Estranha coincidência
Deixemos, pelo menos
por uma vez, os assuntos críticos, e, por isso mesmo, merecedores de
nossa repulsa aqui neste cantinho, todas as semanas. Demos descanso aos
políticos, à violência, à corrupção, à inépcia governamental e
demais patifarias e mazelas que nos afligem, para tratar de coisas mais
leves e curiosas, que também fazem parte do nosso dia-a-dia. Tais
curiosidade dão um tempero ao quotidiano, facilitando-nos encarar o
sabor, por vezes, amargo da realidade. No emaranhado dos fatos que
interligam as pessoas, de vez em quando alguns deles servem como
providencial auxílio na consecução dos objetivos de alguém, ou como
desvio de um perda, uma tragédia, enfim um fator negativo na vida da
pessoa. A isso que uns chamam de acaso, outros vêem nele a mão do
imponderável ou o meio usado pela Divina Providência em nosso auxílio.
Creio que a maioria de nós tem uma história para contar, nesse sentido.
Certa vez, depois de
uma série eventos bem sucedidos ao por em prática decisão tomada, um
incidente me fez atrasar e deixar de viajar no horário pretendido. Fiquei
bastante aborrecido, pois julgava ser a única falha no roteiro traçado
para aquele dia. Algumas horas depois percebi que, se tivesse viajado no
horário pretendido, poderia ter sido uma das quatorze vítimas fatais de
um terrível acidente rodoviário. Este é exemplo daquilo que comumente
se chama acaso. E as coincidências? Algumas deixam-nos boquiabertos
devido à improbabilidade praticamente demonstrável.
Várias vezes já caiu em meu
telefone chamadas feitas para um xará, médico, que tenho em algum ponto
dessas Gerais. É importante lembrar que o número que tentam chamar não
tem semelhança com o meu, está em outra região do estado assim como o
telefone de onde chamam. Já constatei isso. Interessante é que as
pessoas que com ele tentam falar estão convictas a respeito do número e
iniciam o diálogo antes de uma confirmação. Por uma dessas chamadas
desviadas de seu destino, cheguei a ouvir reminiscências de presumível
conquista amorosa de meu xará com proposta de novo encontro. A dona da
voz agradável e sedutora deve ter corado ao ouvir que eu não era o
Nylton, que ela pretendia reencontrar. Há poucos dias, mais uma ligação
destinada ao outro Nylton (talvez com "i" ou "ew")
caiu no meu aparelho. Eu estava na sala a conversar com o Dr. Paulo
Brandão que havia me procurado, quando o telefone tocou. Do outro lado: _
É o Nylton? E eu: _ Sim. A pessoa iniciou a conversação
usual entre pessoas conhecidas: _ Como vai? Tudo bem com você? E
coisa e tal. Pelo timbre de voz da pessoa intuí que era o Dr. Dimas
Dutra. Como o Dr. Paulo Brandão estava em minha casa, até imaginei que,
na verdade, deveria ser ele o procurado naquele momento. Então perguntei
só para confirmar:_É o Dr. Dimas? E ele: _ sim. Mas quando
voltei a falar, ele pediu desculpas e me interrompeu: _ Não estou
identificando a voz como sendo a do Dr. Nilton. Logo a seguir,
perguntou de que local era o telefone. _ Que loucura! foi sua
reação ao saber que a ligação, por caprichos aleatórios e
inexplicáveis com um empurrãozinho da operadora de telefonia, caíra em
outra região do estado, mas na casa de quem tinha o mesmo nome de seu
amigo. Só para certificar de que não havia me enganado quanto ao nome do
meu interlocutor: _ Mas, o seu nome é mesmo Dimas? _
Sim, chamo-me Dimas, sou médico, e, o Nilton com o qual quero falar
também é médico.
Muito estranha
coincidência! Para que fosse completa, só faltou também eu ser médico