Caro Mauro Werkema,

         Tenho acompanhado a movimentação cívica em defesa do patrimônio cultural representado pelo Colégio Dom Bosco e seu entorno aqui incluindo os terrenos que lhe compõem a propriedade. Sem dúvida é justa e oportuna a ação empreendida porque não se deve permitir que o interesse econômico se sobreponha à importância histórica, social e comunitária do Colégio Dom Bosco que, aliás, ultrapassa os limites municipais para alcançar a História de Minas.

         Embora entenda não ser da competência jurídica da Cúria de Mariana, encaminhei a esta o conteúdo da primeira mensagem que de você recebi, para conhecimento do Sr. Arcebispo. Fi-lo pelo fato de que os Salesianos, que tanto bem realizaram educando a juventude mineira, aqui se aportaram por iniciativa da Arquidiocese de Mariana.

         Desejo partilhar com vocês dos esforços que visem manter os objetivos que justificaram a presença, em nossa região, dos reconhecidamente beneméritos Salesianos. Além do mais, há algo de relevância histórica, desde o Século XVIII passando pela Guerra do Paraguai no Séc. XIX e por tantos outros significativos episódios, que não pode simplesmente ser reduzido a cinzas.

         Vale discutir, à luz de documentos, não só a origem da posse, mas também da propriedade e como fora esta transmitida se pelo Estado ou pelo Império. Além das lideranças políticas, intelectuais e sociais, vejo como indispensáveis as efetivas participações do Ministério Público e da UFOP. Esta pode ser a grande solução expandindo suas atividades educacionais na Região dos Inconfidentes como vem fazendo em Mariana.

         Um bom caminho há de ser encontrado porque não acredito, com absoluta convicção, que os Salesianos trocariam sua nobre missão transformando-a numa rendosa imobiliária. Não é fácil manter um patrimônio, todos os sabemos, sobretudo imóvel rural e construção de centenas de anos, com custos elevados sem rentabilidade suficiente para suportá-los.

         Provavelmente este seja o drama vivido pelos Salesianos. Assim, volto a dizer, a nossa UFOP poderá ser a solução natural. Tenho certeza de que Reitor, Prof. João Luiz Martins, seu vice Prof. Barbosa e os demais assessores juntamente com o Conselho Universitário colocarão o tema em pauta prioritária. Embora me reconhecendo um pequeno ajudante, ponho-me à disposição do movimento "O Dom Bosco é nosso".

Cordialmente,

Roque Camêllo

Roque Camêllo é advogado e professor

 
 

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