PONTO DE VISTA DO BATISTA
Espoliação de aposentados
Volto nesta edição a
cutucar a Previdência Social, há muito deixada de lado quanto a
abordagens, mas não esquecida por mim no que toca à sua
ineficiência, na hora de dar retorno ao trabalhador depois de longa
jornada de contribuições. De outras mazelas tivemos de nos ocupar,
ficando ela em segundo plano, mas não esquecida, porque de pedra no
sapato ninguém se esquece enquanto está calçado. E já são cerca de
vinte anos, desde minha primeira denúncia daquilo que classifiquei
de verdadeira patifaria da Previdência.
Em abril/87,
"beneficiários" de um salário mínimo receberam, em lugar de outro
carnê, apenas um cupom com o qual receberiam uma diferença. No mês
seguinte foi pago o valor correspondente àquele cupom e ficou para
trás o correspondente ao mês anterior, mantendo-se o sistema de
cupom e defasagem de um mês durante um ano, até que a Previdência
anunciou com estardalhaço que poria os pagamentos em dia com a volta
do carnê. Pois bem, em agosto/88, muitos dos "beneficiários" de um
salário mínimo apresentaram o cupom relativo a junho/88. Entretanto
foi pago apenas o relativo a julho/88 constante do novo carnê
entregue naquele momento. O cupom relativo a junho/88 foi recolhido
e seu pagamento sonegado! Tentei provar a patifaria, e, para isso
era necessário que, pelo menos, uma vítima se dispusesse a reclamar
na hora do recebimento. Entretanto a cultura da subserviência,
cabeça baixa e medo, diante do poder público impediu-me de fazer a
prova. Ninguém se dispôs a registrar e reclamar contra aquela
safadeza! Brasileiro joga pedras, mas esconde a mão! Por isso mesmo
tem seus direitos pisoteados!
À época desse golpe de "joão-sem-braço"
contra os pequenos, era ministro da Previdência o mesmo político,
mais tarde apontado como envolvido no escândalo da Sudam e que
chegou a ser preso pela Polícia Federal. Até então não se ouvia
falar em grandes fraudes e mutretas no INSS.
Mais tarde, ao surgir o
primeiro escândalo, afirmei nesta coluna que aquilo era apenas o
começo, pois se espremesse correria muito caldo sujo e grosso. Não
deu outra. Gatunos de alta linhagem com a participação de outros de
dentro do balcão solapavam os recursos ingressos nos cofres,
enquanto sonegadores crônicos, incluindo-se empresas estatais,
órgãos governamentais e prefeituras deixavam de cumprir sua parte no
recolhimento no recolhimento das contribuições previdenciárias.
Patrimônios pessoais se formaram ou cresceram à custa da corrupção e
sonegação, vitimando contribuintes, aposentados e pensionistas do
INSS. E o que se recuperou é um grão de imenso areal!
Em decorrência das ações
desses sacripantas, ineficiência e incompetência previdenciárias,
mais a complacência das leis, contribuintes, aposentados e
pensionistas tiveram seus "benefícios" cortados e/ou achatados ao
mínimo, não importando o nível da contribuição. Antes do violento
achatamento, o contribuinte e futuro aposentado já havia perdido o
direito ao "pé na cova", abono concedido aos trinta anos de
contribuição, bom consolo ao trabalhador enquanto aguardava mais
cinco anos de contribuição para a aposentadoria integral, então
concedida sem considerar a idade do contribuinte. Aposentado e
disposto a permanecer na ativa, as contribuições mensais ao INSS
formavam pecúlio que o trabalhador sacava ao se desvincular daquele
emprego. Tudo isso o trabalhador perdeu, além de lhe ser cobrada
idade mínima para se aposentar.
No caso do aposentado
ainda na ativa, comete-se outra grande injustiça, porque além de ter
seu "benefício" achatado até o nível do salário mínimo, não se
levando em conta o valor de suas contribuições anteriores, ele
continua a pagar à Previdência. Entretanto, as atuais contribuições
não lhe dão retorno, pois não há segunda aposentadoria. É
contribuinte a fundo perdido da Previdência Social, pagando por
trabalhar e sem obter recomposição do "benefício" em relação ao piso
salarial vigente. Para o aposentado em boas condições de saúde, o
ideal seria trabalhar como voluntário, empregando sua experiência em
favor da comunidade, mas o valor da aposentadoria não permite esse
"luxo". Por isso, os que podem, continuam, ou voltam, a trabalhar,
mas são espoliados pela Previdência Social.