PONTO DE VISTA DO BATISTA

Eleitorado, bode expiatório!

Os tristes e revoltantes episódios, recentemente acontecidos no Senado Federal, não constituíram surpresa para quem acompanha, nem que seja superficialmente, o desenrolar da política partidária neste país engendrado a partir de descobrimento programado; ocupado inicialmente por condenados e rejeitados em terra do descobridor; colonizado a princípio por latifundiários nomeados, valendo-se de mão-de-obra escrava, porque o colonizador não queria se sujeitar aos rigores do clima tropical; tornado independente pelo próprio herdeiro da coroa, para assim não perder a boquinha; tornado república por bando de espertos em pirraça contra a abolição da escravatura; e, finalmente, dominado por oligarquias surgidas na poeira da república mal configurada.

Outro resultado não se esperava de toda aquela lengalenga em torno das supostas traquinices do eventual presidente daquela Casa Legislativa, pois é do conhecimento do cidadão mediano que raposa não come raposa. O espírito corporativista é muito forte e vem muito antes de qualquer preocupação com coisas maiores da nação. Mesmo antagônicos em questões diversas, políticos se protegem como se irmãos fossem, cada qual a se prevenir contra pisadas em seu próprio rabinho. Além do mais, por a corda no pescoço do presidente do Senado seria o desatamento da aliança que sustenta o governo e pretende eleger o sucessor.

Embora seja o maior no cenário nacional, o partido do presidente do Senado, oportunista dos oportunistas, prefere ser aliado e não sair à frente com candidato próprio, o que convém ao do presidente da República, mesmo tendo que fazer pesadas concessões, meio de aquele tirar o maior proveito do governo sem ser governo. Por essa razão, muito mais nobre que qualquer outra pretensão nacional ou vontade popular - na concepção dos políticos que temos -, sabia-se de antemão, que entre mortos e feridos daquela vergonhosa refrega política, todos se salvariam. A cada escândalo político o resultado é esse; "panos quentes sobre...", "uma pedra em cima", "tudo para debaixo do tapete", seguido da confraternização com pizza. E assim continuará ad aeternum!

Continuará, enquanto não se fizer mudança radical no sistema, dando feição democrática de fato ao processo de escolha dos mandatários. O ideal é a escolha entre líderes naturais da sociedade, devidamente organizada e livre de partido político. Somente assim o eleitorado poderia ser responsabilizado pela qualidade de seus representantes e governantes e, como forma de corrigir o erro teria, sob mediação da Justiça Eleitoral, o poder de cassar qualquer mandato fora de sintonia com a ética, o zelo e a honestidade. No sistema atual atribui-se ao eleitorado a culpa pela má escolha, mas na realidade, o eleitor escolhe entre pratos feitos e apresentados pelos partidos. Como se vê, a culpa por esse estado de coisas é dos partidos políticos e não do eleitorado. Em vários textos tenho defendido o eleitorado, eximindo-o dessa culpa atribuída pelo próprio sistema e alardeado pela mídia.

Mais ou menos, o mesmo pensamento se encontra em trecho do MANIFESTO À NAÇÃO, datado de 15 de julho de 2009, do Lions Clube de Blumenau Centro, conforme se vê a seguir: "Assim como não se pode exigir que um filho imaturo seja exemplo para seus pais, mas sim o contrário, da mesma forma não se pode jogar nas costas da sociedade a responsabilidade pelo pouco caso que seus dirigentes têm para com a coisa pública, impingindo-se a ela, sociedade, a culpa por suposta falta de critério na escolha dos candidatos eleitos. Esta é uma forma ardilosa, perversa e demagógica de pulverizar a responsabilidade por má conduta, tirando-a dos ombros dos dirigentes para espalhá-la comodamente sobre os ombros dos dirigidos".

O Brasil precisa reagir, depressa, para se colocar nos trilhos novamente, e, seria bom se considerasse que partidos políticos já fizeram mal demais à humanidade!

nbatista@uai.com.br

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