O bambá-de-couve é nosso!
Em outras oportunidades,
já se disse neste espaço que os meios de comunicação constituem o
forte da disseminação do conhecimento, mas há que ter cuidados ao
ver, ler e ouvir, pois nem tudo é conforme se apregoa, desde a
simples receita de cozinha até os fatos políticos e negócios de
estado. Afora interesses confessáveis e inconfessáveis quando o
objeto da informação envolve grupos, desleixo e, paradoxalmente,
desinformação fazem o restante do estrago.
Enquanto a internet não
atinge níveis de veículo de massa, cabe à televisão o papel de levar
ao público maior volume de informação, cuja qualidade nem sempre
questionamos até que ela (a televisão) cai em nosso terreiro, bole
com o que é nosso, pisa em nosso calo. Só aí se percebe quanto de
informação equivocada é assimilada, pois se temos motivos para
contestar o que dizem de nós, outros e outros também podem estar no
mesmo barco. E se não contestado o dito, prevalece o distorcido,
consumando-se então, em detrimento da verdade, a aceitação da versão
de estúdio.
Foi em novela global, do
gênero cama e mesa (metade das cenas na cama e outra metade à mesa),
que pude, mais uma vez, constatar a enganação espalhada aos quatro
ventos. Tratava-se do preparo de prato expoente da cultura culinária
ouropretana, razão pela qual chamou minha atenção. Diante do fogão,
panelas e outros apetrechos específicos, o personagem explicou que
estava a preparar "bambá-de-couve". Minha decepção, manifestada ao
ver míseros pedaços de lingüicinha fajuta a fritar, transformou-se
em indignação quando o cozinheiro improvisado adicionou couve
picada, um ovo e o mingau de fubá.
Que se desse qualquer
outro nome àquela coisa, mas nunca "bambá-de-couve", cuja receita,
muito mais rica, teve origem em Ouro Preto. Além da lingüiça, da
melhor qualidade, o prato requer costelinha, toucinho magro
(defumado ou não), tudo previamente bem frito, podendo-se ou não
adicionar o ovo ao mingau. E... oh! santa ignorância! a couve tem de
ser RASGADA. Couve picada no "bambá" é o sacrilégio dos sacrilégios!
Nascido na senzala, como
muitos outros itens da culinária brasileira, em Ouro Preto o prato
ganhou o nome "bambá-de-couve", enriqueceu-se com carnes e caiu no
gosto do mineiro. Há não muitos anos, só no distrito sede, a cidade
de Ouro Preto, o prato era conhecido por esse nome; nos demais
distritos, chamavam-no "mingau-de-couve". Posteriormente, com a
maior divulgação das coisas de Ouro Preto, a receita do "bambá-de-couve"
transpôs fronteiras, chegando até a cozinha do Palácio de