PONTO DE VISTA DO BATISTA

Desmazelo e desperdício tupiniquins

O tema desta semana teria sido focalizado na edição anterior ao recesso, se não tivéssemos resvalado para o caso da corrupção que é o assunto do momento. Assim como, de vez em quando, o escriba fica numa secura total sem ter com que se ocupar ao escrever, acontece também de se desviar do assunto escolhido e se embrenhar por outro. Mas, de certa forma, até que a corrupção tem alguma ligação com desperdício, que será o centro de nossas atenções nestas linhas.

O perdularismo brasileiro começa com o desrespeito ao tempo de terceiros, ou seja, com o não cumprimento de horários pré-determinados. Rompe-se o compromisso do horário com a maior sem-cerimônia, como se fosse simples questão de opção entre chegar na hora combinada e chegar com atraso, escolhendo-se a segunda para se fazer notada a pessoa em questão. E algumas dessas pessoas, bastante afeitas ao hábito do atraso, superam a cara-de-pau mediante comentários como "atrasei-me um pouquinho", "a reunião já começou?" quando, na verdade, a reunião já está no fim, ou não teve início porque a presença daquela pessoa era imprescindível, infelizmente. Outras vezes, foge-se ao comparecimento, sem nenhuma explicação, somando-se desrespeito pelo próximo e desprezo pelos meios de comunicação, cuja utilidade deveria ser considerada para a liberação do tempo da outra parte envolvida. Tais pessoas não se dão conta do transtorno provocado na vida de outras, cujo tempo, desperdiçado com o nada, teria sido aproveitado em atividades diversas, se não bloqueado pela desorganização e irresponsabilidade.

Passando do tempo ao produto do trabalho, desrespeito e desperdício continuam em destaque no comportamento dos insensíveis. Mas, a extensão do mal escapa à percepção imediata, evidenciando-se com mais facilidade diante do diretamente prejudicado com o desrespeito e desperdício. E foi isso que se observou na Praça Tiradentes, tarde de oito de julho, aniversário de Ouro Preto, sexta-feira, dia em que, semanalmente, o jornal O LIBERAL chega às mãos do público. O carro do jornal estacionado em frente ao prédio da Câmara e as meninas a sobraçar pesados volumes, tem início a distribuição daquela edição entre os que transitam por aquele local. Alguns principiam a leitura ali mesmo, a maioria guarda-o, naturalmente, para ler em casa. Mas, outros apenas o folheiam rapidamente e, antes que as distribuidoras deixem a praça, lançam-no ao lixo. Pior ainda, fazem os que simplesmente o jogam na rua!

Há dezessete anos, a se completarem neste agosto, O LIBERAL circula, a partir de Ouro Preto, em cerca de sete municípios da região. De forma gratuita, é lido por algo em torno de quarenta mil pessoas. É respeitado e aguardado, semanalmente, pelo público. E anunciantes do pequeno ao grande porte lhe dão credibilidade. Pena é que uns poucos, dos que o recebem nas ruas, não se dêem conta disso; às vezes, nem de que o anunciante é quem lhe paga o salário. Sequer o lêem antes de jogá-lo ao lixo ou transformá-lo no próprio nas ruas da cidade. Com tal comportamento, desrespeitam o leitor, que não tem oportunidade de recebê-lo, e o anunciante que paga para que o jornal seja editado e distribuído; ignoram os que deixam de receber mensagem ou informação importante para si; enfim, desperdiçam tempo de trabalhadores e materiais envolvidos na edição. Os mesmos desrespeito e desperdício se configuram em outras situações como lançamento de lixo a esmo, depredação do patrimônio público e privado com pichações e demais atos de vandalismo, cujos prejuízos recaem em toda a coletividade.

nbatista@uai.com.br

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