PONTO DE VISTA DO BATISTA

Corrupção não é novidade

Corrupção é algo que nunca faltou no mundo, desde que surgiu o primeiro homem e a primeira mulher. E não seria o Brasil diferente, como de fato não o é, desde a chegada da esquadra portuguesa sob o comando de Cabral, mesmo porque os primeiros aqui deixados ou para cá enviados não representavam o melhor da sociedade portuguesa, mas rejeitados por uma ou outra razão, bem como condenados por violação a leis lusitanas então vigentes. E assim sendo, corrupção, mesmo com outros nomes, sempre fez parte do cardápio político brasileiro, cevando financeiramente alguns dos mais robustos da vida pública e emagrecendo a maioria da população, carente, sobretudo da dignidade cidadã, mãe de todas as carências, que fazem deste país infeliz exemplo de má gestão da coisa pública.

Portanto, surpresa não é a corrupção, velha conhecida e entranhada como forte nódoa no tecido da administração pública, mas a decepção jamais esperada por todos que se acostumaram com a propaganda do PT, partido do bem-estar dos trabalhadores, da justiça social e, sobretudo da ética e da moralidade, imagem com a qual enganou toda a nação enquanto fez oposição sistemática a todos os governos, que o antecederam no Palácio do Planalto. A propaganda petista só não enganou aos conscientes de que vícios e virtudes não são apregoados por quem os possui. O vicioso porque a si não convém que o conheçam tal como é, e, o virtuoso porque não tem necessidade, bastando-lhe tão somente que suas obras produzam bons frutos. O bom deixa a marca em suas obras, e o honesto, que o reconheçam em seus atos. Só o falso tem necessidade de apregoar o que não é e o que não tem!

Mas, que tomem cuidado os menos prevenidos dentre o povo, que acompanha a tragédia política, pois o PT envolvido em lama não quer dizer que demais partidos estejam limpos ou sejam imunes ao lodaçal., Embora exibam diferentes faces, suas naturezas se confundem. A corrupção a envolver o PT é proporcional ao seu orgulho e arrogância, daí a se destacar, obnubilando pecados dos que agora se postam de dedo em riste na direção do réu.

Como tudo tem duas polaridades, a crise política que acomete o país tem seu lado bom, se a nação souber ler nela a oportunidade que se abre para descobrir novos caminhos de se fazer e conduzir a política. O sistema partidário deu seu último suspiro com o desmascaramento da cúpula do PT. E a cúpula é que faz o partido político, seja ele qual for, tenha a cara que tiver diante do público. A chamada militância não passa de figurantes prontos para fazer o oba-oba, na sedução final da massa alienada para votar num dos candidatos, todos eles previamente escolhidos pelos cabeças dos partidos, nos três níveis da administração pública. Finda a encenação da campanha eleitoral, tudo se acomoda sob conchavos em proveito dos mais espertos. Não é democrático regime em que o cidadão é obrigado a votar sob ameaças; também não é, se o mesmo cidadão, para ser votado, é obrigado a se filiar a partido político, mesmo que nenhum deles corresponda aos seus ideais; não merece o adjetivo democrático o regime que permite ao eleito desfazer-se do partido pelo qual se elegeu e se manter no cargo sem partido, (situação, no mínimo, incoerente com a exigência anterior); não é democracia, se o mesmo eleitorado, obrigado a votar, não tem o poder de retirar o voto dado a político incurso em erro grave.

A política pode ser melhor conduzida pela sociedade organizada, aberta a todos os cidadãos, igualmente, e sem a intermediação de qualquer partido. Verdade que tal experiência ainda não foi feita no mundo e os políticos profissionais não cederão espaço facilmente, mas tudo tem que ter começo e a primeira vez. O que aqui se chama democracia é, na verdade, ditadura partidária exercida pelos chamados "caciques". Reconheçamos que partidos políticos já fizeram mal demais à humanidade!

nbatista@uai.com.br

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