PONTO DE VISTA DO BATISTA

Estorvo ou defunto nos registros da Previdência

"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma" E assim sendo, é muito natural que idiomas passem por mudanças, ao longo do tempo, e palavras percam seu sentido original em decorrência de novas posições do homem diante de fatos e situações. Exemplo clássico do desvio de verificado em conceito está na palavra "profeta" que, originalmente, significava "portador da luz do conhecimento". Creio que por esta razão, "profeta" era também o nome dado a quem exercia a função de acender os bicos dos lampiões a gás da iluminação pública, antes da eletricidade. Pelo menos, em Ouro Preto, assim eram chamados os responsáveis pelo acendimento e apagamento da iluminação nas ruas.

Na verdade, originalmente, profetas eram sábios que, eventualmente e por força do conhecimento, prediziam muito do que estava por acontecer. No imaginário popular, o secundário (predição do futuro) se tornou principal e assim, profeta passou a ser sinônimo de adivinho. Mas, hoje, desvio de conceito se processa de maneira diferente, por outras razões, circunstâncias e até mesmo interesses.

"Aposentado", por exemplo, seria alguém recolhido aos aposentos, para descansar, e, em especial depois de uma vida de trabalho, muito embora este descanso não signifique "ficar à toa" ou "de papo pro ar". O tempo ocioso poderia ser ocupado com o voluntariado. Seria descanso do trabalho formal com vínculo empregatício necessário à própria sobrevivência, pois o sistema previdenciário lhe garantiria proventos necessários. Aí temos a própria palavra "previdência" com desvio de conceito, pois na verdade o sistema não prevê ou previne situação cômoda para seus contribuintes, e ao fim da jornada, não provê seu sustento como segurados. Depois de tantos anos de contribuição, quem deveria ter seu sustento garantido se vê obrigado a permanecer no mercado, que não consegue absorver trabalhadores/contribuintes em início de carreira. O pseudo-aposentado se torna então estorvo duas vezes: para a legião de pretendentes à sua vaga e para o Estado que gostaria de não tê-lo na lista de "beneficiários" do sistema previdenciário. A condição de estorvo para o Estado se demonstra com a desconsideração dos aposentados como consumidores/usuários de remédios (reajustados com 5,51%), planos de saúde (11,74%), energia (6,7%) e outros itens. Esse comportamento é uma espécie de "tô nem aí" oficial em relação aos que vêem seu sangue se desviar para a corrupção, cobertura de déficit em áreas diversas e mamatas com selo legal. Pseudo-aposentados são desconsiderados até como eleitores, ou não teriam o desprazer de ouvir o governo anunciar reajuste de apenas 5% para "beneficiários" acima do piso no sistema previdenciário.

A caradura do governo (não só o atual) chega ao desplante de impingir a "beneficiários" de idade avançada susto e constrangimento no momento de receber o que lhe cabe mensalmente: em lugar da merreca nas mãos, ouvem a informação de que já estão mortos! Há gente que já teve de providenciar sua "ressurreição" três vezes! Isso mesmo, morto três vezes pela "patifaria oficial". E não venha alguém de trás do balcão a dizer que equívocos acontecem e são aceitáveis. Seriam aceitáveis se acontecessem também com o contribuinte. Nenhum contribuinte voltou ou volta para casa, sem contribuir ou pagar tributos, porque foi considerado morto!

Se são considerados mortos, aposentados e pensionistas poderão, em outubro, votar como mortos, optando pelo VOTO ZERO.

nbatista@uai.com.br

TEXTOS                                                                               PRÓXIMO

 
 

             HOME            

lique aqui  para adquirircom foto de Ouro Preto

Adquira, leia, comente e divulgue o livro BANDA DE MÚSICA, a "Alma da Comunidade"    

Home***Quem somos*** cidade***Hotéis/pousadas***Distritos***Atualidades***Cultura***Notícias

Pau na moleira***Textos***Curiosidades***Manual de viagem***Links úteis***Pesquisa***Negócios***Fale conosco