando o presidente da República quando ainda líder sindical: a luta continua, eleitor!

nbatista@uai.com.br

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