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PONTO DE VISTA DO BATISTA
Enganação pré-eleitoral
Se o ano eleitoral não fosse parte
de calendário pré-estabelecido, portanto, previamente do
conhecimento de todos, ao bom observador não faltariam sinais de que
ele se aproxima, assim como ao marinheiro a proximidade de terra é
denunciada por sinais na água e no ar. Invariavelmente, depois de
três anos de hibernação, a solicitude se mostra mais uma vez,
antigos projetos saem das gavetas e tudo vai mudar para melhor. A
sereia está a postos e público para seu canto ilusório não falta,
mesmo tendo sofrido decepções no passado. E, justamente por isso,
profissionais da mentira não se pejam de voltar a fazer as mesmas
promessas, pois contam com boa receptividade dos acostumados com a
enganação.
A exemplo da seca do Nordeste,
necessidades e anseios populares são mantidos indefinidamente como
recursos, guardados na “geladeira”, para serem usados nas campanhas
eleitorais. A cada eleição lá vem a mesma cantilena, que o povo ouve
e por ela vai ao delírio, esquecendo-se de ter ouvido e sentido
aquelas mesmas sensações em diversos momentos pretéritos. Ao longo
do tempo o quadro se mantém o mesmo: de um lado, o político a
repetir as mesmas promessas como se novidades fossem, e do outro o
povo, sempre esquecido quanto ao já ouvido e sofrido. Como animal
buliçoso, inquieto, estimulado ao movimento constante, deslocando-se
no espaço próximo e/ou distante, de acordo com o grupo em que se
insere, o homem necessita de caminhos. Isoladamente, ele abre
trilhas, e em comunidade sempre sob dependência do poder político,
abrem-se ruas, avenidas, estradas e auto-estradas, etc. Conhecedores
dessas necessidades e da fraca memória do povo, enganadores de
plantão se especializam na arte de simular o atendimento antes das
eleições, para tudo ser esquecido depois. É assim que estradas de
acesso a rodovias, ligações entre cidades próximas, e outras obras
do gênero são exploradas à exaustão.
Certo político, atualmente oculto
pelas nuvens da própria política, ficou conhecido em toda esta
região por obras anunciadas e nunca executadas. A estrada Cachoeira
do Campo/Santo Antônio do Leite foi uma delas. Por várias vezes
máquinas foram, estrategicamente, colocadas ao longo daquela
estrada, para dar impressão de que as obras de asfaltamento teriam
início. Passadas as eleições, máquinas desapareciam, o político
também, e só na campanha seguinte se ouviria novamente falar daquela
obra, até que finalmente a estrada recebeu pavimentação, mas, sem
participação daquele político.
A bola da vez na região é a
duplicação do trecho urbano da Rodovia dos Inconfidentes em
Cachoeira do Campo. A estratégia é a mesma: às vésperas de cada
campanha eleitoral anuncia-se destinação de verba, fazem-se medições
do trecho e até placa com anúncio da obra se fixou certa vez.
Enganam o povo mais simples que nem imagina quantos procedimentos
são necessários para que obra desse porte possa ter início, sem
falar na desapropriação dos imóveis ao longo do trecho em questão.
Não se trata de simples alargamento e sim da construção de outra
rodovia, paralela à existente. Diria que é mais fácil se decidir
pela construção de contorno – com valores menores em desapropriações
- do que duplicar a Avenida Pedro Aleixo (denominação do trecho
urbano em questão), mesmo porque rodovia a cortar centro urbano não
está bem afinado com modernos conceitos rodoviários.
E já que se mencionou possível
trecho de contorno rodoviário em Cachoeira do Campo, conto aos mais
jovens uma curiosidade. No projeto original, a estrada que evoluiu
para a atual Rodovia dos Inconfidentes teria outro traçado dentro de
Cachoeira do Campo. Na região da Vargem, a estrada entraria por
onde, hoje, estão as instalações da TAQ, passaria ao pé da “serra”
da Mãe Engrácia, atravessaria a Rua Tombadouro no seu início e
seguiria até o Fecho do Funil, onde está localizado o viaduto do
mesmo nome. Por alguma estranha conveniência alterou-se o traçado
para o atual, onerando a execução do projeto em duas pontes (a da
Vargem e a do Vai-e-Vem) e dois grandes cortes em pedra juntos às
citadas pontes.
Não me surpreenderia se contorno
fosse construído, seguindo mais ou menos o projeto original!
nbatista@uai.com.br
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