PONTO DE VISTA DO
BATISTA
Aposentados e
descartados
Agita-se mais uma vez
o meio previdenciário com a propalada reforma, desta vez, apontada para
o funcionalismo público, que se cria a salvo das mudanças desde a
rejeição da proposta durante o governo passado, esperando-se do
governo petista a consolidação daquela posição, a julgar pela
afinidade entre servidores públicos, sobretudo federais, e o partido
vitorioso nas últimas eleições. A legião de segurados do setor
público não contava com a mudança da cara do PT, depois de instalado
no lado de dentro do balcão. A gritaria promete. O mesmo PT – ou é
outro? – que promovia e coordenava greves durante o governo passado e
foi responsável pela paralisação da Previdência durante longos
meses, sem se importar com prejuízos causados a tantos contribuintes e
segurados, poderá enfrentar movimentos do mesmo gênero a partir de
agora.
Trabalhadores do
setor privado, que não conseguiram impedir a reforma proteladora da
aposentadoria de milhares e que manteve o achatamento dos chamados
"benefícios", esperam para ver como será tratada a questão
da previdência de primeira classe, que é a do funcionalismo público,
se comparada com a dos demais trabalhadores brasileiros contribuintes e
ex-contribuintes compulsórios da patifaria oficial. O funcionário
público, por muito pouco que ganhe, recebe na condição de aposentado
o mesmo que ganhava na ativa, mas o trabalhador da vala comum – com
exceção de alguns privilegiados - não vê, nem de longe, o que
recebia, e, desce a escada da renda mensal até alcançar o primeiro
degrau formado pelo mínimo que poucas empresas têm como piso salarial.
Além desse achatamento, nos últimos anos os trabalhadores perderam o
abono de permanência, o popular "pé na cova", pago a quem
atingia trinta anos de contribuição e optava por continuar na ativa
até aos trinta e cinco; e o aposentado que continua no trabalho perdeu
o pecúlio formado por suas contribuições, que eram devolvidas ao
final do contrato de trabalho. E vejam a ironia: o aposentado se vê
obrigado a trabalhar, pois o "benefício" não cobre suas
despesas normais, mas o INSS lhe cobra contribuição a fundo perdido.
Nada mais ele terá em troca por essa contribuição, que um dia já foi
devolvida como uma espécie de poupança. A contribuição
previdenciária dos aposentados, forçados a continuar na ativa, ajuda a
rechear o bolso de corruptos, pagar aposentadorias fraudulentas, ou de
quem mesmo merecendo amparo social, nunca contribuiu. No caso destes
últimos, o governo deixou de criar mecanismos que possibilitassem dar
amparo a essas pessoas. Para compensar a omissão, expropria quem
contribui.
Que se acautelem
trabalhadores da economia informal com relação à sereia da
Previdência, que ensaia cantilena para atraí-los ao sistema, pois
trabalhadores autônomos, devidamente matriculados, são considerados
contribuintes de segunda categoria. Se não quiserem lamentar mais
tarde, tais trabalhadores, querendo contribuir, não devem ir além do
equivalente ao salário mínimo. Contribuir além do salário mínimo
vigente é jogar dinheiro fora! É melhor que poupe a diferença e
adquira um bem durável, imóvel, por exemplo. Na outra ponta do sistema
previdenciário, a lista de devedores, anunciada e divulgada com
estardalhaço, é suspeita de estar recheada de dívidas contestadas,
coisa muito diferente do simples calote. É importante que se divulgue e
a sociedade tem o direito de saber quem são os devedores, entre os
quais está a própria máquina governamental, como prefeituras e
empresas estatais, por exemplo.Mas, o mais importante é que se cobre e
receba, de alguma forma, de todos, indistintamente. Os valores sonegados
aprofundam o fosso entre os que podem tudo e os que nada podem e nada
têm.