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“Digo mais que,
ainda no tempo dos contratadores (pessoas de
confiança da corte portuguesa que assinavam
contrato de exploração das terras diamantinas),
quando as remessas montavão de cinco a dez mil
oitavas (anualmente), nem assim estes deixavão
em Portugal a utilidade que devião deixar.”
“Elles
ião sustentar e enriquecer centenares de
oficiaes estrangeiros, como lapidadores,
ourives, cravadores e outros muitos...”
“Que
imenso cabedal não metia no paiz estrangeiro a
exportação destes diamantes: porém os
portugueses, com seu estúpido systema entregavão
quase toda a utilidade, que lhes podia resultar
da mão-de-obra, a inglezes e hollandezes.”
“Contarei
um caso que presenciei. Um inglez comprou um
diamante por 24$000, que depois de lapidado na
Inglaterra foi vendido por 300$000. Este
diamante deixou em Portugal ou no Brasil 24$000
e na Inglaterra 276$000. Assim como vai em
pequeno ponto, assim vai em grande”
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Carta de um patriota amigo da
verdade
Rui Nogueira
Século XVIII tido como o
do iluminismo por causa da revolução e independência americana,
da revolução francesa e por alguns pensadores considerados
importantes teve no Brasil muitas situações sem qualquer
“iluminação”
É desta época o texto
destacado, em linguagem antiga que está incluído no documento
“Carta de um patriota amigo da verdade” de autoria não definida
mas elaborado em resposta à proclamação ou aviso ao povo da
Demarcação Diamantina pelo conselheiro Manuel Ferreira da Câmara
e que publicamos no livro “Nação do Sol, a descoberta do ser
brasileiro”.
Quanto ao texto temos que
reparar de antemão que em realidade com a venda do diamante não
ficava nada no Brasil ou Portugal pois havia uma engrenagem para
puxar de volta para os europeus, todo dinheiro que gastaram na
compra. Aqui era proibido tear, comprar tecidos importados, não
se fazia ferramentas, traziam de fora, se as minas precisam de
mais escravos, comprem mais peças africanas. Como se não
bastasse havia o estanco – comércio de artigos essenciais na mão
de El-Rey, como o bacalhau, azeite e até a pimenta que pelo
controle real ganhou nome de pimenta do reino.
Tudo isto acontecia e
acontece até hoje em conseqüência ao sistema de mercantilismo
colonial que ainda vigora.
A nossa produção visa
atender os interesses do exterior com monoculturas – cana de
açúcar, café, eucalipto, soja, capim para o gado, controladas
por companhias mercantis e/ou transnacionais, com surrealismo,
absoluta falta de lógica, dos preços das exportações serem
estabelecidos pelos compradores externos sem usarem os nossos
navios e com isenção de impostos.
Temos hoje a “Carta de um
patriota amigo da verdade” que não precisa ser baseada em
diamantes e pode abordar um minério abundante no Brasil e
fundamental para as indústrias modernas – o ferro.
Em 2003 dados do DNPM,
DIDEM, SECEX, MDIC, SINFERBASE, o Brasil exportou em pelotas,
semimanufaturados, manufaturados e minério um total de 7 bilhões
e 800 milhões de dólares.
Passou para a população a
idéia de que estamos ricos, com ótima situação mas na exportação
gigantesca de minério, o que fica para beneficiar o brasileiro?
Para começo existe a lei
complementar 87 de 10/09/1996 (Lei Kandir) que isentou as
empresas produtoras de minérios de ferro (todas as exportações)
do recolhimento de ICMS (Imposto Sobre Operações Relativas á
Circulação de Mercadorias) e sobre a prestação de serviços de
transportes interestadual, intermunicipal e de comunicações, nas
exportações a partir de janeiro de 1997.
Isto é a
Legitimação de um absurdo. (leia o artigo Legitimação dos
Absurdos no portal www.nacaodosol.org).Como podemos vender as
nossas riquezas sem deixar nenhum benefício para a população?
Em 1991, um
decreto regulamentou a lei do pagamento da CEFEM – compensação
financeira pela exploração de recursos minerais com alíquota
para o ferro de 2%(dois por cento) que incide sobre
Faturamento Líquido definido como o valor total das
receitas de vendas, deduzidos os impostos incidentes sobre a
comercialização, as despesas de transportes e seguros.O CEFEM
para Diamantes é 0,2%, Ouro 1%.
Em 2003 a
arrecadação do CEFEM relativo ao minério de ferro atingiu cerca
de 136,8 milhões de reais. Ridículo! Distribuído entre União
(12,0%) Estado (23,0%) e Município produtor (65%).
Com o
desmantelamento da Marinha Mercante Brasileira o transporte
marítimo para o exterior é feito por navios estrangeiros com
fretes drenando mais recursos e os brasileiros desempregados,
substituídos por tripulação do exterior. Logicamente os seguros
são pagos às empresas internacionais. Mais sangria dos nossos
recursos.
Se a empresa é
estrangeira, receberá o resultado das vendas e remeterá de
imediato, para os seus acionistas no exterior.
Dito por gente
do ramo, o preço do minério de ferro “Para Inglês ver” na bolsa
de Londres, há muitos anos, caminha em torno de 17 Dólares a
tonelada.
Entretanto,
existem contratos brasileiros de exportação com minério até ao
preço de 5 dólares a tonelada. Pior que tudo, existe algo que
nos é muito lesivo. A cotação internacional se baseia em minério
americano com teor de ferro de 30% no máximo. Carajás possui
teor de ferro acima de 60% assim, ao vendermos pela cotação
internacional, para cada tonelada vendida damos 300 quilos de
ferro de presente.
Vale observar
que uma indústria brasileira de metalurgia próxima à mina, paga
todos os impostos (atinge 30%).
Portanto, está
mais que evidente que exportar não é a solução. Em realidade sai
riqueza e fica buraco e miséria.
Eles levando o
ferro e nós “levando ferro”.
Rui
Nogueira, médico e escritor
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