PONTO DE VISTA DO BATISTA
Álcool, só no tanque do
carro!
"Falta de aviso não foi!
Avisei que se você não tomasse jeito, eu lhe daria castigo maior.
Você não quis ouvir e ainda zombou das minhas palavras. Tudo que eu
falo e faço é para o seu próprio bem, mas você pensa que é apenas
implicância. Espero que desta vez você aprenda, na marra!" Era mais
ou menos assim, que mãe à moda antiga apertava o cerco diante de
nossa teimosia na prática de algo danoso à nossa formação moral ou à
nossa integridade física. Primeiro ela conversava, lembrava-nos o
ensinamento repassado e nos admoestava quando desobedecida para, em
seguida passar às ameaças de punição maior. E o "castigo" vinha
mesmo, em dose que fazia pensar seriamente na tomada de outro rumo.
Não se teria chegado ao
extremo e tamanha gritaria não estaria a ocorrer, se tivessem sido
ouvidos os apelos do lado sóbrio e sensato da sociedade que, por
ouvir choro de famílias vitimadas por tragédias - tendo como causa o
uso de bebida alcoólica – advertiu,implorou, produziu e executou
campanhas, que se revelaram inócuas diante da irresponsabilidade de
não poucos. A dor pela perda de entes queridos em família e na
sociedade é insuperável e qualquer vida, culpada ou vítima inocente,
exaurida de forma brutal em acidentes de trânsito, vale mais que
quaisquer números que marcam positivamente a economia. Vencidos pela
ilusão que o álcool provoca, motoristas de todas as condições
sociais se julgam superiores ao seu poder nefasto ou imunes aos
efeitos de até determinado volume. Quantidade mínima não existe,
pois cada organismo reage de maneira diferente ao mesmo volume de
álcool, e o mesmo organismo, também, em ocasiões diversas por força
de circunstâncias do metabolismo. Necessário se tornou chegar ao
extremo da tolerância zero diante do consumo de bebida alcoólica, em
relação aos flagrados na condução de veículos automotores de
qualquer natureza, para que todos parem um pouco e pensem na
insensatez de conduzi-los depois de consumir álcool. Foi o lado
sensato da sociedade que assim o exigiu, cabendo ao governo o dever
de interpretar os justos anseios e determinar o rigor no controle
mediante lei.
Maquiavelicamente, chamam
o dispositivo legal de "lei seca", induzindo à falsa interpretação
de que está proibido beber ou vender bebida. Entretanto, a lei não
proíbe a venda (exceto na faixa de domínio das rodovias federais)
e/ou consumo, nem impede, na prática, que alguém alcoolizado assuma
a condução de veículo, mas prevê punição rigorosa aos que,
comprovadamente, tenham ingerido álcool antes ou durante o ato de
dirigir.
A crueldade está nas
conseqüências produzidas pelo ato de dirigir em estado de embriaguês
e não na lei que pretende reduzir, ao mínimo, as vítimas de
acidentes com aquela causa. Põe-se contra os sentimentos da
sociedade e de famílias, diretamente atingidas por tragédias
causadas por condutores alcoolizados, o setor de bares e
restaurantes que, desprezando os valores humanos, aponta danos
econômicos e pede afrouxamento ou revogação da lei. É como se,
descoberto e aplicado dispositivo que reduzisse as causas de
homicídio, o setor de armamento pedisse sua revogação para não
perder venda de armas! Sobram má vontade e insensibilidade contra os
objetivos da lei, e falta criatividade na adequação e redução dos
danos reclamados!
No outro extremo, peca
também contra a ética o setor de táxi, nos grandes centros, por
comemorar expansão do negócio e lucro; completa inversão de valores
em relação aos objetivos da nova lei, que é a redução do número de
vítimas em acidentes de trânsito, esta sim, vitória a ser comemorada
por toda a sociedade, se rigorosamente cumprida. E esperamos que
seja!