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Motivo de chacota contra um ministro da
Cultura, que a lembrou como exemplo de marca cultural, a broa é parte do
cardápio mineiro desde os primórdios da colonização. De composição
simples, pois é feita, basicamente de fubá e água (alguns adicionam leite) com
ligeiras variações aqui e ali por conta do tempero, ela é a quitanda
mais tradicional no café da manhã, agradando a todos os paladares. Não lhe cabe a
extensão "de fubá" ou "de milho", pois se feita de
outra farinha, que não a de milho, não é broa. E a melhor é feita com
fubá de fabricação artesanal, moído em moinho d'água, que preserva as
qualidades e potencialidades do milho. Esse tipo de fubá só é
encontrado no interior, onde alguns mais sensíveis preservam o
moinho
d'água.O ministro, vítima da zombaria,
foi o Prof. Aluísio Pimenta. Em apoio a ele, muitas vozes se levantaram
também, entre as quais Saul Martins com o artigo "Broa
de Milho & cachaça" (jornal Estado de Minas edição de
08.02.1986) para reafirmar que o conceito de cultura é mais abrangente e
não está restrito a tão somente manifestações artísticas de elite,
como pensam alguns. Embora presidente da Comissão Mineira do Folclore,
Saul Martins cometeu um equívoco, por creditar aos norte-americanos a
introdução da broa em Minas e no Brasil. À época, o autor desta
página e responsável pelo site, lembrou-se de ter visto o registro de
broa em livro dos primeiros de registro da vida em Vila Rica. Foi em 1975,
quando empregado da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, descobriu no
amontoado de documentos um livro datado de 8 (de março?) de 1724, aberto
por Domingos de Souza Braga, para registro de aforamentos. entretanto o
livro não foi utilizado para a finalidade expressa em sua abertura. Em
janeiro e fevereiro de 1733, foi utilizado para lançamento de gastos
domésticos. Esse documento era a prova de que a broa aqui tinha chegado
com os portugueses, pois 132 anos antes do final da Guerra de Secessão,
já era apreciada em Vila Rica. A essa altura, os documentos já haviam
sido transferidos para o "Centro de Estudos do Ciclo do Ouro",
instalado na Casa dos Contos, propriedade da Receita Federal. E foram
transferidos em boa hora, porque se tivessem ficado por mais tempo em
poder da prefeitura, talvez não mais existissem. O que era chamado de
arquivo não passava de um amontoado de documentos empoeirados no fundo do
galpão do almoxarifado. No período chuvoso, muitas goteiras; a viver no
meio da papelada, ratos e aranhas. O forte odor de urina de rato
denunciava sua presença. E se os documentos não foram destruídos,
talvez os roedores tivessem mais consciência do seu valor. Na Casa dos
Contos foi conseguida a cópia, que acompanhou correspondência ao jornal
Estado de Minas, apontando o equívoco do articulista. Infelizmente, nada
do esclarecimento foi repassado ao público. Mesmo com a prova
apresentada, o assunto não mereceu crédito. No Brasil, primeiro é
preciso que a pessoa tenha "pedigree", seja um
"medalhão", para merecer atenção de altas instâncias. Nove
anos mais tarde, em fevereiro de 1995, o assunto foi tratado no
jornal O LIBERAL, coluna OPINIÃO
. Em Portugal, diz-se que "boroa ou broa é palavra nortenha
antiga, formada provalmente a partir de "boruna", pertencente a
idioma pré-romano da Hispânia" .
Lá também a broa é muito
apreciada. Recentemente, em Viseu, foi assada a maior broa do mundo,
devidamente incluída no Guinness. Consumiu 1.700 quilos de fubá, 400
quilos de farinha de centeio, 1.400 litros de água, sal e fermento.
Segundo se informa, a broa foi fatiada para 40 mil pessoas.
NOTA : Com relação à origem da palavra BROA,
recebemos do Sr. Paulo Monteiro (Portugal) os esclarecimentos abaixo
colados
De facto é uma palavra de origem germanica, mais
especificamente de origem Sueva, povos originários das zonas ribeirinhas
do Báltico e da Jutlândia, actual Dinamarca que se estabeleceram na
Península Ibérica e deram origem ao actual Portugal e à Galiza
espanhola.
Broa ou boroa é uma palavra que se utiliza ainda no Norte de Portugal
com frequência, designando uma forma de pão. O original terá sido Brød
da actual Dinamarca, que também deu origem ao bread inglês, após as
conquistas nordicas na actual Inglaterra.
3 de dezembro de 2007
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