ENTRE O INSÓLITO E A LÓGICA HUMANA

 

A ExpoOuro 2008, antes de sua abertura na noite do dia 1º de maio, causou problemas, a começar da fuga de um boi do confinamento no local evento. Dali ele saiu para a rua e foi quando descia a Rua Padre Afonso de Lemos, na área central de Cachoeira do Campo/Ouro Preto-MG, que aconteceu o incidente. Em direção oposta ao animal, Flora de Jesus Guimarães subia a ladeira, não muito preocupada com aquela  presença insólita. De repente o bicho avançou sobre ela e a arremessou para cima, fazendo-a estatelar-se no duro calçamento de paralelepípedo. Flora foi socorrida por comerciante local, que a levou para a policlínica municipal, onde ficou em observação até ser removida para a UPA/Ouro Preto, em veículo do SAMU, para ser melhor examinada. Apesar de o incidente ter ocorrido em frente à sua casa, o editor do OURO PRETO WORLD não o testemunhou. Ao tomar conhecimento do fato  de que o animal       estava por perto, pois teria sido levado para o estacionamento de um supermercado, ele se dirigiu ao local com o propósito de obter fotos do animal. Um boi na rua e, para completar, atacando pessoas, não deixa de ser notícia Chegou e começou fotografar, conseguindo fazer três, quando um rapaz implicou com o registro fotográfico. Ele estava em cima do caminhão onde pretendiam colocar o bicho, que resistia muito. Logo em seguida, um grandalhão (presumivelmente o proprietário do animal) se colocou à frente a gritar, impedindo o trabalho deste editor: "Você sabe quem sou eu?"  "Você me conhece?" - Ele não percebeu que três já haviam sido feitas, não muito boas, pois o ângulo não facilitava. Sua arrogância denunciava "poder" de alguém acostumado a pisar sobre quem se coloca à sua frente. Suas perguntas contrastavam com as feitas pela vítima atordoada, sentada no meio-fio, enquanto tentavam convencê-la a buscar socorro médico: - "Quem é o dono do boi?" "Qual é o nome do dono do boi?" "Quero registrar BO"

 

Interessante observar as diferenças na reação das pessoas como protagonistas dos fatos. Em episódios como este, outras diriam impropérios contra o boi, exigiriam seu abate, esquecendo-se de que o animal não tem culpa. Flora, assustada e com o corpo dolorido em conseqüência da brutal agressão, nem olhou para o animal. Segundo testemunhas, sua única preocupação era saber quem seria o dono do bicho. Ela estava consciente de que se havia um culpado, este poderia ser o dono do boi. Do outro lado da questão, se o dono ou responsável fosse dotado de sentimentos humanos,  não deixaria de cuidar do animal, mas em primeiro lugar teria corrido em socorro da vítima. E não teria se preocupado em preservar a imagem do seu boi que, parece ser mais importante do que ele.

 

Posteriormente, em contato com o secretário municipal de Agropecuária, Marcelo Fonseca, o OURO PRETO WORLD tentou obter o nome do proprietário do animal, mas o secretário observou que o proprietário deveria ser preservado, uma vez que o boi estava sob a responsabilidade dos promotores do eventos, ou seja, a própria Secretaria Municipal de Agropecuária. Acrescentou que o proprietário nem teria comparecido ao evento, bem como nenhum de seus empregados, o que deixava sem nome o brutamontes que ameaçou este editor. O secretário, Marcelo Fonseca, explicou que poderia ser qualquer pessoa na rua, que teria colaborado na recaptura do boi. Considera-se estranho o pecuarista entregar animal do seu rebanho aos promotores do evento, por muita confiança depositada nestes, sem o acompanhamento de um empregado que conheça o objeto da exposição, no caso, o boi. E por que estranho, anônimo colaborador, como sugeriu o secretário, se preocuparia em preservar a imagem do bicho a ponto de fazer ameaças?

                     A vítima, trabalhadora “premiada” no Dia do Trabalho

Nascida em Medina-MG, Flora, a vítima, reside em Cachoeira do Campo há cerca de trinta anos e há doze é viúva. Para criar quatro filhos, já trabalhou como borracheira e, atualmente, presta serviços domésticos (faxineira, lavadeira, manicure). Para quem tanto já trabalhou e trabalha o Dia do Trabalho não foi dos melhores!

 

 

 

 
 

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