PONTO DE VISTA DO BATISTA

Brasil, latrina do mundo!

Que este país tem leis mais favoráveis aos desonestos e à bandidagem é fato que ninguém discute, pois exemplos se produzem a todo o momento, em qualquer parte do território, e os meios de comunicação os relatam diariamente, à exaustão. Desde o caloteiro, que costuma viver com relativo conforto, à custa do suor alheio, sem que a Justiça o faça cumprir obrigações assumidas, até o bandido declarado e armado a ceifar vidas e avançar sobre o patrimônio alheio, o indivíduo à margem do direito costuma ter mais proteção que o cidadão cumpridor de seus deveres, independente do direito de defesa, inegável a quem quer que seja. Mesmos confinados em presídio, inimigos da sociedade continuam a ameaçá-la e se valem da lei para exigir privilégios que, nem sempre, cidadãos trabalhadores possuem. A inversão de valores pode se manifestar em incidentes corriqueiros, como o exercício do direito da reivindicação, reclamação ou protestos, que a Constituição garante a todos os cidadãos, embora alguns destes em postos de governo taxem de deseducados, mal-humorados os que exercem aquele direito.

Ao se sentir prejudicada em seus direitos, grande parte de determinada comunidade se mobilizou em protesto e reclamação coletivos. Mas, a manifestação, que seria exclusiva daquele grupo, acabou por interferir nos direitos de terceiros, quando as lideranças decidiram bloquear movimentada rodovia federal com barricada e queima de pneus. A justa e legítima manifestação de protesto saltou a linha divisória e se transformou em arruaça ou desordem pública com clara agressão aos direitos de quantos ficaram retidos, na extensa fila de veículos nos dois sentidos daquela via, sem falar na agressão ao meio ambiente com a combustão dos pneus. Chegou a polícia e, quando se esperava que ela determinasse o fim do bloqueio, o comandante daquela operação chegou junto ao líder do outro lado e disse: "vamos negociar".

Negociar o quê, ó cara pálida?!!! Pessoas ansiosas para chegar ao fim da viagem, ou a caminho do cumprimento de compromissos, bem como muitas em gozo de férias, levaram um balde de água fria ao ver o policial militar falar em negociar seus direitos com os arruaceiros, entregando a estes dessa forma a sua autoridade.

A posição do cidadão é tão desvantajosa que, recentemente, assaltante recolhido à prisão entrou com queixa crime contra sua vítima com a pretensão de processá-la por danos morais, alegando lesões corporais, além de ter se sentido humilhado, insultado e rebaixado com a surra levada no momento em que assaltava padaria. A surra aconteceu porque o proprietário da padaria, assaltado por dez vezes anteriormente, chegou no momento exato em que o ladrão tentava "limpar" o caixa. O bandido só não conseguiu seu intento porque o juiz não era da mesma laia de outros já envolvidos em crimes.

É nesse caldo de cultura que o governo brasileiro arma o maior quiproquó, ao conceder asilo político a italiano julgado e condenado em seu país pela prática de terrorismo. Com esse gesto, dizendo ser o Brasil país generoso, o governo interfere na solução de problemas internos enfrentados por outro país e se coloca na contramão do combate ao terrorismo, crime hediondo, covarde, que se vale da vida de inocentes para disseminar idéias, doutrinas e ideologias. Nenhum ideal é maior que uma vida humana; e o dito cidadão italiano foi julgado culpado pela morte de quatro!

Ditadores tombados, assaltantes e golpistas internacionais, enfim toda sorte de celebridades abaixo de zero na escala da sociabilidade teem guarida no Brasil, desde a chegada da esquadra de Cabral, que aqui deixou a primeira leva de indivíduos condenados pela justiça portuguesa. Até nos filmes, bandidos escolhem o Brasil como refúgio!

O Brasil é, de fato, país generoso, mas muito mais com patifes, pois cidadãos seus têm sido vítimas de maus tratos, incluindo-se agressões físicas, em aeroportos europeus, só porque são brasileiros; e sem que nossas embaixadas movam palha em defesa desses patrícios.

nbatista@uai.com.br

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