PONTO DE VISTA DO BATISTA


A escolha dos mesmos de sempre

Teve início nesta semana a mais ferrenha caçada em que vale tudo, embora restrições se façam a algumas armas e métodos.A conquista do voto, bem de valor inigualável no regime democrático e meio pelo qual se escolheriam os melhores para a gerência da coisa pública, é a meta de centenas de candidatos, em todo o país, aos cargos de deputado (estadual e federal), senador, governador e presidente da República.
Mesmo não perfeita, como qualquer fruto da mente humana, a democracia se destaca pela liberdade inerente, a começar pela escolha dos governantes e representantes do povo pelo povo. 

E é na escolha dos detentores desses cargos públicos, mais os de nível municipal, quando é o caso - que, neste país, a imperfeição se acentua por força do sistema político-partidário vigente, concentrado nas mãos de uns poucos e aberto a toda sorte de conchavos permissivos quanto à manutenção do poder pelo poder. Tudo começa na escolha do candidato, levando-se em conta seu poder de sedução junto às massas e o grau de alinhamento de suas ambições aos interesses da cúpula partidária, quase sempre descartadas a ética, honestidade e capacidade como fatores positivos e
mais importantes na avaliação do candidato. Longe do direito de escolha em primeira mão, o eleitor tem diante de si o prato feito, bem apresentado, do qual pode engolir alguns itens e descartar outros, não querendo dizer que os escolhidos são os melhores para a manutenção do seu corpo e saúde. Dessa forma são mantidas carências que, num círculo vicioso, reconduzem os mesmos pilantras, seguidos por outros, reciclados quanto aos métodos de tapeação.Percebe-se, de eleição em eleição, queda qualitativa na
composição do prato, posteriormente configurado como indigesto e causador de distúrbios intestinais, como os recentes e repetitivos casos de corrupção na cúpula da
máquina administrativa. A cada dia eclode novo escândalo e pelo ralo de seu bojo milhões e milhões de reais escoam para o caixa privado, eternizando-se desta forma carências coletivas, muleta em que se escoram deficientes morais para se manter em seus cargos indefinidamente.

O mundo laborioso e produtivo brasileiro acha-se entre dois fogos, desconhecendo-se qual mais destrutivo dos dois; o bandido, coordenado de dentro dos presídios, ceifador de vidas, destruidor do  patrimônio, ou o corrupto, encastelado nos palácios, gabinetes oficiais, parlamentos, a impedir o desenvolvimento do país. O poder dos bandidos decorre, em parte, de leis benevolentes, por sua vez aprovadas pelo Legislativo, cuja composição, na melhor das hipóteses, acha-se minada por interesses particulares. Desgraçadamente, a situação se mostra bem pior, conforme apurações feitas por diversas CPIs, lembrando ainda que, pelo menos, numa das unidades federativas, constatou-se quadrilha formada e atuante na cúpula dos três poderes constituídos. A continuidade desses crimes ao longo da história nacional recente tem como sustentáculo a cultura da impunidade que, no caso dos políticos, é facilitada por leis que os impedem de ir para a cadeia, ao contrário do ladrão pé-de-chinelo que costuma mofar atrás das grades pelo furto de um pão.

Em razão do sistema político-partidário viciado e antidemocrático, da corrupção e impunidade reinantes, nada garante ao eleitor resultado diferente do quadro atual. Sabendo-se ainda que suspeitos de corrupção e corruptos não punidos, em grande número, concorrem ao pleito de 1º de outubro, a garantia de não escolher corrupto está no VOTO ZERO, ou seja, no preenchimento do número do candidato com ZEROS.

 Partidos políticos já  fizeram mal demais à humanidade!
nbatista@uai.com.br

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