PONTO DE VISTA DO BATISTA

Coisas que incomodam

Quem já se acostumou a ler minhas patacoadas a cada fim de semana sabe que, de vez em quando, por algum motivo que a razão desconhece ou não explica, este escriba cai no poço da improdutividade, assim como qualquer outro mortal envolvido na ciranda da criação. É uma aridez mental, que angustia, mexe com os nervos! Premido entre a ociosidade sugerida pelo carnaval - que deixou de ser o sonho, a fantasia cênico-musical vivida em três dias – e a cobrança ditada por compromissos extras, senti se esfumaçarem temas com a inspiração, que também se tornou cinzas. Como tenho a obrigação de preencher este espaço, apelo para o manjado recurso do "enchimento de lingüiça" que, se nada acrescenta, também não tira pedaços, luxo que no desempenho de outras funções pode dar em complicações no Procon. Aqui, o máximo a acontecer é o leitor resmungar algo consigo mesmo, virar a página ou deixar o jornal de lado, se ele não for do tipo espalhafatoso, que grita sonoro palavrão diante de algo que o incomoda. Mas, isso eu não chego a saber!

Não encontrar o que espera da leitura, ou ler assunto desinteressante pode ser algo que incomoda a pessoas, assim como me incomodam certas coisas desapercebidas por outros. Por exemplo, alguém já perguntou o porquê da semente de gergelim no pão de hambúrguer? Eu me pergunto, porque me incomoda o fato de não ver utilidade daqueles "carocinhos" insossos grudados na casca do pão. Não faria diferença a falta daquele agregado. Ou faria? No sabor, tenho quase certeza que não.

É bom esclarecer que na condição de consumidor de hambúrguer ou qualquer coisa da lista "fast food" não passo da eventualidade, o que me torna em apenas implicante, ou um chato como já devem ter me rotulado. Se acham isso chatice é porque não sabem de outras implicâncias minhas, gratuitas mesmo, com relação a muitas coisas. E, gratuitas lembra grátis, palavrinha aqui escrita só como referência ao que considero tremenda demagogia, pois fora disso não a emprego, seja na fala ou na escrita. E ainda lhe sinto cheiro de cafonice, como se não bastasse a falsidade nela aparente Muito usada por dissimulados, pode ser chamariz com função de atrair tolos a armadilhas onde também caem os que pensam só ganhar, nada gastando. Mas, em se tratando de mau gosto, nada mais cafona que a denominação de "rei" ou "império", ostentada como nome fantasia para a especialidade a que se dedicam certos estabelecimentos comerciais. Sinais pretensiosos de supremacia no ramo, ou recorrência do inconsciente coletivo à antiga forma de governo, manifestando assim frustração diante da nossa República prostituída por políticos profissionais, "rei disso", "império daquilo", como nomes de estabelecimentos comerciais, são colhidas no fundo do poço da imaginação. E agora gostaria me fosse explicado o que é a "supertroca de óleo", anunciada com destaque em praticamente todos os postos de abastecimento e prestação de serviços a condutores de veículos. A coisa é intrigante porque troca de óleo do motor consiste em esgotar todo o óleo queimado e encher o mesmo espaço com óleo lubrificante novo. Nada mais que isso. Muito suspeito o prefixo "super", talvez empregado com a mesma função do "grátis" – perdão, é só para comparar – no processo de embrulhar o consumidor.

Finalmente, algo que me deixa com os nervos à flor da pele é o puxa-saquismo; arma dos incompetentes, covardes, sanguessugas sociais e hipócritas. Repito que, embora radicalmente contrário à pena de morte, se esta existisse no Brasil, puxa-saco deveria ser executado a pedradas!

nbatista@uai.com.br

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