No governo
passado, como chefe do Executivo federal o Brasil teve a figura que,
com base em suas declarações orgulhosas de que não tinha passado
além do curso primário e era presidente da República, fazia pouco do
conhecimento acadêmico. Poderão dizer cientistas sociais de
botequim, que ele era, ou é, vítima do sistema, que não teve
oportunidade para estudar, e coisa e tal; por isso, não teve
oportunidade para estudar. Mas esse argumento não cola e tem em
contraposição inúmeros exemplos de pessoas, cujo passado é marcado
pela pobreza e dificuldades de toda espécie e hoje estão em posições
de vanguarda, titulados e a oferecer sua contribuição para a
evolução da sociedade humana.
Se tinha
ambições políticas, e tinha, tendo isso explicitado logo ao início
de sua carreira sindical, mais razão para que cobrasse de si próprio
o alargamento do conhecimento. Depois que se embrenhou pela via
sindical, tempo e recursos financeiros não lhe faltaram para que se
aprimorasse, adquirindo melhor status para assumir a posição
ambicionada. Aliás, em seu próprio ministério ponteou pessoa, que
passou por muitas necessidades materiais, tendo que exercer
trabalhos humildes para se sustentar, só se alfabetizou aos
dezesseis anos e, depois disso, alçou-se à posição conferida pelos
estudos acadêmicos. Mesmo entre aqueles que, por força de
circunstâncias diversas, não cursaram escola superior, muitos se
destacam mediante esforço próprio, autodidatas que são, de olhos nos
livros e a seguir pegadas de bons exemplos dentro do seu círculo
social. Portanto, pobreza e necessidade de trabalhar muito cedo
podem ser obstáculos, de certa forma transponíveis, mas não
constituem desculpa absoluta para não estudar.
O então
presidente não lamentava o fato de lhe faltar preparo escolar, mas
disso se vangloriava, atropelando palavras e gramática nos
discursos, causando constrangimentos e situações embaraçosas, por
sua falta de tato em momentos delicados, incluindo-se os de natureza
diplomática. Faltavam-lhe o conhecimento e o polimento tão
necessários a quem ocupa altos postos na vida pública!
Se seu governo
foi uma prova na vida política do país, assim com o são vicissitudes
na vida de indivíduo, dito predestinado a grandes realizações, o
Brasil a venceu e, no campo educacional, esperava-se que ventos mais
alvissareiros soprassem, garantindo melhor preparo aos seus
cidadãos. Portanto, caiu como desilusão sobre a cabeça de
professores da Língua Portuguesa e de educadores responsáveis a
aprovação, pelo Ministério da Educação, de livro a apontar como
certo o falar estropiado, em confronto com a gramática, próprio de
pessoas incultas, que não frequentaram escola ou dela não fizeram
bom proveito. A decisão favorável à aceitação oficial da fala errada
é de incoerência só admitida em alto grau de "sensibilidade
alcoólica" (expressão cunhada por amigo para definir embriaguês em
figurões). Se correta o fala errada, para que então se ensinar
Português? Para que anos de estudo no preparo do professor da língua
nacional? Em tudo há regras a serem seguidas, para que o bom, o
melhor, o ótimo e o excelente se manifestem nas variantes das
realizações humanas, incluindo-se a comunicação por meio da
linguagem vernácula, falada e escrita. Ao que não assimila, na
escola, o uso correto do idioma pátrio, não será cancelada a
identidade nacional ou negados os direitos de cidadania, mas a
escola não pode induzi-lo à negligência no aprendizado. Cabe a cada
aluno e cidadão, o direito de aplicar ou não o que lhe foi ensinado,
mas o educador se obriga a repassar o melhor e, para isso, deve
contar com os melhores instrumentos, entre estes, os livros.
A seguir por
esta linha oficial, teme-se a aceitação do falar errado transposta
para a área criminal, aceitando-se também o furto e o roubo com
parte do comportamento normal. Em parte, isso já acontece,
deixando-se de recolher à prisão culpados por crimes, ditos menores,
puníveis com até quatro anos de cadeia. Só falta mesmo a anistia
prévia, para que todos possam se locupletar à vontade e à custa do
esforço alheio, ao modo já praticado por políticos desonestos.
De volta à
questão do Português, foco a atenção sobre a palavra "presidenta",
preferência da suprema mandatária para o título do cargo que ocupa,
na condição de mulher. A questão tem dado pano para manga,
constituindo-se em polêmica a envolver a presidente e respectivo
círculo de puxa-sacos, de um lado, e críticos, incluindo-se
imprensa, de outro.Como particípio ativo do verbo presidir,
presidente é comum de dois (masculino e feminino ao mesmo tempo) e
não caberia o vocábulo presidenta mas, ainda que grande parte
proteste, a preferência da presidente tem respaldo nos principais
dicionários brasileiros, que o registram sem ressalvas, e no
português Prebiram, que diz ser pouco usado. Contudo, presidente,
dicionários e ditos puxa-sacos são mandados às favas pelos
defensores da língua, que preferem seguir regra geral para os
particípios ativos e rejeitam presidenta como termo exótico e
pejorativo.