PONTO DE VISTA DO BATISTA

Nylton Gomes Batista

Coisa que mexe comigo, me irrita, provoca minha indignação, é a solução simplista, baseada no sacrifício de todos ou da maioria, para coibir práticas danosas por parte de reduzida minoria. Cobrar da sociedade ou de todo um grupo pelo comportamento anti-social ou criminoso de meia dúzia considero extrema injustiça, mas o que mais se vê ultimamente é o justo a pagar pelo pecador. Com palavras de abertura de texto, aqui publicado há cinco anos, volto a bater na mesma tecla uma vez que a falta de vontade política alimenta a incompetência, e esta continua a ditar restrições com base na lei do menor esforço.

Assim como "de grão em grão a galinha enche o papo", de poda em poda em seus direitos, o cidadão se diminui, a sociedade se enfraquece e o estado se transforma em monstro insaciável. Cresce novamente a pressão pela proibição do uso da garupa nas motocicletas, como coibição aos assaltos praticados por duplas montadas em tais veículos.

Antes que desconhecidos me acusem de defender interesses próprios, esclareço que abomino motocicletas, nunca possuí uma e nem pretendo, e se me pedem opinião não aconselho seu uso e aquisição. Considero a motocicleta veículo extremamente perigoso, mesmo conduzido com cuidado, desconfortável e indutor da imprudência devido a seu desempenho no trânsito. Condeno seu mau uso, assim como o de qualquer outro veículo e considero a impunidade um dos principais fatores a sustentar a irresponsabilidade por trás dos altos índices de acidentes no trânsito.

Mas, não é por isso que se deva concordar com os que, a título de combater o crime, praticado por parcela mínima da população montada sobre duas rodas, quer proibir ao piloto o transporte de alguém na garupa. Quem tem o veículo, seja para o trabalho, passeio ou esporte, tem o direito de usá-lo em sua plenitude, não merecendo a consideração que lhes dão como bode expiatório dos crimes de uns poucos foras da lei. A grande maioria faz uso da motocicleta para o bem, embora parcela razoável paute pela imprudência, e não é justo que pague pelas ações dos bandidos e incompetência dos governos no combate à criminalidade. E o aumento diferenciado de impostos relativos à propriedade de motocicletas só confirma a discriminação, por si só condenável, aqui agravada por prática do Estado.

O Estado que faça melhor proveito da arrecadação e se coloque ao lado da sociedade produtiva e trabalhadora; desdobre-se no combate à marginalidade, fiscalize, prenda, julgue, condene e puna os verdadeiros culpados. Mas deixe os inocentes em paz!

O cidadão honrado trocou de posição com o bandido desde que este, mesmo atrás das grades exerce seu poder de mando, exige e consegue do Estado, o que muito trabalhador não tem. E se algo tem, o cidadão de bem se fecha atrás de grades e muros que, nos presídios, não impedem a ação criminosa de detentos junto a comparsas nas ruas. Nas ruas, o cidadão é tomado pelo medo e condicionado à falta de segurança a limitar sua liberdade de agir naturalmente. E quando alguma iniciativa se toma, não é contra o crime e sim contra os direitos do cidadão, como é o caso da garupa das motocicletas.

Se persistirem nesse caminho, vai chegar o momento em que o cidadão acabará sendo proibido de sair às ruas, para evitar assaltos. Assim como a abertura, o fechamento deste é feito conforme o texto anterior. A proibição da garupa será mais uma agressão aos direitos do cidadão e uma mentira em nome do combate à violência!

nbatista@uai.com.br

PONTO DE VISTA DO BATISTA

Criatividade besta

O nome é o primeiro e mais valioso bem imaterial/pessoal que recebemos ao abrir os olhos para este mundo, razão pela qual melhores cuidados deve haver por parte dos pais na sua escolha, não se esquecendo que o peso psicológico do antropônimo recairá sobre seu portador, ao início de sua socialização. Como bem pessoal deve ser de inteiro agrado do portador sobre o qual, na ocorrência do contrário, desde a simples antipatia até a refuga total, podem incidir possibilidades de desajustes psicológicos. É em torno do nome que construímos nossa personalidade e agregamos valores morais assimilados durante a vida. Nome em homenagem a celebridade, ou extravagante, destoante da cultura local, ou fruto da criatividade caída no ridículo, pode ser a condenação do indivíduo a provações como constrangimentos, humilhações e desconforto, dificultando-lhe a construção do arcabouço emocional necessário à manifestação do ego.

Não raro, encontramos pessoas descontentes com o próprio nome - embora não incluso entre os execráveis - que nos servem de parâmetro na avaliação do que pode ocorrer com outras cujos nomes escapam à aplicação do bom senso. Por sua reação é fácil imaginar o que se passa com aquelas que podemos chamar de vítimas de brincadeira de mau gosto dos pais, ou de quem lhes tenha dado tais nomes, como se o ato de nomear criança se incluísse entre os caprichos de natureza pessoal. Felizes aquelas que, conservando o de batismo, adotam segundo nome ou apelido e em torno deste se realizam, sem se importar com o que ficou lá no registro. Mas, isso é para poucos, uns raros casos de personalidade acima das circunstâncias!

Menos traumáticos, nomes estrangeiros de difícil pronúncia, porém achados bonitinhos, são aplicados aos pimpolhos pelos pais. No início, tentam falar o nome do filho, não conseguem, terceiros pronunciam de forma pior, até que arrumam apelido para o(a) pobre coitado(a), mas quando vem a escola tudo começa de novo; e outro apelido costuma surgir. Na melhor das hipóteses, o nome gringo se ajeita à leitura tupiniquim, como o garoto de nome (registrado) Uoston, que se acredita ser, originalmente, Washington! A persistir a tendência de nomes estrangeiros ou criados mediante fusão de outros, dentro de no máximo de vinte anos, Maria, José, João, Antônio, Joaquim, Manoel, tradicionais antropônimos luso/brasileiros, terão desaparecido das listas telefônicas. Basta observar convites para as festas de conclusão de cursos nos últimos anos. Dificilmente se vê um daqueles nomes, tão comuns entre os das gerações acima dos quarenta.

Mais curiosa ainda é a diferenciação de classe social na grafia de nomes, entre os mais comuns, alterada mediante letras dobradas ( "ll", "nn", "tt") ou a substituição do "i" por "y". Quanto ao "y" este escriba, favorecido com a mencionada letra ao ser registrado, já ouviu muito a pergunta-exclamação: "uai, seu nome é com "y"? De acordo com lógica rasteira tupiniquim o "y" no meu nome, em particular, é anomalia! Quando se trata de bacana, celebridade ou figurão, aceita-se naturalmente aquela letra e a pergunta deixa de ser feita. Nome de pobre é que não pode ser escrito com "y" ou com letra dobrada. Diante do figurão, a subserviência ainda pede esclarecimentos: "seu nome é com um ou dois tês, doutor?".

Fala-se tanto em oportunidade, liberdade de escolha, cidadania e, no entanto, ao indivíduo mal e porcamente nominado não se dá uma chance de trocar o nome rejeitado. Bastaria que se considerasse provisório o nome de registro de nascimento, reservando-se ao indivíduo o direito de confirmar ou trocar o nome (prenome) ao se completar a maioridade. É claro que o nome original se conservaria no registro como referência de identidade. A desculpa de eventual distância do cartório e dificuldades em transpô-la, por ocasião da opção, está praticamente descartada, pois a informática e a internet estão aí para dar solução. Só assim, pais usariam bom senso na escolha de nomes e o cidadão poderia tirar uma trava do seu estado emocional.

 nbatista@uai.com.br

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