Desrespeito ao contribuinte
Neste país abençoado por
Deus e, por vezes, suspeito de ter o dedo do diabo na administração
pública, tudo pode acontecer, desde a ingenuidade do cidadão
trabalhador, que ainda acredita em políticos, até a negação do
próprio serviço pela mesma administração quando esta resolve
desconhecer direitos de quem com ela interage. Existente em razão da
necessária ordenação do bem comum e pelo bem estar da coletividade,
a administração pública se desvirtua, chegando mesmo a atuar como
algo à parte, alimentada por ações contrárias aos seus reais
objetivos. "Educado" para tudo acatar sem pestanejar, ouvir e ficar
calado, ver e fingir que não viu, sentir-se mal e sorrir de gozo, o
povo é atropelado em seus direitos, a ponto de até mesmo a crer em
culpas que não são suas.
E em se tratando de
atuação à revelia dos direitos do cidadão e da coletividade, a
administração municipal de Ouro Preto vai longe, não importa que
tenha que negar o excelente anunciado em seus serviços. Os fatos
acontecem, cidadãos silenciam e, reciclado, tudo se repete!
Recentemente, contribuinte
procurou se informar sobre processo de restituição de IPTU, pago
duas vezes porque o serviço fazendário não acusou pagamento já
efetuado. O fato aconteceu em junho do ano passado. O administrador
do imóvel pagou o imposto por transferência eletrônica (internet),
e, cinco dias, depois o proprietário (sem saber que já estava pago)
esteve na Fazenda Municipal e pagou novamente. O administrador
requereu restituição e, dois meses depois, foi informado que o
processo estava pronto, o depósito seria feito em conta e confirmado
por carta. Esperou, esperou e nada recebeu. Em dezoito de fevereiro
último, ele voltou para se inteirar do que acontecia e teve a maior
surpresa.
Zeloso funcionário,
aparentando não ser da sua convicção o que transmitia, disse ao
contribuinte que não havia como fazer a restituição, pois se o
pagamento fora feito pela internet, o sistema contábil não tinha
meios de conferir. A prefeitura negava a excelência do serviço por
ela implantado em parceria com a rede bancária! O mesmo funcionário
repassou ao contribuinte cópia do documento, no qual estava
sacramentada a decisão da Comissão Julgadora de Primeira Instância,
em nome do Departamento de Receitas. Nele, depois das formalidades
próprias, está o fundamento da "sentença": "Desta forma, não
havendo comprovação da quitação do tributo e diante da fragilidade
do comprovante de pagamento via transferência eletrônica (Itaú bankline), por se tratar de documento impresso pelo próprio
contribuinte e de fácil manipulação, impossível se mostra a
restituição dos valores nos exatos termos do art. 43 do Código
Tributário Municipal".
Note-se que, além de negar
a restituição, a Comissão levantou suspeita sobre a honestidade do
contribuinte, aventando possibilidade de ele ter fraudado o recibo
emitido pelo sistema eletrônico. Junto ao banco foi conseguido
relatório sucinto sobre o pagamento efetuado, transferido para a
conta da prefeitura um dia antes de o segundo pagamento ser feito em
loja lotérica. O contribuinte passou a aguardar novo julgamento com
base no relatório do banco. Só faltava decidir que aquele relatório
seria também fraudulento, mas no dia 11 de março o requerente foi
informado que a restituição seria feita!
Tal Comissão não teve nem
a delicadeza de comunicar ao interessado a decisão tomada dia 13 de
janeiro de 2008, mais de um mês antes de ele procurar informações
sobre atendimento a direito seu. É assim que funciona a
administração municipal ouropretana, podendo o prefeito ter o nome
de A a Z!
Contudo, esta denúncia não
pode e não deve ser usada em apoio à oportunista campanha que se faz
pelo não pagamento do IPTU. O pagamento dos impostos é dever do
cidadão que, em contrapartida e de acordo com a lei, tem o direito
de protestar, reclamar, xingar e recorrer contra injustiças
tributárias, bem como exigir e cobrar aplicação correta da
arrecadação feita.
Interessante observar que
a indivíduo que, conhecendo o dono de dinheiro perdido e encontrado,
não lhe devolve, dá-se o nome de ladrão!