No dia vinte e cinco de março de 2011, às nove horas e trinta
minutos, no auditório localizado no Casarão Rocha Lagoa, prédio da
Secretaria Municipal de Patrimônio e Desenvolvimento Urbano– SMPDU,
à Rua Teixeira Amaral, nº. 50, Centro, Ouro Preto, realizou-se a
reunião, extraordinária, do COMPATRI, conjunta com o Conselho
Municipal de Política Urbana– COMPURB. Abrindo a reunião, os
Presidentes do COMPATRI e do COMPURB, Maria Cristina Cairo Silva e
Gabriel Simões Gobbi, respectivamente, deram as boas vindas aos
presentes: Erça Santana, membro suplente, representante da
Associação dos Cavaleiros Mestre Nico; Deusdedite Nepomuceno, membro
titular, representante da SMOOP; Eliana Souza, membro suplente,
representante da ONG Serra do Trovão; Maria do Carmo Pires, membro
titular, representante da AME; Maria Geralda Benedito, membro
titular, representante do IEPHA; Maria Cristina Simão, membro
titular, representante do IFMG; Flávio Andrade, membro titular do
COMPATRI e COMPURB, representante da FAMOP e CMOP, respectivamente;
Rafael Arrelaro, membro titular do COMPATRI e COMPURB, representante
do IPHAN; Sandra Fosque, membro suplente, representante da FAOP;
Guilherme Morais, membro suplente, representante da SEMMA; Armando
Wood, membro suplente do COMPATRI e COMPURB, representante da UFOP e
AMO-OP, respectivamente; Hermes José de Oliveira, tomando posse,
como membro suplente, representante da AGTOP. Contando também com a
presença dos demais membros do COMPURB, José Nazareth Barros, membro
suplente, representante da Associação Habitacional Instituída em
Ouro Preto; Richer Lucas, membro suplente, representante do CREA-MG;
Felipe Ramos Baptista, representante da SEMMA (e do CODEMA nesta
reunião); Jorge Adílio Penna, membro titular, representante da UFOP,
e Paola Dias, membro suplente, representante do IFMG; Sidney Araújo,
representante da FAMOP (sede) e Rosângela Ambrósio, membro suplente,
representante da ACEOP. Contando também com os membros da comunidade
de Cachoeira do Campo e ainda com os representantes da empresa Banco
de Investimentos Imobiliários– que adquiriram a área do Colégio Dom
Bosco, em Cachoeira do Campo, a diretora executiva, Sheila Viana
Cunha; o assessor de gestão, José Maria dos Mares Guia Neto; e com
os representantes da Inspetoria São João Bosco– Salesianos, Gianini
Simplício Burgarelli e Clausius Marra Guimarães. Gabriel se
apresentou como Secretário Municipal de Patrimônio e Desenvolvimento
Urbano e Presidente do COMPURB, conselho deliberativo, e informou
que esta reunião ordinária para o COMPURB e extraordinária para o
COMPATRI foi solicitada pelos conselheiros do COMPATRI em sua última
reunião ordinária, em 1º de março, com o objetivo de tomar
conhecimento da venda e do uso que os empreendedores pretendem dar
ao Colégio Salesiano Dom Bosco e para que não haja desinformação da
comunidade. Gabriel disse ainda que o presidente do Conselho
Municipal de Desenvolvimento Ambiental– CODEMA foi convidado a
participar da reunião, assim como os representantes do SEMAE para
tirar dúvidas sobre o abastecimento no local do empreendimento a ser
implantado. Maria Cristina Cairo Silva se apresentou como Assessora
Especial da SMPDU e Presidente do COMPATRI. Gabriel solicitou que
todos os presentes se apresentassem o que foi atendido.
Posteriormente, foi feita a leitura de parte da ata da sessão de
primeiro de março do COMPATRI, na qual os conselheiros solicitaram
esta reunião. Cristina destacou a importância da "Cadeira Dom
Pedro", tombada pelo Município, que estava no Colégio Dom Bosco.
Cristina informou que oficiou aos Salesianos que, de acordo com o
Artigo 15 da Lei Municipal Nº. 17/2002, "o bem tombado só poderá sai
r do Município se por curto prazo e com a finalidade de intercâmbio
cultural, sem transferência de domínio, a juízo do Município, ouvido
o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural e Natural
com o devido protocolo", portanto solicitou o imediato retorno da
cadeira, o que será feito em 28 de março, às 17 horas, no auditório
do Gabinete do Prefeito. Cristina colocou ainda que se preocupa com
o acervo existente no Colégio por tratarem-se de peças importantes,
partes de momentos históricos de Minas e do Brasil e ainda informou
que há suspeita de haver no local sítio arqueológico das trincheiras
da Guerra dos Emboabas. Posteriormente, mostrou os inventários aos
conselheiros e os colocou à disposição para quem quisesse
consultá-los. Gabriel sugeriu que primeiramente tomasse a palavra
Gianini Simplício Burgarelli, representante dos Salesianos, para
esclarecer sobre a venda do Colégio. Posteriormente, Sheila Viana
Cunha, representante da em presa BII, para esclarecer a pretensão de
projeto para a área do Dom Bosco. Gianini Simplício Burgarelli
justificou a ausência do inspetor Padre Nilson Faria dos Santos, e
iniciou sua fala explicando que o alto custo com a manutenção do
prédio do antigo Colégio, que comprometia os recursos das obras
sociais realizadas pela InspetoriaSão João Bosco, foi o principal
motivo do aluguel do mesmo e da venda da área. Ele ainda justificou
a retirada da "Cadeira Dom Pedro", colocando que precisava entregar
o espaço aos empreendedores e agora a cadeira ficará sob a guarda da
Prefeitura Municipal. Burgarelli informou ainda que será criado no
novo empreendimento um memorial do Colégio, onde peças e obras
importantes citadas pela presidente Maria Cristina Cairo Silva
ficarão expostas. Gianini declarou que, em sua opinião, o projeto
vai ser bom para os investidores, para os Salesianos que investirão
os recursos em obras sociais, e para a comunidade porque vai gerar
impostos para o Município, comércio e empregos. Gianini agradeceu e
colocou-se, em nome dos Salesianos, à disposição da comunidade.
Sheila Viana se apresentou como diretora executiva da BII e
arquiteta responsável técnica pelo projeto, colocou que a empresa
quer um bom relacionamento com a comunidade, e que a primeira
providência tomada pelos empreendedores foi reunirem-se com o
Prefeito e demais representantes da Prefeitura Municipal. Sheila
iniciou sua apresentação sobre a empresa e sobre a pretensão de
projeto para a área adquirida– de 500 ha (quinhentos hectares)–,
destacando que ainda não há um projeto definido, apenas um estudo
inicial. Sheila colocou que a intenção é que o prédio do antigo
Colégio seja um "Hotel Boutique" com gestão terceirizada por um
hoteleiro que ainda está sendo buscado. O empreendimento será rural,
preservando, assim, o seu entorno. Além disso, parte da área será
dividida em 100 chácaras cada uma com 30.000 m2 (trinta
mil metros quadrados) em condomínio fechado. Haverá, além de áreas
de esportes e convivência para os condôminos, uma escola de hipismo
e um centro equestre, valorizando a história do Colégio, que no
passado abrigou uma coudelaria, e ainda um centro infantil com uma
"fazendinha" e trilhas para caminhadas. Sheila destacou que a área é
muito importante porque possui muitas nascentes, por isso boa parte
da área verde será preservada, além disso, colocou que o projeto
contempla restauração do imponente prédio do antigo Colégio Dom
Bosco. Sheila informou ainda que a empresa está em fase de estudos
iniciais, e de licenciamentos, e que a obra será feita da melhor
maneira possível, sem impacto ambiental. Além disso, haverá aumento
do turismo e serão criados muitos empregos diretos e indiretos–
prevê-se 2000 (dois mil) empregos durante a execução e 1000 (mil)
após a implantação. Sheila agradeceu e colocou-se à disposição para
o diálogo com a comunidade. Gabriel esclareceu que o fato de o
imóvel estar no perímetro urbano não impede que o empreendimento
seja de característica rural. Gabriel destacou que o objetivo é
defender os interesses do Município, mas deixando claros os direitos
dos empreendedores. Gabriel colocou ainda que a informação que a
Prefeitura Municipal possui é que há alguns anos foi feita uma
doação pelo Estado aos Salesianos na qual é retirada a exigência de
que o prédio seja destinado a fins educacionais. Posteriormente,
Gabriel pediu que aqueles que tivessem perguntas a fazer se
inscrevessem. Richer Silvério pediu a palavra para perguntar se a
negociação da venda já havia sido concluída, onde exatamente está
localizada a cascata na área, e se a mesma será de uso público ou
privado. Sheila respondeu que a negociação já foi concluída com toda
documentação necessária e mostrou no mapa de apresentação onde está
localizada a cascata e que há intenção de qu e esta seja de uso
público, mas isso ainda não foi definido. Guilherme Moraes pediu a
palavra, justificou a ausência do Presidente do CODEMA, Ronald
Guerra, e colocou que discorda de Sheila quando a mesma afirma que
não haverá impacto ambiental com esse projeto porque sempre há
impactos, uma vez que vias serão abertas, parte da vegetação será
suprimida, haverá gastos de água e tratamento do esgoto, e perguntou
a Sheila se a empresa possui licenciamento ambiental. Sheila
respondeu que a BII está acionando a contratação de uma empresa
especialista na área ambiental para dar continuidade ao processo de
licenciamento e para realizar estudos sobre os impactos que
possivelmente serão gerados, além de um levantamento dos recursos
hídricos presentes na área. José Nazareth solicitou aos
empreendedores que a contratação dos trabalhadores para o
empreendimento seja feita através do SINE local. Sheila colocou que
é de praxe da empresa BII fazer acordos, geralmen te com a
Associação Comercial da cidade onde têm empreendimentos, para
contratação de pessoal local e treinamento do mesmo. O Secretário de
Agropecuária, Sebastião Evázio Bonifácio, lembrou que havia uma
negociação da Inspetoriacom a Universidade Federal de Ouro Preto–
UFOP, da área do empreendimento para fins educacionais. Sebastião
perguntou se os empreendedores têm conhecimento sobre uma área de
servidão do SEMAE no local e se a mesma será mantida. Sheila colocou
que a empresa que será contratada para fazer o processo de
licenciamento vai fazer relatório e se houver área de servidão vão
tomar conhecimento. Flávio Andrade colocou que acompanhou o processo
da transação feita pela Inspetoriae que a mesma o incomoda por se
tratar de um imóvel cedido pelo Governo do Estado aos Salesianos
para fins educacionais. Flávio continuou lembrando o trabalho em
educação realizado durante muitos anos no Colégio Dom Bosco e agora
o mesmo passou a ser hotel e passará a ser "Hotel Boutique". Flávio
justificou que isso o incomoda porque o local não será mais
destinado a fins educacionais, mas sim a fins lucrativos. Flávio
propôs que o uso do local seja revisto, que haja um empreendimento
imobiliário no entorno, mas que o prédio do antigo Colégio seja
cedido à UFOP para fins educacionais. Flávio concluiu sua fala
colocando que será agendada uma audiência pública em Cachoeira do
Campo, promovida pela Câmara Municipal, principalmente porque o
sentimento das pessoas de Cachoeira em relação à venda da área do
Colégio e ao empreendimento é muito negativo porque a população é
contrária à transação, por isso a audiência para que haja mais
informação, e pediu aos empreendedores um caminho intermediário para
atender a todos. Gianini colocou que não houve, por parte da
Prefeitura Municipal ou da UFOP, uma proposta formal de compra do
imóvel ao Conselho dos Salesianos. Sheila colocou que não há como
excluir o hotel do empreendimento porque são usos complementares e
uma instituição de ensino rodeada por um condomínio não seriam usos
compatíveis. Guilherme Nojan, membro do Núcleo de Colaboração
Solidária, colocou que podem ser utilizados para esse empreendimento
material obtido no próprio local, e perguntou qual a metodologia que
será utilizada no projeto e se os empreendedores conhecem
bioconstrução, se há interesse em fazer isso. Guilherme colocou que
existem outras possibilidades de empreendimento, que não um "Hotel
Boutique", para se adequar melhor à realidade do local. Guilherme
perguntou ainda qual o tipo de saneamento que será feito, se haverá
ETE no local, e se haverá interação entre os moradores do condomínio
e a população local. Sheila respondeu que o projeto não foi
contratado ainda há apenas um pré-projeto com pretensões para o
empreendimento por isso não sabe responder quanto à bioconstrução,
mas há intenção de fazer no local uma horta orgânica, utilizar na
obra madeira de reflorestamento e fazer coleta seletiva de resíduos.
Jorge Adílio colocou que não é contra o empreendimento, desde que
bem implantado, com todos os licenciamentos e lembrou que quando o
projeto estiver pronto e for enviado à Secretaria Municipal de
Patrimônio e Desenvolvimento Urbano, a análise do Estudo de Impacto
de Vizinhança será encaminhada ao COMPURB para deliberação. Hermes
perguntou a Gianini por qual valor a área do Colégio foi vendida e
quanto desse valor os Salesianos vão aplicar na comunidade. Gianini
respondeu que a ética não o permite divulgar valores, mas que os
Salesianos investem atualmente em projetos sociais para 21.000
(vinte e um mil) jovens e adolescentes, sendo R$650.000,00
(seiscentos e cinquenta mil reais) por ano na comunidade de
Cachoeira do Campo, e convidou todos a conhecerem os projetos
sociais dos Salesianos no distrito. Rodolfo Kocppel, da comunidade
de Glaura, colocou que o projeto proposto, ao contrário do ditado
"Por fora bela viola, por dentro pão bolorento", vai ser pão
bolorento por fora e bela viola por dentro. Perguntou por quantos
anos o prédio do antigo Colégio será alugado e disse ainda que, em
sua opinião, assim como foi feito com o empreendimento imobiliário
que pretende-se implantar em Glaura, deve ser apresentado um estudo
de impacto no tráfego da região. Gianini respondeu que no contrato
constam cinco anos de aluguel, renováveis por mais cinco e, após
vencimento, mais cinco. Luciano, representante do SEMAE, disse que
no que se refere à captação, o SEMAE já está no limite. Rafael
Arrelaro lembrou que, além do licenciamento ambiental, os
empreendedores devem se reportar ao IPHAN porque no local existem
vestígios arqueológicos e bens a serem inventariados e isso deve
contar nos estudos que serão feitos, além disso, por se tratar de
parcelamento do solo, deve estar de acordo coma Lei 6766. Rafael
pergunto u a Gianini qual a origem da propriedade do imóvel em
questão, ou seja, quem era o proprietário anteriormente à doação aos
Salesianos. Rafael perguntou a Sheila se o imóvel não teria mais
"vocação" para uso educacional e, por fim, perguntou a Gabriel Gobbi
se o zoneamento da área do antigo Colégio Dom Bosco será modificado
pela Prefeitura Municipal, uma vez que o zoneamento atual é Zona de
Desenvolvimento Educacional– ZDE. Gianini respondeu que
anteriormente a área pertencia à Coroa Portuguesa, posteriormente
passou a ser propriedade do Estado e foi doado aos Salesianos.
Sheila respondeu colocando que o uso do condomínio não condiz com
uma instituição educacional no local e haveria um impacto maior na
região. Quanto à terceira pergunta, Gabriel solicitou que ele
respondesse após todos os conselheiros inscritos terem feito suas
perguntas. Cristina Cairo perguntou a Sheila quem são os
empreendedores. Sheila listou os empreendedores: Araújo Fonte s,
Alicerce Empreendimentos, Fernando Oliveira, José dos Mares Guia e
Marco Cançado. Cristina Cairo colocou que os empreendedores, assim
como em outros empreendimentos imobiliários que já passaram pelo
COMPATRI, que eles deverão apresentar um estudo detalhado
sócio-econômico e de tráfego na região. Cristina complementou
dizendo que o empreendedor é bem vindo, mas o impacto causado na
região é grande, e ainda, há outras edificações no local, além do
casarão do colégio, que deverão sofrer restauro. Cristina ainda
questionou que já estão ocorrendo obras internas no colégio o que
Sheila respondeu que não. Sheila colocou que o objetivo é valorizar
o que já existe no local e que os estudos citados já estão previstos
e serão apresentados. Cristina Simão pediu a palavra para comentar
que, como arquiteta, considera que, em uma área tão grande como a
que os empreendedores adquiriram, ter uma instituição educacional é
possível, e não ficaria tão amarrada" ao condomínio, como o que foi
colocado e nem causaria tantos impactos. Cristina Simão disse ainda
que o fato de ser um condomínio fechado a incomodou porque trata-se
de um elemento urbano excludente, que pode dar à comunidade
cachoeirense a sensação de estar à parte, ou seja, a cidade perde
essa área, o que não traz benefícios. Cristina Simão concluiu seu
comentário colocando para Sheila que isso pode ser repensado por ela
como arquiteta e cidadã. Posteriormente Cristina Simão perguntou
onde ficará o Centro Cultural com o memorial; e o que é um "Hotel
Boutique". Gianini respondeu que no contrato de aluguel do casarão
do antigo Colégio Dom Bosco está previsto um espaço onde ficarão
expostas algumas obras. Sheila respondeu que um "Hotel Boutique" é
um empreendimento de hotelaria que mantém os elementos já existentes
no imóvel com recursos como o restauro. Maria do Carmo Pires se
apresentou novamente como conselheira representante da Associação
dos Amigos de Cachoeira do Campo– AMIC e colocou que a população de
Cachoeira do Campo não sabe o que está acontecendo e se sente
excluída. Maria do Carmo disse ainda que, como historiadora, pode
afirmar que todo o entorno do Colégio Dom Bosco é historicamente
importante, além da preocupação com o meio ambiente e o acesso da
população à cascata que há no local; colocou que não entendeu por
que uma instituição de ensino não poderia estar no local e que o
impacto seria maior, e que o mesmo poderia abrigar o curso de
ciências agrárias, por exemplo. Maria do Carmo perguntou a Sheila se
a população vai ter acesso ao casarão do antigo colégio, porque ela,
por exemplo, como professora da UFOP, sempre levou os alunos ao
local. Maria do Carmo perguntou ainda se vão ter que fazer, além do
restauro, uma reforma para abrigar o hotel. Sheila colocou que vão
ter um parceiro especialista em hotelaria, e o prédio vai passar por
reformas internas, mas a fachada será mantida, sempre valorizando a
história do local e o meio ambiente. Quanto ao acesso, Sheila
colocou que o prédio terá um acesso comercial, como qualquer outro
hotel. Armando Wood colocou que as questões quanto ao patrimônio
cultural ou natural são muito complexas, e esta é uma primeira
conversa a respeito do empreendimento. Armando perguntou onde estão
no local as áreas de recarga das nascentes, porque há muitas
nascentes presentes, mata atlântica, além da história do lugar.
Armando colocou que "Hotel Boutique" é muito elitista e isso causa
uma separação que não condiz com o interesse da população. Sheila
respondeu quanto às áreas de recarga das nascentes que os estudos
previstos apontarão a localização. Sérgio Lellis pediu a palavra
para colocar que os empreendedores têm seus direitos legítimos a
partir do momento que adquiriram a área, porém citou cidades como
Tiradentes e Parati que também fizeram empreendimentos elit istas
como este e não foi positivo. Flávio Andrade pediu a palavra para
fazer a leitura do documento de sessão de posse do Governo do Estado
aos Salesianos. Flávio colocou que discorda de Sheila que uma
instituição de ensino teria mais impacto que um hotel, colocou ainda
que o fato de os Salesianos alegarem que não receberam proposta
formal da Prefeitura Municipal ou da UFOP não tem fundamento e que a
questão da ZDE tem que ser esclarecida. Flávio informou que ainda em
2009 foi entregue aos Salesianos ofício assinado pelo Prefeito de
Ouro Preto, pelo Presidente da Câmara Municipal e pela FAMOP
propondo a implantação da UFOP no Dom Bosco. Flávio concluiu sua
fala declarando que é contra o empreendimento e que "a Inspetoria
não tem o direito de fazer o antigo Colégio Dom Bosco virar ‘Hotel
Boutique’". Gabriel colocou que, em nome do Município, como
Secretário Municipal de Patrimônio e Desenvolvimento Urbano, o que
tem regido a SMPDU é que o intere sse particular seja respeitado
desde que não entre em conflito com o interesse público. Gabriel
disse que a Lei 6766 não se aplica neste caso porque a mesma
refere-se a parcelamento do solo, e não cabe a empreendimento rural,
mas isso ainda será colocado formalmente aos empreendedores quando
eles derem entrada com o projeto na SMPDU. Quanto à ZDE, Gabriel
colocou que os interesses são sobrepostos, ou seja, a intenção do
Município é que haja um planejamento quanto ao uso e ocupação do
solo, mas não se pode obrigar que toda a zona seja destinada ao
desenvolvimento educacional, a não ser que haja desapropriação, e o
uso comercial e residencial previsto não é conflitante com a lei.
Gabriel concluiu colocando que o processo está apenas iniciando, que
a interlocução com os empreendedores é positiva, a intenção é que
todos ganhem, sem a sensação de perda que há em Cachoeira hoje. Nada
mais havendo a tratar, os Presidentes Gabriel e Cristina Cairo
agrade ceram a presença de todos, e colocaram que aguardam o projeto
e os estudos solicitados e encerraram a reunião, sendo os trabalhos
registrados nesta ata que será assinada por mim, Greiza Tavares,
designada para secretariar a reunião, e pelos demais conselheiros.
Ouro Preto, 25 de março de 2011.
Maria Cristina
Cairo Silva
Deusdedite Nepomuceno
Eliana Souza
Erça Santana
Flávio Andrade
Greiza R. Tavares dos Santos
Guilherme Morais
Hermes José de Oliveira
Maria Cristina Simão
Maria Geralda Benedito
Rafael Arrelaro
Sandra Fosque