PONTO DE VISTA DO
BATISTA
A catedral
Sem sombra de
dúvida, vivemos na era da comunicação, abrangente, massificada e
instantânea. O volume de informações é tão grande que se torna
impossível assimilar tudo o que nos chega de um número imensurável de
fontes, por meio dos veículos mais diversos. Como quantidade nem sempre
significa qualidade, na informação dá-se o mesmo. Para filtrar a
verdade há que analisar as muitas versões do mesmo fato e ainda assim
ficar com a dúvida de ter ou não chegado ao cerne da questão.
Paradoxalmente, corremos o risco de sermos mal informados devido ao
excesso de informação. É o mesmo caso de um indivíduo morrer de
sede, estando dentro d’água! Mas outro aspecto negativo se destaca
nessa avalanche de informações divergentes, que confundem ao invés de
esclarecer. O pouco cuidado no repasse da informação dá margem
também ao emprego de termos com significados diferentes dos originais.
E, por incrível que pareça, os deslizes acontecem com mais
freqüência nas informações de natureza cultural, o que acaba por
provocar mais pobreza na formação intelectual dos cidadãos que, por
circunstâncias adversas, não têm acesso a outros meios de se
enriquecer culturalmente.
Mariana, como sede do
primeiro bispado, além de ter sido a primeira capital, tem ampliado seu
espaço na mídia por força também da efervescência que sempre se
notou ali quanto à cultura. E, como não podia deixar de ser, sua
catedral é um dos eixos em torno dos quais giram atividades das mais
importantes da vida cultural marianense, como a música, por exemplo,
além da cultura religiosa em si. A divulgação dos muitos eventos, de
alguma forma relacionados com aquele templo, repete um erro, que talvez
seja reflexo de outro da mesma natureza na cidade de São Paulo, centro
irradiador de informações. Lá dizem "catedral da sé", como
se a Praça da Sé fosse ponto de referência para a catedral ali
localizada. A grande maioria ignora ser justamente o contrário: a
praça deve o seu nome à sé, ou catedral. "Sé" e
"catedral" têm o mesmo significado, sendo portanto errônea a
expressão "catedral da sé". Diz-se SÉ ou CATEDRAL,
simplesmente. SÉ é o mesmo que sede, ou seja, no caso religioso,
igreja principal de uma diocese, templo onde o bispo tem primazia.
CATEDRAL vem de cátedra, ou trono simbólico da autoridade do bispo
numa diocese. À igreja que comporta essa cadeira dá-se também o nome
de catedral. Desse erro deriva-se a malandragem de outra corrente
religiosa, cujos quadros se inflacionam de "bispos", título
copiado principalmente do catolicismo e do anglicanismo, assim como
também se tentou fazer com "paróquia". Para confundir
pessoas mais simples em sua busca de um caminho religioso, tal igreja
criou a "catedral da fé". Percebe-se claramente qual é a
intenção do nome dado a alguns de seus templos. Catedral sempre soou
como templo majestoso, quem sabe até superior em valor espiritual para
muitos fiéis mal informados. É, portanto, um perfeito chamariz para
espertos seduzirem incautos, no crescente "mercado" da fé!.
Entretanto, ao copiar o termo já consagrado no catolicismo, as
lideranças da outra denominação religiosa copiaram também a
extensão erroneamente adotada pela mídia e seguida pelo povo, trocando
sé por fé. Note-se que a troca foi efetuada por palavra de som
parecido, para melhor enganar. Só não perceberam que estavam a copiar
um erro!
Voltando ao domínio
católico e falhas da mídia com referência ao setor, é muito comum
ouvir-se falar "Nossa Senhora da Aparecida", como se a imagem
tivesse herdado o nome da cidade, quando no oposto é que está a
verdade, quase o mesmo erro encontrado em "catedral da sé" ou
"da fé" como querem os copiadores!