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DESABAFO DE MIGUEL BURNIER
Nós nos sentimos na
necessidade de manifestar sobre os que "atuam" em Miguel Burnier.
O sentimento
retratado no último final de semana pela comunidade de Miguel
Burnier, demonstra indiferença dos que poderiam e de certa forma
deveriam agir em prol da melhoria de Miguel Burnier. Uma localidade
responsável por sustentar o início do desenvolvimento do Brasil, e
que até hoje contribui para este desenvolvimento. A carência da
comunidade de Miguel Burnier é bastante visível; crianças e jovens
vivem em situação de vulnerabilidade social, sem muitas opções, a
não ser as ações da própria sociedade civil, que é bastante limitada
nos recursos necessários. Como exemplo, duas jovens de apenas 16
anos, estão para dar a luz ao segundo filho. O patrimônio histórico
e cultural de Miguel Burnier está ameaçado pelo descaso dos que
deveriam agir na valorização, no resgate e na preservação de uma
região tão importante para o nosso país.
São várias mineradoras
instaladas no distrito de Miguel Burnier, que em 2008 somaram a
arrecadação para o município de Ouro Preto no valor de R$
4.894.691,85, sendo em 2009 o valor bem superior. O poder público,
na responsabilidade da Prefeitura Municipal de Ouro Preto, demonstra
atenção ao distrito, mas faltam ações efetivas na melhoria da
qualidade de vida dos que vivem em Miguel Burnier. A comunidade está
aborrecida por ver membros da PMOP visitando e observando o distrito
sem nenhuma ação concreta. Ações efetivas que devem ser tomadas para
a valorização, o resgate e a preservação da identidade de Miguel
Burnier.
A Gerdau Açominas
chegou a Miguel Burnier no ano de 2004. Desde então a identidade da
comunidade se viu cada vez mais ameaçada pelas ações da mineradora,
que se instalou fortemente nas terras de Miguel Burnier. Hoje a mina
de Miguel Burnier explora mais de um milhão de toneladas de minério
de ferro por ano, proporcionando recordes à Gerdau Açominas. A
comunidade perdeu a liberdade de visitar os parentes e amigos
falecidos e enterrados em Miguel Burnier, pois a peneira molhada da
Gerdau está praticamente em cima do cemitério. O campo de futebol
que foi motivo de orgulho para muitos em Miguel Burnier, hoje é o
almoxarifado da empresa. O seminário que formou vários padres que
atuam pelo Brasil e que abrigou diversas crianças durante o
funcionamento do orfanato, hoje é o refeitório da empresa. O segundo
alto-forno do Brasil, considerado o maior sítio arqueológico da
siderurgia no mundo, sofre burocracias para ser visitado e
fotografado por estar dentro da planta da empresa. Quando chove
forte no distrito, a comunidade vive um mar de lama, o que nunca
ocorreu em Miguel Burnier. Os que trabalham para o funcionamento da
Gerdau em Miguel Burnier, sentem receio de perder o emprego por
participarem de ações comunitárias promovidas no distrito pela
sociedade civil. O maior aborrecimento da comunidade é a falta de
diálogo da empresa em todas as situações
apresentadas. Contrapartidas deveriam ser direcionadas à comunidade
de Miguel Burnier, principalmente pela Gerdau demonstrar no cenário
brasileiro o comprometimento com a responsabilidade social.
Esperamos que os
responsáveis possam colocar a mão na consciência e desenvolver ações
organizadas e sistematizadas para a valorização, o resgate e a
preservação de Miguel Burnier. A comunidade não pode mais abaixar a
cabeça e ficar esperando que algo seja feito. Ações efetivas devem
ser tomadas.
texto de responsabilidade do:
PROJETO ESTAÇÃO
CULTURA
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