Ainda por muito tempo,
o assunto de todas as horas deverá ser a tragédia do 11 de setembro, que
extrapolou intenções primitivas de seus autores, obviamente focalizadas
nos interesses norte-americanos, para agredir toda a espécie humana com a
sentença irremediável de morte a milhares de inocentes, às quais não
foi dada sequer a chance de saber o porquê da brutal interrupção de
suas vidas. Por muito que sejam as injustiças no mundo em razão do
domínio econômico deste ou daquele país, deste ou daquele grupo, nada
justifica a mínima violência premeditada e calculada contra quem quer
seja. E, paradoxo dos paradoxos, inocentes pagaram com a vida aos que
cobram justiça contra a opressão a outros inocentes, ensejando reação
com mais injustiça por parte dos primeiros culpados. Até onde vai a
insensatez? Ao homem foi dada suficiente inteligência que, aliada à
capacidade de discernir, propicia-lhe chances de abrir outras portas em
lugar de arrombar a que lhe fecham, mas, ao mesmo tempo, algo de
irracional o desvia da construção de seu caminho para o embate direto
com o obstáculo, sem medir maiores consequências. É o que fizeram os
autores do monstruoso atentado que, longe de resolver os problemas
oriundos do domínio exercido pelos mais fortes, lançou todo o planeta na
intranquilidade, incerteza, angústia e desconfiança mútua, além de
agravar a situação de penúria dos mais fracos.
Por sua vez, o governo
dos Estados Unidos, país agredido diretamente como consequência de atos
insanos praticados ao longo de sua história, comete o erro de responder
aos atentados com guerra declarada a inimigo indefinido, sob o risco de
ser contra uma etnia ou credo religioso. Esse risco ficou configurado em
duas gafes cometidas quanto à natureza e nome-código da empreitada
bélica. O termo "cruzada" seria o último a ser empregado por
quem, de bom senso, não quisesse lembrar aos árabes a triste página da
história, marcada por sangrentas campanhas do mesmo nome, ditas de cunho
religioso; "Justiça Infinita", como denominação de ação
bélica em punição pelos atos terroristas, seria pretensão demais
segundo conceitos religiosos de qualquer credo, mormente entre
fidelíssimos seguidores do islã. E a expressão "ou estão conosco
ou estão com os terroristas", dita pelo presidente norte-americano
no discurso diante do Congresso, chega a ser chantagem contra países não
apoiadores da guerra, embora não apóiem qualquer tipo de terrorismo.
Está completo o triângulo de besteiras ditas no momento de ganhar a
simpatia de todo o mundo, que inclui árabes e muçulmanos, na luta contra
o terrorismo internacional.
Deixando de lado a
discussão em torno da reação imprópria dos norte-americanos aos atos
terroristas, embrenhamo-nos na senda tortuosa das
"adivinhações" de fim de ano que, da boca de pseudo-videntes
saem para impressionar incautos e dar retorno monetário em outros
"serviços" da mesma natureza àqueles espertalhões. Todos
anunciam grandes desastres, terremotos, inundações, morte de
celebridades (sem mencionar nomes), como se fossem fatos raros e não
corriqueiros a cada ano. Esse tipo de previsão até este pequeno escriba
aqui é capaz de fazer, sem nenhuma pilantragem. Se esses auto-denominados
"esotéricos" (como abusam de coisas sérias!) são mesmo
capazes de ver o futuro, não se entende porque nenhum deles previu, ao
fim do ano 2000, como seria a manhã de 11 de setembro do ano seguinte em
Nova Iorque, Washington, e qual a repercussão dos fatos em todo o mundo.
Nem sombra da realidade foram capazes de antecipar. Que ninguém venha
agora dizer não ter divulgado para evitar pânico antecipado.