Cascalheira política
De ora em diante, assunto
mais quente e em evidência são as eleições municipais a se realizar,
outubro, em todo o país. Nos bares e botequins, pontos de ônibus,
nas filas (e como há filas...), nas rodas de amigos, em qualquer
ajuntamento de gente, sempre há alguém a puxar o tema e, daí,
passar-se à troca de impressões entre "entendidos"; porque, assim
como no futebol, em política há "entendidos" demais.
Que não se assuste o jovem
eleitor recém-chegado às hostes dos "perseguidos", se pessoa
conhecida das ruas achegar-se mansamente e puxar conversa, embora
antes nunca lhe tenha dado "bom dia". Pode ser caçador de votos. E
isso se comprova imediatamente, porque ele tem pressa, precisa fazer
mais abordagens e tentar fisgar eleitores com seu canto de sereia.
Talvez nunca tenha feito algo que justifique sua pretensão, mas,
considerado "bom de voto" pelo partido, sua folha de serviços à
coletividade pode estar em branco, ou mesmo conter nódoas, não
importa.
Enquanto isso políticos,
já caídos nas malhas da Justiça Eleitoral, mesmo condenados em
primeira e segunda instância, são liberados para concorrer a cargos
eletivos porque a lei assim garante até que o caso julgado em última
instância. Como processos na Justiça andam à velocidade de lesma
(nem é de tartaruga) só depois de morto o político será julgado em
última instância. Até lá, continuará aprontando todas contra os
interesses do povo e do país. Veja-se o caso do ex-prefeito de Juiz
de Fora, apanhado com a boca na botija pela Polícia Federal e preso
duas vezes. Poderá ser processado e condenado, se conseguidas as
provas necessárias, mas isso acabará se arrastando por longo caminho
no meio do qual (em 2010) há eleições majoritárias e proporcionais
nos níveis estadual e federal. Como a lei preserva direitos
políticos do renunciante a mandato eletivo, quando suspeito ou
acusado da prática de irregularidades no exercício do cargo, ele
renunciou antes que a Câmara Municipal lhe cassasse o mandato,
levando de roldão seus direitos políticos durante os próximos oito
anos. Dessa forma, em 2010, estará apto a se candidatar até a
presidente da República.
Não é preciso perspicácia
para perceber que, praticamente, não há margem de segurança ao
eleitor contra a eleição de maus candidatos, porque enquanto aos
caciques partidários não importa a qualidade moral do que pretende
se eleger, e sim sua capacidade de captar votos, os pilantras já
enlameados até o pescoço gozam do beneplácito da lei (feita por eles
próprios) para continuar a produzir escândalos.
Uma vez que a região de
Ouro Preto se destaca pela ocorrência do topázio imperial, vale a
comparação. As listas de candidatos a eleições, em qualquer nível,
neste país, são grandes cascalheiras, onde, dificilmente se vê uma
pedrinha aproveitável.
O eleitor não merece,
pois, a culpa por escolher mal ao votar, conforme se propala aos
quatro ventos. Entretanto, se consciente da realidade política e,
mesmo assim, aceita o sistema vigente, ele é co-responsável por toda
a bandalheira que assola a área político-administrativa deste país.
Cada cidadão eleitor deve estar consciente de que a lei o obriga a
votar, mas não o obriga ao voto válido. A liberdade de escolha no
"prato feito" eleitoral vale também para a rejeição de todo o prato
preparado pelos partidos e, se assim não fosse, a urna eletrônica
seria programada para não aceitar o voto nulo. O cidadão tem o
direito de discordar e manifestar essa discordância em relação ao
sistema eleitoral vigente, anulando seu voto. Para se ter a
verdadeira democracia é preciso que ao eleitor seja dado também o
direito de escolha entre votar e não votar; ser-lhe estendido o
direito de apontar os pré-candidatos; bem como ter o direito de
cassar qualquer mandato, que não corresponda às expectativas. Adote
o VOTO ZERO, preenchendo com zeros os números dos candidatos!
Partidos políticos já
fizeram mal demais à humanidade!