PONTO DE VISTA DO BATISTA

Dispensáveis na política

Daqui para frente, até outubro, queira ou não, o assunto é um só: eleições. Antes mesmo da escolha dos candidatos e seu lançamento oficial na disputa, a campanha já está nos cochichos em rodas de esquina, nos cumprimentos mais ostensivos acompanhados de largos sorrisos. Diz a lei que campanha eleitoral, só depois das convenções, mas na terra do jeitinho há sempre uma brecha por onde escapar dos rigores legais. Na mídia ele só pode aparecer como pré-candidato. Para tirar melhor proveito desta fase de candidatura enrustida, há que estar em evidência onde quer que haja concentração de pessoas, contribuir de alguma forma para a realização das festas populares, especialmente as de cunho religioso que, nesta época do ano, acontecem a cada fim de semana num ponto deferente do município. Por isso, gente que nunca foi vista em determinados locais e ocasiões, de repente, aparece à frente de iniciativas com pretensões a animação de eventos, nem que seja à custa do sacrifício de expressões culturais consagradas perante o público. O pré-candidato de fino paladar, em nome da popularidade, não se furta à mistura com a plebe para, de pé e prato descartável às mãos, forrar o bucho com farofa e perna de frango. O eleitor tem que ver que ele é feito da mesma matéria, nem que seja agora, porque passadas as eleições e conquistado seu lugar ao sol (com direito a boa sombra), a conversa é outra.

Detalhe interessante é que a grande maioria dos já inseridos no contexto político exibe-se sob novos rótulos partidários. Quem era do partido X, hoje é do Y, o partido B que vociferava contra C, agora troca com ele juras de amor! Nada é como foi há quatro anos! E o eleitor, atordoado com tanta volubilidade, não sabe onde amarrar sua égua, digo, depositar sua confiança e, posteriormente, seu voto. Agremiações partidárias acabam sendo apenas pontos de referência, pois nem sempre no mesmo curral, se encontram políticos da mesma espécie. Lobos, cães e cordeiros convivem no mesmo espaço. Pode, às vezes, um partido servir de mero trampolim para alcançar objetivos, sendo descartado depois, como fez um governador que governou Minas desvinculado de qualquer partido. E uma constatação vem reforçar a tese de que os partidos nada representam para os políticos brasileiros, seja porque as agremiações não têm em si os objetivos perseguidos, seja porque eles, os políticos, não são muito afeitos a fidelidade.

Parlamentares com assento no Congresso Nacional têm se conduzido mais por meio de bancadas temáticas, do que propriamente partidárias. Existem as bancadas ruralista, evangélica, da saúde, nordestina, etc. Até certo ponto é saudável a configuração suprapartidária na busca de soluções que contemplem toda a sociedade, independente de cor partidária ou ideológica. Mas, outros setores e necessidades, que não reúnem com simpatia um bom número de parlamentares, podem ser relegados a segundo plano, caracterizando então uma discriminação em que teríamos partes da nação representadas por bancadas e outras sujeitas aos caprichos da política partidária. A política não precisa ser, necessariamente, feita por intermédio de partidos, e a sociedade humana alcançou um estágio que lhe permite dispensar partidos políticos na formação de governos mais democráticos: governos do povo pelo povo, ao invés do governo do povo por intermédio do partido ou partidos A e B.

A humanidade não pode continuar dividida em facções políticas que contemplam partes e não o todo; não pode continuar a ser laboratório de ideologias que, a despeito do que diz a propaganda de todas elas, mata no homem o que mais o une dentro da espécie: o sentimento da fraternidade!

nbatista@uai.com.br

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