O mundo, mesmo que
infiltrado de espécimes loucos por sangue alheio derramado, espertalhões
de todos os matizes e políticos corruptos, tem um saldo de muita coisa
boa, o suficiente para que nos sintamos mais otimistas quando tudo ao
redor sugere o contrário. Há lágrimas, mas para cada uma há um sorriso
compensador. No meio da tragédia provocada pela insanidade humana, que
abalou o mundo na manhã de 11 de setembro, muitos atos de heroísmo, de
dedicação à causa da vida, sensibilidade diante do sofrimento do
semelhante também se manifestaram. Quando em ação, o lado malvado do
homem faz estragos suficientes para causar a impressão de que tudo está
perdido, o que acaba se revelando falso pela face sensível, equilibrada e
amorosa, embora seus efeitos não se apregoem com o mesmo alarde.
Ultimamente muita
polêmica tem havido em torno de cães de algumas raças, devido à sua
ferocidade, mas há os que contestam a afirmação de que ela é própria
dos cães em foco. Afirmam que a ferocidade não está nos animais, e que
ela é apenas reflexo do caráter de seus donos, que os treinam para
atacar e matar. Em parte, concordo, pois mesmo que tenham alguma
inclinação para hostilidades, eles só chegam ao extremo quando
condicionados para a violência. Por natureza, o cão é um animal
vigilante. Se condicionado para o ataque, ele amplia o que a natureza lhe
concedeu. Há que ter cuidados com o cão, tanto no sentido de mantê-lo
alimentado, com saúde, quanto no de não converte-lo em fera
incontrolável, para evitar que, no extremo oposto, radicais defendam a
extinção da espécie canina. Por incrível que pareça isso foi sugerido
em carta à redação de grande jornal, dizendo que cães são
desnecessários e que, quando muito, sua existência deveria estar
limitada ao campo de experiências em laboratórios. Se a opinião de tal
leitor prevalecesse, um homem cego, no vigésimo sétimo andar de uma das
torres do World Trade Center, não teria se salvado durante a grande
tragédia do 11 de setembro. Sua cadela guia o conduziu para baixo, degrau
por degrau, até colocá-lo a salvo. Diante da descomunal brutalidade
daquele episódio, o trabalho heróico da cadela não mereceu destaque na
mídia, assim como tantos outros da parte de nossos semelhantes e de
animais a serviço do homem. No mundo há lugar para tudo! E como há!
No mundo dos negócios,
então, surge cada uma! Um estoque encalhado ou uma fábrica em vias de
cerrar as portas pode se tornar um bom negócio sob a ótica de uma
empresa especializada na compra de tais "pepinos" e livrar o
outro empresário de prejuízo maior. Se bem entendi, a mecânica da
coisa, o "comprador de pepinos" já sabe onde
"desovar" o produto para o qual o industrial ou comerciante não
conseguiu mercado. Este último vende a mercadoria por preço pouco
inferior ao pretendido, mas superior ao apontado pelo mercado. Assim,
livra-se de prejuízo maior. Entendidos dizem que tudo é uma questão de
oportunidade. Já os gaiatos garantem que todo os dias um bobo e um doido
saem de casa. A questão é como encontrar um dos dois na hora certa.
Quanto à empresa
compradora de "pepinos", em vias de instalar escritório em Belo
Horizonte, ofereço sugestão que em muito ajudará o povo mineiro. Temos,
em "estoque", setenta e sete deputados supervalorizados, que
poderiam ser adquiridos para aproveitamento em outros misteres, se verdade
que isso seja possível. Quero crer que o povo não cobraria um centavo
pela transferência. À empresa compradora caberia tão somente o
pagamento de seus "salários" durante o restante do mandato que
lhes outorgamos.