PONTO DE VISTA DO BATISTA

Anonimato, capa da covardia!

Não é a primeira vez que o tema é aqui abordado e, possivelmente, não será a última, pois se trata de característica humana, defeito de personalidade que, na interação com a imprensa, encontra pronta repulsa, uma vez que transparência é a chave entre a fonte e o ato de informar. Há pessoas que, a exemplo das que espalham intrigas e mexericos ao pé do ouvido, se comprazem em aturdir a coletividade mediante disseminação de denúncias e maledicências por meio de textos anônimos. E entre seus destinatários quase sempre está a redação de algum jornal.

Os meios de comunicação devem estar abertos às queixas, denúncias, reivindicações e necessidades de divulgação das realizações, desde, é claro, que de ética, boa vontade e lealdade se revistam as intenções da parte interessada. Quem denuncia ou reclama contra algo ou alguém não pode se esconder no anonimato, mas esta prática se confirma como o mais cômodo caminho, se aceito pelo jornal, por exemplo, para se descarregar toda carga negativa contra o alvo colocado em evidência. E por mais que se condene tal prática, ela continua a acontecer.

Das sombras, tais pessoas tentam se valer do jornal como pata do gato para retirar castanhas das brasas. São cartas preenchidas com ódio, desejos de vingança e sentimentos de inveja. Safra mais abundante deve vir por aí, tão logo se conheçam os candidatos às próximas eleições, porque não havendo argumentos para se promover ou destacar quem é de sua simpatia, aventureiros se valem desse recurso para espalhar veneno. Tais missivas, de cunho político ou não, nem merecem consideração, sendo o lixo seu destino certeiro. Do anonimato elas vêm e o mesmo curso seguem no meio da papelada imprestável! Para a coletividade, melhor o desconhecimento do suposto sinistro do que a dúvida maldosamente plantada, método que merece o repúdio de todo e qualquer jornal sério.

Outras pessoas mais ousadas, para não dizer caras-de-pau, se valem do telefone, pedem identificação de quem as atende, transmitem sua queixa ou denúncia, mas se negam a se identificar. Confundem direito do sigilo (não ter o nome revelado pelo jornal) com o direito de o jornal saber com quem está tratando. Se não querem se identificar perante o jornal que se calem e se recolham à sua insignificância. Queixem-se aos seus botões!

Para o jornal não há denúncia anônima, ou melhor, não há acatamento a tal tipo de denúncia. Mas, há o reverso da medalha. Contrapondo-se ao anonimato indesejável, existem as que gostam de aparecer, a qualquer custo, merecendo, pois o troféu da melancia pendurada ao pescoço. Se ele (ou ela) dá um pum diferente na praça, o jornal é convocado e quase intimado a registrar o fato, não faltando nem mesmo palpiteiros sobre a redação e formatação da notícia. E melindres se manifestam quando a nota tem de se adequar à forma jornalística e aos padrões do jornal, mas poucos se lembram de enviar à redação do mesmo o convite para o casamento ou para aquele importante evento de promoção pessoal, que querem divulgado depois.

Se as páginas do jornal servem para divulgar e promover, gratuitamente, pessoas que se querem em destaque, seus semelhantes a serviço do jornal merecem consideração. É questão de civilidade!

nbatista@uai.com.br

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