PONTO DE VISTA DO BATISTA
Subserviência a criminosos
Mais do que em qualquer outra
época, a importância da imprensa é evocada nestes de tempos de
transição entre um mundo relativamente estável, onde conquistas,
realizações e mudanças se processavam pausadamente, e outro onde tudo
se transforma num ritmo difícil de ser acompanhado pela grande maioria.
Se não bem debatidos muitos dos novos caminhos que se abrem para a
sociedade humana, corre-se o risco de optar por algo que mais à frente
a colocará frente a dilemas cruciais, no campo da ética, da moral e da
própria segurança da espécie. Somente a imprensa, livre de quaisquer
imposições, tem o poder de por em debate e, ao mesmo tempo,
intermediar, democraticamente, a discussão de temas confrontantes com o
estabelecido, para que a opinião pública então se forme e tome o
caminho que, a seu juízo, é o que melhor lhe convém. Não havendo a
imprensa com seu poder de colocar em ação o diálogo entre os
contrários diante do público ao qual mais interessa o tema, a
sociedade tende a cair sob a manipulação de grupos nem sempre
portadores dos mesmos interesses, ou em harmonia com os da sua maioria.
No campo investigativo,
especialmente, tem-se verificado que sem o poder da imprensa livre
numerosos escândalos não acontecem, mas os crimes, os conluios e
falcatruas em prejuízo da sociedade continuam a existir e, o que é
pior, a enganar cada vez mais, a ponto de promover o endeusamento de
seus autores. Na onda de escândalos que agita a opinião pública
"surfam" personalidades, há muito tempo comprometidas com o
ilícito, a amoralidade e anti-ética, embora aos olhos de todos
aparecessem como limpas de mácula, ou "gente boa" em
linguagem mais simples. Por ter sido a imprensa garroteada em algum
tempo no passado, inescrupulosos jogadores e oportunistas, frente à
fragilidade da sociedade, se imiscuíram em todos os setores da vida
pública e construíram o império do engodo que, hoje, a duras penas se
desfaz aos olhos de um público que ainda se estarrece. Entretanto, a
queda da máscara só revela a autoria e, por si só, não extirpa o
mal, cuja raiz se fez profunda ao longo do tempo com o preparo de
seguidores na mesma linha da corrupção. Só a constante vigilância da
imprensa pode impedir que a "escola" da corrupção continue e
permitir que a opinião pública se mantenha com capacidade de
indignar-se. Em se tratando de mazelas, o trabalho do profissional de
imprensa se faz necessário para investigar, denunciar, mas sobretudo
formar a opinião pública, com destaque para a juventude em idade
escolar cuja capacidade de discernimento está a se desenvolver.
Pena é que nem todo
profissional de imprensa, assim como de qualquer outro setor, esteja
consciente do seu papel e da grande responsabilidade perante o público
que, muitas vezes, busca parâmetros sob os quais abrigar suas decisões
e conduzir suas vidas. Quando repórteres abrem espaço demasiado a
criminosos confessos diante das câmeras de televisão, indiretamente
estão quase a fazer apologia ao crime. Se autores querem se defender e
negar a autoria do crime, é um direito que lhes cabe, mesmo diante de
todas as provas em contrário, mas vangloriar-se do feito diante do
público é tripudiar sobre a vítima. De instrumento dos marginais,
repórteres de televisão se fizeram ao lhes serem apresentados os
culpados confessos que, com o uso de helicóptero fizeram o resgate de
presos em penitenciária. Aqueles profissionais se rebaixaram e
permitiram o deboche, o achincalhe e mais uma agressão à sociedade e
suas instituições por parte de dois bandidos. As vergonhosas cenas -
hilariantes para os repórteres - constituíram verdadeira propaganda do
crime! Se resultar em ampliação de seu mercado, parte do
"crédito" será dos ditos profissionais de imprensa e
respectivos veículos!