|
OPINIÃO
Cultura mineira
Sob novas lideranças
políticas e boas perspectivas econômicas, em sintonia com o desejo de
se buscar mais progresso, que deve ser compartilhado com as demais
unidades da federação no resultado final, Minas Gerais novamente
aflora como estado catalisador em várias frentes do processo de
desenvolvimento nacional. Culturalmente é o estado que mais criou
raízes e, após sedimentar seus modos, usos e costumes consagrados em
manifestações artísticas, produziu um tipo humano mais universalista;
um tipo humano encarnado por mineiros à frente dos mais significativos
fatos históricos da pátria, e na autoria da arte que sempre se fez
presente em todas as áreas, para que maiores sejam os motivos do
orgulho nacional.
Foi em Minas que o
sentimento nacionalista tomou mais corpo, isto depois de uma
introspecção tendo como causa a necessidade de dar solução a
problemas mais imediatos, com os próprios recursos, enquanto a coroa
portuguesa, seus representantes, os proprietários e os administradores
estavam distantes, mais preocupados com o próprio conforto, assim como
hoje alguns colhem os louros pelo trabalho anônimo de muitos. Enquanto,
das entranhas da terra o ouro e as gemas eram extraídos, do interior de
si o povo mineiro fez brotar uma cultura abrangente, que se fez presente
na formação desta nação, desde os confins da Amazônia em sua parte
mais setentrional até à planície dos pampas, no sul. E, o que no
princípio era local, mineiro, tornou-se universal, levado nas asas
verde-amarelas da arte e do saber brasileiros. Mas, assim como ao
observador no fundo do vale não é dado vislumbrar o que se descortina
aos olhos de quem está no topo da montanha, aos pobres de espírito,
apesar da rica roupagem intelectual, é difícil perceber o que seja cultura
em sua verdadeira acepção. Daí os embates em que Minas se vê
envolvida, quando a tomar rumos traçados por sua própria condição
universalista, profundamente ligada ao passado e às raízes, porém
abraçando o futuro na busca do novo, que preserva o feito e dá alento
ao por fazer.
Ainda não há muito tempo,
certo círculo intelectual fez chacota em torno de um ministro da
Cultura (de origem mineira), quando disse que até a broa era uma
manifestação da cultura brasileira, querendo com isso dizer que
cultura não se restringe às produções artísticas nos grandes
salões, oriundas das cabeças mais privilegiadas, mas envolve todo o
saber, acadêmico ou não, que caracteriza um povo. Mas o motivo da
zombaria não foi propriamente a broa em si, notando-se como causa
maior a cultura mineira e o fato de o ministro também ser
mineiro; porque se o objeto da argumentação fosse a
"polenta" (pronunciado com o "o" bem aberto) que,
naquele círculo preconceituoso, nada mais é que o nosso angu com
apelido italiano, a reação teria sido bem diferente. Mais
recentemente, tentaram ridicularizar Minas, chamando o grupo mais
íntimo do então presidente da República de "república do pão-de-queijo", numa alusão depreciativa àqueles políticos
mineiros e ao produto de nossa culinária. Só que desta vez, quebraram
a cara. Minas continuou em cena e o pão-de-queijo ganhou mais
prestígio.
Diz o dito popular
que "pau que cresce torto, morre torto". E a turma da garoa
não tem jeito mesmo. Bastou elevar-se um seu representante à
condição de ministro da Cultura deste governo, para vir ele a público
dizer que "em Minas ainda há um pouquinho de cultura". De que
cultura fala o nosso ministro, e da qual Minas quase nada mais possui?
Será que ele fala de algum capim especial cultivado em São Paulo?
Ora, sr. ministro de
"um pouquinho de cultura", vá catar coquinho, vá!!!
nbatista@uai.com.br
TEXTOS
A BROA |