Companhia Força e Luz Cachoeirense

 

 

 

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Conhecimento de transporte de mudas de amoreira

 


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No final dos anos vinte do século passado, um grupo de empreendedores percebeu que chegara a hora de Cachoeira do Campo dar um salto de qualidade de vida, a começar pela industrialização, que aproveitasse o potencial local e ampliasse a oferta de empregos. Entretanto, uma moderna instalação industrial requeria energia elétrica, insumo  inexistente à época na localidade. Em 1928, constituiu-se então uma sociedade anônima, a Companhia Força e Luz Cachoeirense, à qual caberia a geração e fornecimento de eletricidade aos projetos industriais, comerciais e consumo doméstico em Cachoeira do Campo. Se considerarmos as dificuldades atuais para a constituição de empresa e execução de projeto do gênero, aquela iniciativa foi arrojada. A usina aproveitava as águas do Rio Maracujá na corredeira existente abaixo da Ponte do Palácio; o que dá uma idéia do volume de água, então, livre de qualquer poluição. Para que vem de Belo Horizonte, ela era bem visível à esquerda logo depois da Ponte da Vargem no começo da rampa. O serviço foi inaugurado no dia 30 de dezembro de 1928 com muita festa, conforme sugeria o empreendimento. Ao consumo doméstico havia dois tipos de fornecimento: o medido, como é feito pela Cemig, e o pré-fixado. No pré-fixado, o consumidor não podia consumir além da cota determinada por um aparelho denominado "limitador", instalado na parte externa da casa. A característica principal desse aparelho era a denúncia de que o consumidor estava a tentar "roubar" energia, se ele acendesse uma lâmpada, além do pré-estabelecido. Ao menor acréscimo no consumo, o aparelho disparava o alarme sob forma de batidas estridentes. Devido ao barulho feito, o povo o apelidou de "pica-pau".  Quando a empresa encerrou suas atividades, no início dos anos sessenta, a água já era pouca para movimentar a usina, por sua vez incapaz de atender a demanda que crescera além do previsto. Brincava-se que havia necessidade acender uma vela para verifica se as lâmpadas estavam acesas.                                                                                                                    

A energia elétrica possibilitou a instalação de uma fábrica de artefatos de couro, tendo como produto principal o chinelo de "liga" ou "tapete", como era chamado. Era todo fechado como sapato, podendo ser usado à guisa de chinelo, pisando-se seu calcanhar. Sua maleabilidade se devia ao fato de ser feito de linhas de algodão tecidas e tingidas (cores azul, vermelho, verde) na própria indústria. O corpo do chinelo era feita por mulheres, em casa, valendo-se de equipamento denominado "banca". Feito o corpo do chinelo, este era levado à fábrica para então receber o solado. Além do chinelo, produziam-se botinas e todos acessórios e apetrechos destinados a montaria: selas, laços, rédeas, cabrestos, chicotes, barrigueiras, etc

Outra atividade econômica exercida em Cachoeira do Campo, na época da fundação da Companhia Força e Lua Cachoeirense, era a sericicultura, criação do bicho da seda. Os casulos produzidos eram então remetidos para Barbacena, onde a seda era beneficiada. Daquela cidade vinham também mudas de amoreira (planta cujas folhas são alimento das lagartas, ou sejam, os bichos-da-seda). Ao que se sabe, as mudas de amoreira eram fornecidas gratuitamente aos que mantinham o cultivo. O meio de transporte era a ferrovia - Estrada de Ferro Central do Brasil - cuja estação mais próxima era a de Hargreaves, na localidade anteriormente denominada Trino. Posteriormente, essa estação passou a chamar-se D. Bosco, em razão das Escolas D. Bosco (salesianos) instaladas em Cachoeira do Campo em 1896. a estação seguinte, em direção a Belo Horizonte e Rio, recebeu então o nome de Hargreaves. A denominação original, Trino, deve-se à existência de três morros de forma arredondada -  a formar um triângulo - entre os quais se destaca o do Caxambu. O acidente geográfico é confirmado pela religião com a capela local devotada à Santíssima Trindade.

 

 

 

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DOM BOSCO

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