Do ponto de vista político
vamos viver, neste seis de outubro, o mais importante domingo do ano,
quiçá dos últimos vinte anos, com a corrida do eleitorado às urnas
para a escolha de parlamentares estaduais e federais, governadores de cada
unidade federativa e presidente da República. Mais de cem milhões de
cidadãos são convocados para dar seu voto, uma responsabilidade nem
sempre avaliada no momento crucial da votação, porém, cobrada
posteriormente ao se constatar uma realidade divergente de todo o
apregoado durante a campanha eleitoral. Quando se encolhe o mercado de
trabalho, deixando na ociosidade parte da força produtiva do país e no
desespero milhões de almas dependentes do labor diário, quem prometeu se
esconde atrás de discursos confusos. Debita a outrem o porquê do não
cumprimento das promessas, bem como a não aplicação do que seriam
planos de governo e políticas de sustentação ao desenvolvimento e
melhoria da qualidade de vida da população. Mas a fuga à
responsabilidade não é privilégio do votado, porque o votante também,
para se arvorar no direito de criticar e cobrar resultados, nega ter
votado no alvo de seus impropérios. Diante da frustração, temos então
o curioso fenômeno do desaparecimento dos fervorosos e, às vezes,
aguerridos eleitores da campanha anterior. Parece que morreram todos, pois
ninguém votou no político agora repudiado. Bem verdadeiro é o dito
"filho feio não tem pai"! Entretanto, de projeto vitorioso ou
iniciativa de sucesso, nem que seja relativo, a paternidade ganha disputa
acirrada com envolvimento de partidos e homens públicos sisudos.
Tudo isso é parte da natureza
humana, da vaidade, um pouco mais, um pouco menos, em cada indivíduo.
Poucos são os que admitem a derrota, daí o porquê do desaparecimento
dos eleitores do político caído em desgraça. Ninguém quer se
responsabilizar pelo fracasso ou reconhecer o erro, embora ele seja de
natureza coletiva, não comprometendo em definitivo a credibilidade
individual. Na esfera política tudo é válido, de acordo com a ética de
cada um, razão pela qual a mesma figura xingada em determinado momento,
no momento seguinte é elogiada, abraçada e coberta de beijos. Sapo vira
príncipe encantado com a maior facilidade! E vice-versa. O que político
diz hoje, no dia seguinte é desmentido pelo próprio que, na maior
cara-de-pau, ainda põe culpa na imprensa. E tudo fica por isso mesmo,
pois política se faz, em parte, de meias verdades e, outra parte, de
mentiras.
A coisa se torna grave, quando
esse comportamento, próprio da política, contamina instituições e a
eficiência da máquina pública, ao deixar de reconhecer erros e tentar
repassá-los à subalternidade temporária de colaboradores convocados.
Dá o que pensar, quando isso acontece. Quem espera somente transparência
da parte de representantes do poder público, no repasse de instruções
necessárias e vitais para o bom funcionamento da democracia, se sente
ultrajado. E adquire o direito de duvidar, daí por diante, da fonte que,
em momento algum, poderia ter sua credibilidade posta em cheque. O erro é
próprio do ser humano e nada justifica o seu não reconhecimento,
sobretudo por parte dos que têm a responsabilidade de zelar pela verdade.
Assumir a responsabilidade por erros eventualmente cometidos não diminui
quem assim procede; ao contrário, reforça sua credibilidade. Revela-se
dotado de fortaleza moral o cidadão que, consciente de sua falibilidade,
não se deixa dominar por falsos sentimentos de superioridade sugeridos
por sua posição na administração pública. Proceder ao contrário e,
ainda por cima, tentar imputar responsabilidades a terceiros é próprio
de covardes!
nbatista@uai.com.br
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