PONTO DE VISTA DO BATISTA

À beira do salve-se quem puder

Os últimos acontecimentos protagonizados pelo crime organizado, cujo cenário são as grandes cidades, denunciam o ponto a que chegou a fragilidade da divisória entre o estado do direito e a criminalidade, neste país, coisa que não tínhamos condições de imaginar há poucos anos. O avanço do crime se processa em ritmo, ousadia e crueldade assustadores, ao passo que do lado da lei só se ouvem sussurros medrosos, escrupulosos ao excesso com suspeitas de conivência, criando um clima de desconfiança na sociedade como um todo. As populações mais vulneráveis socialmente, onde se assentam os "executivos" do crime – porque os verdadeiros "donos" estão em mundo bem diverso, "mordomicamente" servidos – acabam passando para o lado contrário à lei, até por uma questão de sobrevivência.

Discriminadas e abandonadas pelo Estado, recebem dos criminosos a assistência de que carecem e, mesmo que isso não ocorresse, o medo de morrer já seria suficiente para o cidadão indefeso se submeter ao bandido morador da casa ao lado. A brandura das leis e a impunidade compensam os riscos sob a óptica dos que condicionam a vida ao ter e poder, mesmo que efêmeros. E se presos, agentes do crime contam com profissionais e organizações ditas de direitos humanos, que tudo fazem para defender o bandido, enquanto à vítima se lançam olhares de desdém, como se fosse a maior culpada pela vida criminosa de seu algoz. Atrás das grades, o criminoso é coitadinho a ser tratado com respeito, boa alimentação, direito a extravasar sua libido e, não raro, contando com mais facilidades para prosseguir na prática do crime. Nos presídios, o bandido tem mais segurança do que cá fora, para ditar ordens aos seus comandados e controlar organizações criminosas. E os que o defendem fora do âmbito jurídico nem se lembram do sofrimento de suas vítimas. O nível da criminalidade chegou ao ponto em que está, por falta de autoridade, cujos agentes preferiram discutir causas nos estudos sociológicos, quando os efeitos danosos já se multiplicavam progressivamente. Diante da invasão dos ratos, a ação dos donos da casa concentrou-se na identificação de procedência dos invasores, deixando de, ao mesmo tempo, liberar o gato para conter os causadores dos estragos. A permissividade, implícita na doutrinação ideológica com justificativas para a quebra de princípios básicos de sustentação da paz social, além de aumentar a agressão ao estado de direito, desestabiliza o princípio da autoridade imprescindível para a manutenção da ordem, sem a qual não existe a paz. Como conseqüência, temos então a subversão dos valores, visíveis nas ações ousadas dos criminosos com ataques a instituições públicas, controle das populações onde baseiam suas ações e domínio dos presidiários, quando eventualmente recolhidos pela Justiça.

O Estado brasileiro afrouxou-se no que lhe compete como fonte da legítima da autoridade e, agora, na tentativa de retomar a posição da qual não devia ter se afastado, agentes políticos digladiam-se publicamente, deixando à mostra vaidades pessoais apoiadas em questiúnculas ridículas diante da gravidade do quadro que se nos apresenta. Procedem como o indivíduo, debaixo da tempestade, que se incomoda com respingos barrentos causados pelo chapinhar de quem caminha ao lado. O momento é grave e não comporta discussões estéreis, mas exige decisões rápidas no sentido de se restabelecer o império da lei e o princípio da autoridade. Já passa da hora de o governo sair da posição defensiva e omissa, na qual se firmou diante da audácia dos criminosos.

Adequação urgente das leis aos novos tempos e iniciativa enérgica no combate ao crime organizado são imperiosas, antes que este último dê as mãos a algum movimento político radical, de orientação revolucionária, e incendeie de vez a nação. Só falta isso para que instaure no país o clima do salve-se quem puder!

nbatista@uai.com.br

TEXTOS                                                                             PRÓXIMO

 
 
 

             HOME            

lique aqui  para adquirircom foto de Ouro Preto

Adquira, leia, comente e divulgue o livro BANDA DE MÚSICA, a "Alma da Comunidade"    

Home***Quem somos*** cidade***Hotéis/pousadas***Distritos***Atualidades***Cultura***Notícias

Pau na moleira***Textos***Curiosidades***Manual de viagem***Links úteis***Pesquisa***Negócios***Fale conosco