|
PONTO DE VISTA DO
BATISTA
Enrolando o povo
Há zum-zum solto na rádio
peão a dizer que o tráfego da rodovia BR-381, comumente chamada
"rodovia da morte" devido aos constantes acidentes com consequências
trágicas em perdas de vidas humanas, será transferido para a Rodovia
dos Inconfidentes. Por enquanto, além da rádio peão, que não cita
fonte, a notícia não consta nem no "site" do DNIT, que seria a fonte
correta, uma vez que a rodovia em questão é federal.
Ainda há poucos dias,
precisamente no dia quinze de agosto, o "site" www.uai.com.br
informava que "a elaboração dos projetos
executivos para a duplicação da Rodovia da Morte (BR-381 entre BH e
Governador Valadares) pode ser suspensa por falta de pagamento por
parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit),
adiando o início das tão sonhadas obras. Denúncia de empresas
contratadas pelo órgão dão conta de que o governo federal teria
empenhado somente metade da verba necessária para custear os
projetos de engenharia. Sem o montante restante os estudos podem ser
paralisados. Mas de acordo com o Dnit, nenhum pagamento está
atrasado e, inclusive, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
garantiu os R$ 2,5 bilhões para a execução". E, no dia
dezenove do mesmo mês, o governador, em campanha pela reeleição,
criticou a não duplicação da BR-381 como fruto da falta de vontade
política, de
sensibilidade e de
boa gestão do Governo Federal; o que é estranho, se providências
para a duplicação já estivessem em andamento.
Construída nos anos
cinquenta para fluxo médio de quinhentos veículos por dia, hoje,
esse número saltou para quase cinquenta por minuto, com a agravante
de ser pesado composto, em sua maior parte, por caminhões e
carretas. Ligando Belo Horizonte a Governador Valadares, seu trecho
mais perigoso vai até João Monlevade, e, a crescente
industrialização da região levou o congestionamento à rodovia, cujo
traçado não favorece à segurança no trecho citado. Aos clamores dos
próprios usuários e da população das cinquenta e seis cidades onde a
rodovia exerce influência, os sucessivos governos respondem com
anúncios de estudos e projetos, que resultam em nada.
Assim como o adiamento
sine die da duplicação daquela rodovia prorroga a angústia da
população diretamente atingida, o súbito anúncio de que seu tráfego
será transferido para a Rodovia dos Inconfidentes cai como bomba
entre usuários cativos desta e nas comunidades às suas margens, como
é o caso de Cachoeira do Campo. A rodovia, já a apresentar tráfego
contido por força da lentidão de veículos mais pesados, poderá
passar a ter congestionamentos, ainda que a transferência da BR-381
seja apenas parcial. Em Cachoeira do Campo, a apreensão, existente
em razão do perigo nas intercessões urbanas - especialmente a que
envolve a Praça Coronel Ramos, Rua São Francisco e Rua do Matoso -
se redobra, pois dificilmente se conseguirá cruzar a rodovia – a pé
ou de carro – sem que se faça a contenção do seu fluxo. Junte-se à
apreensão a indignação local pelo descaso com que vem sendo tratada
a reivindicação de mais segurança naquele cruzamento, embora estejam
visíveis a todos os riscos de acidentes no local. A solução do
problema vem sendo empurrada com a barriga pelas autoridades há
alguns anos. Já se falou em passarela para pedestres, que não
resolveria para veículos; outra solução seria passagem subterrânea
(trincheira); até "minhocão" em toda a extensão urbana, sem contar a
mirabolante duplicação da rodovia no setor urbano, tapeação na qual
se explorou a simpatia emanada do vice-presidente da República, ao
qual coube o anúncio da deslavada mentira.
O último comprometimento
das autoridades com a comunidade cachoeirense se deu em julho de
2009 quando, diante do vice-prefeito de Ouro Preto, de funcionários
municipais e representantes comunitários, enviado do Dnit prometeu
intervenções paliativas a serem feitas ainda naquele ano, enquanto
não se introduzia as definitivas, programadas para 2010. Não se
fizeram as paliativas e 2010 entra na reta final com a atordoante
notícia de aumento do tráfego, sem que nada tenha sido feito pela
segurança reivindicada de um lado e prometida do outro.
Desta forma, a
transferência de tráfego da BR-381 para a Rodovia dos Inconfidentes,
se consumada, se classifica como irresponsabilidade das autoridades
e órgãos competentes do setor viário, debitando-se, antecipadamente,
aos mesmos a responsabilidade por possíveis acidentes decorrentes
dessa incúria. Não há como pensar de outra forma. Contudo, há que
pensar em ardiloso chamariz pela captação de votos, na região
compreendida entre Belo Horizonte e Governador Valadares, para a
candidatura situacionista. Os indícios estão na denúncia, acima, das
empresas contratadas, que dizem não ter recebido o total referente
aos projetos de engenharia. "Sem o montante restante os estudos
podem ser paralisados". À vista desta afirmação, infere-se que a
polêmica duplicação ainda está em fase de estudos, portanto longe de
medidas de acomodamento como a transferência de tráfego.
Pode-se adequar ao momento
o dito popular: tempo de eleição e de guerra, mentira é como terra!
nbatista@uai.com.br
TEXTOS
ANTERIOR |
|