PONTO DE VISTA DO BATISTA

A volta do coronel

Sei, ou melhor, todos nós, cidadãos comuns, sabemos que ouvir a opinião do povo é coisa que político não gosta de fazer depois que assume o poder. Se gostasse, os senhores da guerra já teriam feito meia volta no caminho de suas pretensões e o mundo não estaria às vésperas de outra tragédia. Para eles a opinião pública, a sensatez dos que pregam o diálogo em lugar da violência e o clamor das multidões temerosas não contam nada. Mas, não é por isso que vamos nos calar e deixar de meter nossa colher de pau. Afinal, estamos no mesmo barco e é um direito que a democracia garante. Uma gota cai na pedra e esta nem se dá conta do fato; vem uma torrente e ela balança. Com o tempo, a ação da correnteza cumprirá seu papel. Por isso, as mentes voltadas para a paz não devem se desencorajar, mesmo que ainda desta vez efeitos positivos deixem de produzir.

Enquanto maltrato o teclado do computador, seguem os preparativos em Brasília para a sessão inaugural do Congresso Nacional, na nova legislatura, com todas a pompas e circunstâncias, que o fato requer, incluindo-se desta vez o comparecimento do presidente da República para, de viva voz, ler sua mensagem. Ao se iniciar uma nova fase política para o país, os mais otimistas criam que escândalos, em sucessão, com os quais a opinião pública vinha lidando há tempos, deixariam de acontecer. Eis que, antes mesmo que se realize a primeira sessão parlamentar, da Bahia vêm sérias denúncias contra o mesmo senador, vetusto senhor de cabelos brancos, mestre em estripulias políticas, quase cassado em seu mandato passado, por prática de fraude contra o sistema de votação no Congresso. Não perdeu seus direitos políticos porque se valeu da renúncia, o buraco por onde fogem políticos desonestos. Toda a sociedade, já no limite da exaustão, clama por moralidade e enquanto uns tombam e outros desistem, é preciso que novas forças se juntem para combater os maus políticos. Não é possível que continuemos a pagar, e muito caro, para que façam dos seus mandatos um instrumento de enriquecimento ilícito, malversação do dinheiro público, corrupção, manipulação das necessidades do povo, bisbilhotice da vida alheia, contravenção, sem falar em crimes sérios contra a vida e contra a estrutura da sociedade, por meio do tráfico de drogas. Tantas decisões importantes a serem tomadas e os trabalhos são desviados para ações que, na opinião de muitos, deveriam estar afetas apenas à Polícia e à Justiça. Provou-se a culpa? Cassação sumária se o culpado detém mandato político! Que a Justiça comum faça o resto contra o cidadão agora desnudo das vestes intocáveis!

A sociedade já anda sobrecarregada demais com impostos, cujo retorno não acontece, pois tem que se associar a planos de saúde para obter atendimento médico; só os mais ricos ainda têm segurança , ficando o restante da sociedade à mercê do medo, ou então faz sua segurança ao arrepio da lei; a educação com qualidade anda pelo mesmo caminho da segurança, só com a iniciativa privada; rodovias em condições de tráfego só com pagamento de pedágio. Não há país que suporte tanta carência e ainda tem de pagar parlamentares constantemente envolvidos em tretas e mutretas a gerar escândalos e, conseqüentemente, CPIs que resultam em nada.

Para a nação é vergonhoso que o mesmo homem banido do Congresso por falta de decoro parlamentar a ele volte sob a mesma condição. No Brasil, políticos e governo servem para quê?

nbatista@uai.com.br

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