Adeus, curral eleitoral!
Passado o vento
eleitoreiro, operadas e conferidas as urnas na apuração dos votos,
chega a hora da avaliação dos resultados, que transcendem os frios
números conquistados pelos que se aventuraram ao julgamento do
eleitorado. Independentemente do que sejam e do que façam políticos
sob a proteção desse sistema político-partidário-eleitoral, a duras
penas o povo assimila lições e, paulatinamente, quase imperceptível,
se reorienta no comportamento diante da mentalidade dominante entre
os que detêm o poder. Ironicamente, é a própria teimosia em manter
as condições adversas do povo, com fins de exploração, que tem feito
a reversão do conceito popular de política, embora ainda de forma
insuficiente para a mudança do quadro.
De tanto apanhar, o povo
aprende; devagar, mas aprende. Deveria ser pela educação, mas
enquanto esta não vem em sua plenitude, o sofrimento faz purgar
conceitos errôneos, acumulados por gerações, e ajuda alargar o
horizonte diante dos olhos livres da "catarata" formada pela
ignorância.
O recente pleito municipal
desfez ilusões, como sempre, de ponta a ponta, dos néscios ávidos
por uma boquinha aos competentes e bem intencionados, porém
destituídos de bagagem condizente com o que pleiteiam diante do
eleitorado. Há que aprender que carreira política digna desse nome
não se inicia com a primeira disputa por cargo eletivo na
administração pública, sendo certo que, precedendo-a, conta-se a
vida em família, na escola, no trabalho e a relação com a
comunidade, sobretudo esta que deve apresentar saldo favorável à
coletividade. De outra maneira é aventura que pode ou não dar certo!
Lamenta-se, em Cachoeira
do Campo, o fato de o distrito não ter elegido sequer um vereador, o
que tem dado margem a ácidas críticas por parte de alguns, cuja
opinião aponta como causa a inexistência de consenso coletivo em
torno de nomes nos últimos pleitos. Em população, o distrito é maior
que muitos municípios e, no entanto, os votos têm se esfumaçado em
torno de todos os candidatos apresentados. De fato, falta esse
consenso, mas para que ele aconteça naturalmente há que haver
lideranças políticas. E verdadeiras lideranças políticas é o que tem
faltado, não só em Cachoeira do Campo, como em todo o município de
Ouro Preto!
O eleitorado cachoeirense
não deve se sentir frustrado, porque o fato de não eleger nenhum
vereador prova, pelo menos, que aqui não se forma curral eleitoral
de ninguém. Tentativa oportunista não faltou, havendo até quem aqui
tenha estabelecido domicílio, na intenção de implantar bolsão
revoltoso em espécie de apartheid. Mas ficou na tentativa, porque o
povo começa a ver algo além da cortina de fumaça. E o que foi caso
político durante algum tempo pode voltar a ser caso de polícia!
Ao contrário do lamento,
os cachoeirenses devem sentir orgulho, pois, diante da falta de
lideranças políticas locais, não se deixaram levar pelo oportunismo
e nem pelo coronelismo. O eleitorado cachoeirense se mostrou livre
de influências estranhas, votando com personalidade própria.
Registre-se ainda o fato de não haver a figura do vereador
distrital. O vereador é municipal, significando que cada dos eleitos
representa todos os munícipes, desde o residente na sede (cidade)
até o cidadão residente no local mais remoto do município
Durante muitos anos, dois
currais eleitorais funcionaram em Cachoeira do Campo, explorados
pela politicalha ouropretana que viu, nos despojos culturais do
sistema político-partidário monárquico, campo fértil para suas
matreirices. O que antes era contido e mantido por partido passou a
conter partido e por este ser explorado. Em torno do peculiar
dualismo político local, criaram-se mitos e lendas, e a estes, por
muito tempo, se debitaram omissões e desleixos administrativos
municipais com relação ao distrito, outrora próspero e pujante. Esse
tempo passou, graças a Deus!
E, partidos políticos já
fizeram mal demais à humanidade!