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PONTO DE
VISTA DO BATISTA
Babel global
Bem informar e
formar a opinião pública constituem a principal função dos meios de
comunicação, cuidando sempre de não interferir na liberdade, que
cada cidadão e o público em geral têm de julgar os fatos com base em
quantas versões se apresentem. Cabe à televisão, por seu poder de
impacto e abrangência, maior grau de responsabilidade; ou seja, sua
responsabilidade é diretamente proporcional à sua capacidade de
atingir o público, vindo, em seguida, o rádio e a imprensa escrita.
Quanto à internet, por sua abertura indiscriminada, de conteúdo
dificilmente controlável, cabe ao internauta saber o que é
aceitável, fidedigno, dentro do emaranhado de informações não
filtradas de fontes diversas, nem sempre confiáveis. Presume-se que
o internauta esteja consciente disso e não se deixe levar pela
primeira palavra a respeito de qualquer assunto, cuidando de se
informar sobre o autor ou fonte, antes de formar sua própria
opinião, lembrando-se também que textos publicados na rede mundial
de computadores nem sempre são modelos a serem seguidos, no emprego
do vernáculo; muitos e graves erros comprometem a correição que se
espera, especialmente, para destinatários da faixa infanto-juvenil.
Cabe então aos
demais setores da comunicação o dever de fazer bom uso do idioma,
preservando-o em suas características. Paradoxalmente, é na
televisão que se cometem os maiores erros, mediante emprego de
palavras anômalas no bom vernáculo e expressões conflitantes com a
gramática, sobretudo em diálogos das novelas. Como palavra anômala
dentro da Língua Portuguesa, no Brasil, muito mais em Portugal e
demais países da comunidade lusófona, exemplo flagrante é RÉCORDE.
Contrariando o costume de não identificar o criticado, preferindo a
crítica solta para não ferir suscetibilidades, aponto a Rede Globo
como usuária e disseminadora do equívoco, de forma sistemática e
contínua. Faço-o, para que fique bem claro e não se levantem
suspeitas sobre outras emissoras, onde pode ocorrer o mesmo erro,
mas eventualmente, isoladamente, por parte de profissional, e não de
forma sistemática por toda a equipe. A palavra RECORDE - com
acentuação tônica na sílaba COR, não em RE, dito por comentaristas e
repórteres globais - é, originalmente, ligada a esportes,
significando a última marca alcançada em feitos e competições, do
mesmo gênero e sob as mesmas condições. O mesmo conceito se estende
à superação de marcas em conquistas de outros gêneros.
A palavra
RÉCORDE simplesmente não existe na Língua Portuguesa! Mas, o pessoal
da Globo a diz como se marca registrada fosse do seu falar, levando
confusão linguística à população, já prejudicada por educação
deficiente! Não se entende tal teimosia quando se compara a fala com
a escrita que, incoerentemente, se mostra correta no "site" da mesma
emissora. No
www.redeglobo.com.br,
a palavra RECORDE se repete, corretamente, em todos os textos onde
cabe seu emprego, sem que uma vez sequer contenha acentuação
gráfica, obrigatória em palavras proparoxítonas. A bem da verdade, o
dicionário Houaiss eletrônico tem a seguinte observação ao pé da
página do verbete:
pelo menos no Brasil, ocorre
tb. como palavra proparoxítona: récorde.
Mas,
esse uso é informal, próprio do vulgo, pessoas incultas, assim como
acontece com muitos outros vocábulos, variantes anômalas de
registros em dicionários da Língua Portuguesa. Entre essas palavras
pronunciadas de forma equivocada cite-se RUBRICA, palavra paroxítona
que, na expressão de muitos, se apresenta erroneamente
proparoxítona: RÚBRICA. RUBRICA é a assinatura abreviada, geralmente
reduzida às iniciais. Também a significar assinatura existe a
palavra JAMEGÃO que muita gente pronuncia erradamente CHAMEGÃO.
Admitindo-se
erros eventuais, que são naturais e humanos, anomalias como essas
deveriam estar fora do vocabulário dos veículos de comunicação, mas
justamente a Globo, que se julga modelo de televisão, insiste com o
esdrúxulo RÉCORDE! Arre!
nbatista@uai.com.br
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