PONTO DE VISTA DO BATISTA

Barulho acusador cede tempo ao silêncio que compromete

Tal qual fogueira que se acende, faz fumaça, tremula nas primeiras labaredas, cresce até atingir o máximo de sua pujança e depois decresce paulatinamente, as várias CPIs que investigam o escândalo nos Correios, bingos, "mensalão" e derivados perdem ímpeto na mídia, não mais despertando tanta atenção a ponto de teatrais depoimentos e entrevistas baterem o ibope de tradicionais programas televisivos.

Número mais expressivo de políticos chegou a subir no telhado e, em contrapartida, forno esteve acesso e pizzaiolo a postos para comemorar a salvação de todos. Quis a prudência e bom senso, de vez em quando instalados no Congresso, mais por conveniências pessoais, às vezes inconfessáveis, que um caminho no meio fosse encontrado e por ele fossem encaminhados alguns parlamentares ao processo de cassação de seus mandatos. Muito blá-blá-blá e tró-ló-ló em torno do dinheiro em malas e cuecas, impostos pagos que deveriam retornar ao povo em forma de melhores condições de vida, transformado em quinhões da sem-vergonhice política, rigorosamente pagos em "suaves prestações mensais"! Se diretamente dos cofres públicos o dinheiro não veio, resta saber qual sua origem e como seria compensado, aí sim, descontado agiotamente de obras que impostos devem produzir. Tanto barulho para tão pouco resultado na ala dos corruptos e nenhum na dos corruptores! E no próximo ano, quase as mesmas figuras estarão, impudicamente, a disputar votos nas urnas.

Por coincidência, ou estrategicamente aproveitado como arma no contra-ataque pelo governo em baixa, trancafia-se ex-prefeito de São Paulo, notório pelo número de acusações que contra si carrega desde seu ingresso na vida pública. Paralelamente à sua empáfia e demagogia, histórias explicam o porquê do gosto e preferência do ex-prefeito por obras faraônicas. Mais chamativas aos olhos do povo não acostumado à análise dos fatos, e mais afeitas ao superfaturamento, seriam também a principal fonte de recursos com que abastecer contas em dólares no exterior. De dúzia, a falta de uma maçã salta aos olhos, mas quem percebe a falta de uma em cada caixa ao fim do dia? E até provar se faltantes desde o início, perdidas, eventualmente comidas, desviadas, surrupiadas por terceiros, elas já viraram ouro longe dos olhos de quem acusa. Tão acostumado com o jogo das palavras na tapeação do público aplaudidor, como no arrazoado fajuto em resposta aos que o acusam, o ex-prefeito só repete que é inocente e chega a comover quem o sabe culpado, mas também sabe que a turma do mensalão não chegará a se emparelhar com ele em situação. Triste ironia, a sorte daquele político paulistano, tão poderoso e a servir de distração enquanto se tenta livrar quem não foi tanto esperto quanto ele na "arte" de engrupir e afanar! E paga seus pecados a comer da mesma comida que um dia disse ser da melhor qualidade!

Enquanto Brasília cuidava de baixar as labaredas do mensalão e o ex-prefeito pedia misericórdia para seu aparelho digestivo acostumado a finas iguarias importadas, soou estranha a observação "até no futebol há corrupção" diante do escândalo provocado por um juiz do gramado. Esse "até", colocado na expressão, faz supor que o setor futebolístico fosse limpo e infenso às misérias humanas quando, na verdade, é campo minado, para quem pensa ali encontrar somente diversão e esporte, conforme sonhavam os puros de outrora. Para desgraça coletiva, política partidária e indústria do futebol andam de braços dados no mesmo lamaçal!

nbatista@uai.com.br

TEXTOS                                                                                        PRÓXIMO

 
 

             HOME            

lique aqui  para adquirircom foto de Ouro Preto

Adquira, leia, comente e divulgue o livro BANDA DE MÚSICA, a "Alma da Comunidade"    

Home***Quem somos*** cidade***Hotéis/pousadas***Distritos***Atualidades***Cultura***Notícias

Pau na moleira***Textos***Curiosidades***Manual de viagem***Links úteis***Pesquisa***Negócios***Fale conosco