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PONTO DE VISTA DO
BATISTA
O golpe do encarte e
errata
Não faz muito tempo,
foi aqui abordada a questão dos direitos do consumidor que,
ultimamente, tem merecido mais atenção por parte da mídia com
resultados palpáveis na conscientização do público e ações que
levam juristas a firmar jurisprudência na área. Mas, à medida que a
lei avança novas modalidades de abuso surgem contra o consumidor, assim
como a argúcia dos criminosos procura superar a técnica policial. Para
que não sejam colhidos de surpresa, consumidor e sociedade devem
conservar-se vigilantes, prontos para denunciar todo e qualquer
comportamento comercial que, de alguma forma, leve o consumidor ao
engano, a frustrações em suas expectativas de consumo ou o induza a
compra não desejada ou programada. Ao entrar na toca do lobo, a ovelha
deve estar vestida como lobo! Uma das modalidades de publicidade das
grandes redes de lojas é o encarte nos jornais de maior circulação.
É assim que temos, especialmente aos domingos, cadernos e folhetos
muito bem produzidos em papel de primeira linha, impressão em
policromia, com propaganda de utilidades diversas e seus respectivos
preços e planos de pagamento. O consumidor vê determinada mercadoria
constante de seu programa de compra, anunciada com todas as
características e vantagens por ele desejadas, incluindo-se preço e
modalidade de pagamento. Na segunda-feira, ele corre à loja e lá
descobre que foi enganado. Mostram-lhe que houve um engano no anúncio,
que tal mercadoria está em falta, ou não tem as características ditas
no anúncio, ou ainda que o preço anunciado está incorreto. Se o
consumidor não questiona, nem lhe falam mais nada sobre o assunto, é
direcionado para a compra de outra mercadoria. Se questionado o
anúncio, que alguns consumidores fazem questão de levar consigo para
provar na hora, a gerência então lhe mostra que foi veiculada uma
errata, corrigindo o anúncio. Agora, vejam bem a diferença entre o
anúncio e a tal "errata". O anúncio vem em folheto vistoso,
em cores, com ilustrações, encartado no jornal. A "errata"
é um quadrinho, em preto e branco, perdido nas páginas interiores do
mesmo jornal, que o consumidor depois de ler algumas manchetes deixa de
lado ou lhe dá outro destino. Ninguém lê aquele pedacinho, com
exceção de quem esteja à procura dessas "pequenas"
armadilhas preparadas por espertos. Há muitos consumidores que,
interessados na aquisição de algum produto, procuram o encarte com
quem tem o jornal e nunca vão procurar saber se o anúncio foi
retificado. De ter deixado de cumprir o dever de veicular a errata
ninguém pode acusar o lojista. Mas quem soube dela? É o mesmo caso da
advertência nos anúncios de cigarro, à entrada da lei em vigor. Ela
parecia mais uma linha branca na tela do televisor, tão miúdos eram os
caracteres usados. A lei era cumprida mas não atingia o objetivo junto
ao público. Mas, será que no caso dos encartes são mesmo erros
involuntários? Não seriam erros propositais para atrair consumidores
aos quais outros produtos possam ser vendidos?
O que move a dúvida
é o fato de os erros nunca serem favoráveis ao consumidor. Ninguém
encontra, nas lojas, determinada mercadoria com vantagens superiores às
anunciadas nos encartes. É muito estranho que os erros só aconteçam
dessa forma. Em tempo de vacas magras no comércio, a esperteza poderia
estar a atrair incautos, que não resistem a uma boa conversa do
vendedor e acabam comprando o que não foi programado. Entretanto,
enquanto um consumidor, que se sentir prejudicado, não questionar o
fato junto ao Procon, os erros em anúncios continuarão a acontecer.
nbatista@uai.com.br
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