PONTO DE VISTA DO BATISTA

Diploma não prova saber

Em relação à polêmica em torno da não graduação universitária de candidato ao cargo supremo da nação, no último fim de semana, o presidente da República fez declarações com as quais, em certos aspectos, nossa posição está afinada. Em diversas oportunidades abordamos, neste espaço, a questão da capacidade administrativa e mesmo profissional não respaldada por diploma que, não raras vezes, suplanta a de diplomados.

Não era para ser assim, mas o próprio mercado de trabalho, associado à mania de grandeza e busca de status social, criou o falso conceito de que somente o diploma qualifica e capacita o indivíduo. E, com base nisso abrem-se escolas, a torto e direito, paralelas à ansiedade de quantos em pleno exercício de suas atividades são forçados à busca dos cursos tipo "panela de pressão", para que não se vejam preteridos na escalada profissional e pelo mercado. Cansados de extenuantes viagens de até mais de duzentos quilômetros, alunos comparecem às aulas nos fins de semana e recebem diplomas que atendem às exigências estúpidas, mas que pouco acrescentam ao acumulado por meio da prática quotidiana. Sobra o orgulho de ser "doutor" ou coisa que o valha em alguma coisa. Por isso há tantos "profissionais" desqualificados; advogados que não sabem redigir uma petição; médicos que melhor fariam se fossem criar galinhas; professores que deveriam trocar de posição com alunos; e engenheiros, cujos conhecimentos não são suficientes para se construir uma cafua. Fiquemos com essas profissões somente, para que não se estenda muito a lista. Tanto o setor público quanto o privado superestima o curso superior, descartando o funcionário que não possui o canudo, mesmo que o conhecimento mediano seja suficiente para o exercício da função e a pessoa o tenha. Diante do graduado ele perde o posto e o salário, embora o trabalho até possa continuar a executar. Para qualquer função cujo exigível seria um pouco além do saber ler e escrever corretamente o recrutamento já tem como mínimo a formação universitária. É verdade que contribui um pouco para isso o grande número de profissionais titulados desempregados; descartados nas primeiras sacudidas que a economia deu para se livrar do então considerado excesso de pessoal na alta administração das empresas. Com a grande oferta de graduados, o mercado se tornou mais seletivo, forçando ainda mais a procura pela graduação a qualquer preço. Até analfabeto já foi aprovado em vestibular! E "fábricas" de diplomas são descobertas a toda hora. Para se ter um basta pagar.

O ideal seria cada indivíduo receber educação necessária até o limite de sua capacidade de aprendizado, aliada à formação para o trabalho na área para a qual melhor se inclinasse, ao invés de forçado a galgar estágio escolar incompatível com seu nível mental. Também para essa incompatibilidade foi encontrada uma solução às avessas, na forma de rebaixamento da qualidade do ensino, assim como se derruba o coqueiro diante da incapacidade de uns e outros para escalar até a altura do coco. Independente da situação forçada, na qual um diplomado, teoricamente, é mais bem qualificado, indivíduo não diplomado pode muito bem se igualar a diplomado, em capacidade de discernimento, pressuposto indispensável na formação do bom administrador. E é bom lembrar que administração se pratica com noventa por cento de bom senso. Os dez por cento restantes ficam por conta da técnica. Somando-se esse perfil ao ideal e liderança políticos, temos então potencializada a figura do presidente da República, que o preconceito não consegue ver desvinculada do diploma universitário. Não se trata aqui de fazer proselitismo em favor deste ou daquele candidato, por ser ou não diplomado, mas lembrar que o diploma não faz o sábio, assim como o hábito não faz o monge.

nbatista@uai.com.br

 

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