PONTO DE VISTA DO BATISTA

Deus é mesmo brasileiro!

Embora a estrutura governamental pareça tocada pela mão do diabo, há indícios a confirmar a assertiva popular de que Deus é mesmo brasileiro. Vejam que o gigante, debilitado por tanta incompetência dos governantes, oportunismo e corrupção de políticos, ainda sofre de uma paralisia total em diversos segmentos da administração com uma greve múltipla que se arrasta por cerca de três meses; isto depois de rebeliões policiais em diversas unidades da federação. Com uma população de cento e sessenta milhões de almas, outro país teria mergulhado na anarquia generalizada. Mas, não; o Brasil demonstra ser maior de que todo mal que lhe fazem. Continua de pé, a trabalhar e gerar riquezas que, fatalmente, correrão para as contas de uns poucos entre os quais a própria máquina sugadora de impostos. No outro extremo a também minoria, constituída pela bandidagem declarada, complementa com violência física, de todos os gêneros, a violência moral que se abate sobre o povo, vinda de onde se espera a manutenção da ordem, o cumprimento da Lei e o império da Justiça. E ainda há, na esfera política, quem diga que a dita violência física é determinada pelo desemprego e pela miséria, coisa que, se fosse verdade, teria feito deste país um caldeirão convulso, avesso ao controle legal. Esta é a sorte do povo brasileiro. Além de vítima da incompetência, da ganância tributária, da corrupção no Estado de direito, e da violência gerada pela ausência de autoridade, o pobre é insultado por sociólogos de botequim ao ter a pobreza apontada como geradora de crimes que acuam a sociedade.

Saindo da faixa da miserabilidade, é o pobre, seja ele empregado, autônomo ou pequeno empresário, que paga impostos pelo que consome e pela atividade exercida, mesmo porque não têm acesso às caras acessorias especializadas em brechas da lei, por onde escapam aqueles que seriam os maiores contribuintes. Por isso, este país ainda está de pé. E, cumprido o tempo legal para a aposentadoria, o pobre arca com mais indiferença, quando não o próprio abandono diante da doença ou da incapacidade para o trabalho, porque a burocracia da Previdência Social (eu disse Previdência?) é ágil na arrecadação da arraia miúda, porém lerda e burocrática ao extremo na hora de lhes reconhecer os direitos, denominados "benefícios" não porque. E é justamente a arraia miúda que mais sofre com a prolongada greve dos previdenciários. Que são justas as reivindicações daqueles funcionários, ninguém duvida, mas deveriam eles se lembrar que os contribuintes não têm culpa e não deveriam pagar com a protelação na concessão dos ditos "benefícios". Estão prejudicadas pessoas com necessidade de afastamento do trabalho para fins de tratamento de saúde, assim como candidatos à aposentadoria e outros contribuintes que buscam serviços e orientação do INSS. Até aposentados já têm seus pagamentos retidos, como conseqüência da greve, e ninguém se sensibiliza. A cúpula da Previdência preocupa-se com sua imagem e introduz melhoramentos no atendimento. Entretanto, reduziram-se as vantagens concedidas aos segurados, e, mais injustos são os critérios para a concessão do que restou. Que imagem ela pode querer?

Na própria mídia configura-se o desprezo para com aposentados, viúvas, idosos e todo universo de segurados, pois a todo o momento se fala sobre greve no setor de ensino, no setor da saúde e outros onde se constata movimento grevista. Da greve na Previdência Social (outro nome deveria ter esta coisa), entretanto, com graves consequências na vida dos segurados, poucos comentários são feitos. Até nesse momento, pobre, idoso, viúva e aposentado são discriminados!

nbatista@uai.com.br

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