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ENCONTRO DE BANDAS DE MÚSICA EM
MANHUMIRIM-MG |
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Dezoito bandas de música, de Minas e do Espírito
Santo,encontraram-se na cidade da Manhumirim-MG, dia 31 de
julho/2005. Às 6 horas, momentos antes do nascer do sol , as
bandas começaram a chegar. E as primeiras delas foram as de
Cachoeira do Campo/Ouro Preto-MG: Banda Euterpe Cachoeirense
e Sociedade Musical União Social, seguidas da Sociedade
Musical Santa Cecília, de Rodrigo Silva/Ouro Preto. Algumas
bastante numerosas, outras pequenas, porém todas de boa
qualidade, bem equilibradas. E mais uma vez se confirmou a
presença marcante da juventude, pois todas elas tem suas
fileiras formadas por maioria de jovens, alguns ainda na
faixa infantil. Pena que muitos dos companheiros músicos não
mais estejam entre os vivos, para se penitenciar da,
felizmente, falsa profecia "as bandas de música vão
acabar", e do julgamento que dizia: "a juventude não
quer nada com o aprendizado de música".
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A
Banda Euterpe Cachoeirense abriu as apresentações no
Encontro |
Durante muito tempo, grande vazio se deu
dentro das bandas de música com a ausência do elemento
jovem, atraído por outros entretenimentos e
modismos com que ocupar o tempo ocioso. Em tempos
remotos, o jovem chegava à banda espontaneamente,
sequioso do aprendizado musical, mas com o aparecimento
de tantas opções, ela ficou um tanto esquecida,
mais por comodismo dos seus responsáveis do que
propriamente pelo descaso do jovem. Se antes, bastava
esperar, agora, é preciso correr atrás. E os dirigentes
de bandas, finalmente, aprenderam. Também no setor
público já correm atrás do tempo tempo perdido. Em Manhumirim, o primeiro passo da corrida foi dado pela
Prefeitura Municipal, por iniciativa do prefeito Ronaldo
Lopes Correa, padre católico daqueles que, naturalmente,
vêem nas bandas de música muito mais que grupos de
instrumentistas, tradicionais prestadores de serviços às
paróquias em seus eventos religiosos. O prefeito
trabalha para que a cidade volte a ter banda de música,
e, por isso, promoveu o I Encontro de Bandas de Música
de Manhumirim.
A cidade já teve banda de música
Em contato com residente local, este nos
informou que Manhumirim já teve duas bandas de música.
Mas, questões políticas determinaram o encerramento das
atividades de ambas. Se verdadeira a informação, é forte
motivo para que as gestões
encaminhem a criação da banda como entidade de
direito privado. Se vinculada à administração municipal,
correrá o risco de ser extinta por prefeito que não
goste de banda ou contrário às diretrizes do atual.
Bandas participantes venceram grandes distâncias
Depois de longas viagens, pois
houve corporação que rodou cerca de 400 quilômetros,
foram recebidas com café da manhã bem reforçado,
chocolate quentinho, sucos, etc. No palanque das
apresentações, cadeiras suficientes e dispostas de forma
que duas bandas pudessem se posicionar simultaneamente,
uma a tocar e outra a se preparar. E cada banda de
música executou 3 números de sua livre escolha. O
almoço, preparado com carinho e servido em ambiente
agradável junto ao local do evento, transcorreu também
sem atropelos, enquanto se desenrolavam as apresentações
das participantes.
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Sociedade
Musical União Social, também de Cachoeira do Campo/Ouro
Preto, apresentou-se entre as primeiras de acordo com a
distância entre Manhumirim e a localidade de origem da
participante.
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| Bandão, a nota desafinada do Encontro |
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O
Encontro de Manhumirim foi muito bom, mas teria sido melhor
se os organizadores do evento tivessem esquecido o
famigerado "bandão", criação das mais infelizes quando
tiveram início os encontros de bandas de música no Brasil.
Em Manhumirim, o "bandão" foi, de maneira especial, o caos
musical! Conseguiu superar, em pontos negativos, todos os
eventos do gênero.Tão boas bandas de música se somaram para
realizar o desastre! Lamentável! Quem viu a "coisa" deve ter
se decepcionado e desistido de ir ao local das apresentações
que, por sinal, tinha pouco público, pelo menos ao se
apresentarem as primeiras oito bandas. Uma das razões era a
realização de evento religioso na igreja-matriz, no mesmo
horário. Não houve oportunidade do desfile individual, único
momento em que as participantes poderiam ter executado o
gênero característico, constituído por dobrados e marchas
militares, uma vez que as apresentações estacionárias são,
atualmente, marcadas por arranjos da música popular.
Dobrados tradicionais como "Batista de Melo", "Capitão
Caçula", "220" (Avante Camaradas), passíveis de boa execução
individualmente, foram "assassinados" pela massa
disforme antes do aniquilamento do "Hino Nacional
Brasileiro", à frente do palanque ao se hastearem as
bandeiras. Organizadores de encontros de bandas de música
têm que ter em mente que, por muito bem organizado que seja
o tal "bandão", não há como produzir boa música com ele.
Cada banda tem seu estilo, andamento, arranjos especiais em
muitas peças. Até mesmo a afinação pode variar, em função da
qualidade do instrumental. Da soma dessa heterogeneidade não
se obtém o que produz a banda de música. Além das diferenças
enumeradas, há que considerar o respeito devido ao
trabalho dos mestres e regentes, assim como dos
instrumentistas, devotados ao aperfeiçoamento durante
ensaios e estudos individuais do repertório. Tanto esforço
não pode ser desperdiçado em sons anárquicos.
Gororoba ou mexidão
Pecado, arrependimento e absolvição
Usemos a analogia
para exemplificar o que é o "bandão". Suponha-se um concurso
na área da culinária, do qual participem dez especialistas
do setor. A eles cabe preparar um prato de arroz, cada qual
com sua receita. São dez pratos de arroz, porém
diferenciados pela forma de preparar, temperar e até de
apresentar. Para apreciar o sabor de todos, há que degustar
bocado de cada, separadamente. Se misturados os dez, o sabor
será de apenas gororoba ou mexidão, e terá sido desperdiçada
toda a arte dos especialistas no preparo do arroz. "Bandão"
é a mesma coisa na área da música. E não é com esse exemplo
de realização musical que o prefeito Ronaldo Lopes Correa
conseguirá atrair integrantes para formar a banda de música
de Manhumirim. Como padre que é, deve arrepender-se
sinceramente, antes de se penitenciar do grave
"pecado" cometido, para merecer a absolvição de todas as
bandas de música.

O prefeito de Manhumirim, padre Ronaldo Lopes Correa
almoçou com as bandas.
. Os músicos abominam o
bandão, assim como dirigentes, mas o constrangimento os
impede de contrariar as autoridades municipais, quase sempre
as organizadoras dos encontros de bandas.
E a democracia, como fica?
Poucos dias após o Encontro de Manhumirim, a
mesma coordenadora, Niza Drumond, já anunciava outro
encontro, desta vez na cidade de Fervedouro, mesma região. E
em resposta a críticas recebidas sobre o famigerado "bandão"
diz ela em manifesto a regentes e instrumentistas: "Quero
manifestar a vocês o pedido de compreensão em relação ao
Bandão. Sei que a maioria não o aprovam (sic),devido cada
banda ter seu próprio estilo, andamento e arranjos, mas o
Bandão encanta e comove muito. As pessoas dizem nunca ter
visto coisa tão linda. Eu também me emociono sem me
preocupar sequer com a afinação que pode apresentar as suas
diferenças". Agredindo a gramática, ela própria
reconhece que a maioria nas bandas não aprova o "bandão",
mas impõe sua opinião calcada em gosto duvidoso do povo,
tristemente intoxicado com o medíocre, vulgar e
anti-cultural. Banda de música é escola e, como tal, deve
reagir, não mais aceitando imposições. Como escola, é seu
dever também educar o gosto musical do povo, agredido
culturalmente com tanta porcaria, produzida alhures com o
único propósito de amealhar dinheiro. Mas a batalha pelo
merecido lugar reservado à banda de música ainda vai longe.
Basta observar o comportamento da
mídia em relação a ela,
especialmente nos locais onde ela atua
Prefeitura de Ouro Preto patrocinou transporte
Depois de longo jejum imposto às bandas de
música do município pelas duas administrações anteriores, a
Prefeitura Municipal de Ouro Preto forneceu o transporte
para as três participantes do Encontro realizado em
Manhumirim. Mesmo assim, temia-se que à última hora alguma
falha houvesse. E havia razão para esse temor. No domingo
anterior, 24 de julho, músicos da S.M. Santa Cecília, de
Rodrigo Silva, sacrificaram algumas horas de sono em vão.
Eles se reuniram às 5 horas para cumprir compromisso em
Sabará-MG, mas o ônibus prometido pela administração
municipal não apareceu. O responsável pelo contrato do
transporte se esqueceu de providenciá-lo.
Mais fotos do evento
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Dois flagrantes
do
"bandão" ao se aproximar do palanque de apresentação
no Enc ontro
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Flagrantes diversos da concentração das bandas no
local de recepção, café da manhã e almoço |
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