PONTO DE VISTA DO BATISTA

Criminosos disfarçados de políticos

Enquanto se prepara para definir seu voto, nas eleições municipais deste cinco de outubro a se realizar em todo o país, o brasileiro sente mais uma vez o gosto amargo da corrupção a fazer frente à sua noção de cidadania e de responsabilidade política. Sente-se debochado, ultrajado e manipulado por leis feitas à conveniência de uma minoria que, a despeito dos males causados à coletividade, continua no poder e faz da coisa pública o quintal de sua casa.

Ao cidadão se aconselha dar o voto com critério, mas, diante do sistema político-partidário-eleitoral vigente, múltiplo em siglas e fechado nas mãos de poucos, nem sempre há como escolher sem errar, ou escolher a raposa para tomar conta do galinheiro. O sistema favorece as cúpulas partidárias e estas controlam todo o universo eleitoral, de forma a desestimular o surgimento de lideranças que ponham em risco interesses pessoais dos primeiros. Por essa razão, políticos notoriamente corruptos, envolvidos em múltiplos processos na Justiça, continuam a disputar eleições, conquistam cargos e prosseguem na vida de "assaltos" ao bem comum. A Polícia, ou o Ministério Público, levanta o predador, a Justiça o agarra, mas falta a corda para pendurá-lo pelo pescoço! E o cidadão continua sua sina de joguete nas mãos desses criminosos disfarçados de políticos!

A imprensa noticiou nesta semana, véspera das eleições, a denúncia feita pela Procuradoria em Crimes de Agentes Municipais ao Tribunal de Justiça contra, pelo menos, vinte e três prefeitos mineiros dentro de esquema que envolve mais de três dezenas de empresas, cerca de cem servidores públicos, mais de quarenta empresários e representantes comerciais em licitações fraudulentas e desvios de verbas. O Ministério Público já pediu a prisão preventiva desses vinte três prefeitos, mas, de acordo com o noticiário, mais de oitenta municípios ainda estão sob investigação. Os crimes de que são acusados foram praticados contra os serviços de saúde de cidades pobres e pequenas, cujas populações dependem do poder público até para a cura de simples dor de barriga. Todos os grandes partidos ou de maior evidência têm prefeitos envolvidos no esquema, e, dos vinte e três denunciados até agora, dezoito são candidatos à reeleição neste domingo, cinco de outubro.

De acordo com a Lei Eleitoral não podem ser presos antes das eleições, continuam candidatos e, depois, se reeleitos e diplomados, novamente a lei os favorece até o julgamento, que ninguém sabe quando será ou se haverá. É isso que constrange o cidadão consciente, desestimula o eleitor de participar ativamente do processo eleitoral e causa indignação à população. Não é possível que esses bandidos continuem com o direito de se eleger e gerir a coisa pública, sem causar, à consciência política nacional, danos talvez piores que os de natureza sócio-econômica. Há que por um basta neste estado de coisas! Em todo o país, o número de candidatos com algum débito na Justiça - portanto não merecedores do voto popular - é muito grande, mas a lei, por algumas de suas brechas, lhes garante o direito. Eleitos os maus candidatos, a culpa é debitada ao eleitorado, configurando-se a grande incoerência, pois a própria lei, se justa, deveria excluí-los das listas apresentadas pelos partidos.

A sociedade precisa reagir, não com o simples repúdio à situação estabelecida, mas indo além com proposições que alarguem o conceito de democracia e a faça espaço político onde se situem todos os cidadãos, independentemente de suas condições. O sistema político-partidário-eleitoral tem cavado profundo fosso entre o povo e a classe política; esta encastelada entre privilégios e mordomias, incluindo-se a impunidade, e aquele manipulado, enganado e convicto de que vive em regime democrático verdadeiro. Por enquanto, não resta ao eleitor não conivente, senão adotar o VOTO ZERO, ou seja, preencher com zeros o número do candidato. Partidos políticos já fizeram mal demais à humanidade!

nbatista@uai.com.br

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